Fittipaldi critica falta de liberdade de expressão na F1 atual e vê pilotos como robôs: “Eles precisam de personalidade”

Emerson Fittipaldi criticou a comunicação na F1 e defendeu que os pilotos tenham liberdade de expressão. Bicampeão isentou os atletas de responsabilidade e afirmou que os relações públicas dos times devem permitir que os atletas mostrem suas personalidades

Emerson Fittipaldi é a mais recente adição à lista de críticos da F1. Na visão do bicampeão, os pilotos se tornaram “robôs”, mas deveriam ser livres para expressarem sua maneira de ser.
 
Em um momento em que a F1 debate maneiras de melhorar o espetáculo e aproximar o público, o brasileiro acredita que a forma como os pilotos se relacionam com a imprensa precisa mudar.
Emerson defendeu que os pilotos tenham liberdade para dizerem o que pensam (Foto: Felipe Tesser/Grande Prêmio)
“Acho que a comunicação é uma grande parte disso. Se tem uma coisa que deveriam permitir, é a liberdade”, disse Emerson em entrevista à publicação norte-americana ‘Motorsport.com’. “Nos Estados Unidos, todos falam em ‘liberdade de expressão’”, seguiu.
 
“Se você guia para a Ferrari, por exemplo, antes da coletiva de imprensa vão te dizer: ‘Você não pode dizer isso’ ou ‘Você não deveria dizer aquilo’. Isso é bobagem”, avaliou. “Eu sou um robô? Ou sou uma personalidade? É isso que está faltando”, defendeu.
 
 Fittipaldi, no entanto, defende que os pilotos não devem ser responsabilizados por isso, uma vez que estão sendo controlados por outros.
 
“[Nico] Rosberg deveria poder dizer: ‘Ah, cara, a Mercedes arruinou a minha corrida hoje com suas decisões, esses malditos!’ Eles deveriam poder dizer qualquer coisa”, declarou. “Ao invés disso, eles sentam e quando perguntam ‘Como foi a corrida?’, eles só dizem: ‘Boa’”, seguiu.
 
“Eles precisam de personalidade. O sistema está errado, não são eles que estão errados. A culpa não é deles”, garantiu. “Em minha opinião, deveria haver uma interação melhor entre o público e os pilotos”, disse.
 
Por fim, o brasileiro explicou que a situação de hoje é muito diferente daquela vivida em sua época, mas defendeu que o esporte não deve ser prejudicado pelos que os atletas podem ou não dizer.
 
“A F1, os caras de relações públicas, eles deveriam permitir que os pilotos falem mais”, opinou. “Na minha época, eu tive uma relação comercial de 20 anos com a Philip Morris e eu sabia exatamente o que dizer, mas eu podia dizer qualquer coisa. Ainda permitia que a minha personalidade aparecesse. Eu tinha liberdade de expressão e isso é tudo”, sublinhou.
 
“Não culpe os pilotos, porque eles estão em um ambiente diferente da minha época, mas isso deveria mudar. Eles não podem se expressar”, criticou. “Isso é esporte e a atmosfera do esporte jamais deveria ser danificada pelos que os atletas podem dizer”, concluiu Fittipaldi.

Em uma pesquisa recente feita pela Associação dos Pilotos de GPs, os fãs manifestaram o desejo de que os pilotos sejam mais abertos e honestos.

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