Grosjean avalia que pneus anteriores à era dos motores V6 eram melhores para a F1: “Podíamos mudar forma como degradava”

Romain Grosjean avaliou que os pneus introduzidos no início da era dos V6 turbo tiraram do piloto a capacidade de interferir no desgaste da borracha. Titular da Lotus lembrou que antes o piloto podia economizar pneu para ter vantagem na hora de ultrapassar

Romain Grosjean acredita que a atual geração de pneus Pirelli tornou as corridas menos empolgantes, uma vez que o desgaste dos compostos é mais homogêneo. Desde que os V6 turbo substituíram os V8 aspirados, a fábrica italiana passou a fornecer compostos mais duros.
 
Na visão do piloto da Lotus, o comportamento da borracha atual eliminou a necessidade de cuidar dos pneus em algumas pistas, o que interfere nas oportunidades de ultrapassagem.
Romain Grosjean avaliou que os pneus atuais não facilitam as ultrapassagens (Foto: Getty Images)

“É muito diferente de dois ou três anos atrás, quando seu estilo de pilotagem podia influenciar a forma como os pneus desgastavam. No momento, não interfere tanto”, explicou Romain. “Eu preferia quando nós tínhamos de pensar e quando podíamos mudar a forma como degradava”, contou.

 
“Isso significa que se você fosse um pouquinho mais lento no início da corrida, aí você teria uma vantagem em relação a algumas outras pessoas e você podia tentar ultrapassar”, detalhou. “Acho que isso cria chances de ultrapassagem, porque tem um nível de aderência e se o cara da frente tem um desgaste maior, isso te dá uma vantagem”, continuou.
 
“Agora, se o cara da frente tem desgaste, você normalmente tem o mesmo problema, então você não tem mais vantagem”, ponderou. “Todos estão sempre no limite e quando você segue outro carro, realmente não tem mais essa vantagem”, frisou.
 
 Com o fim do contrato atual, a Pirelli agora tem a concorrência da Michelin no processo seletivo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), e a marca francesa acredita que a introdução de pneus mais duráveis é o caminho para corridas mais empolgantes.
 
Grosjean, no entanto, acredita que a teoria não é completamente verdadeira, uma vez que, nas últimas corridas, a Pirelli disponibilizou vários tipos de compostos e a estratégia de uma parada prevaleceu.
 
“A Áustria foi um bom exemplo”, comentou. “Eu estava atrás do [Sergio] Pérez no início da corrida, estava com os supermacios e ele com os macios, então eu tinha uma vantagem de aderência, mas eu não podia ultrapassá-lo, porque toda vez que tentava forçar para me aproximar, superaquecia meus pneus e perdia aderência, então não podia ultrapassar”, argumentou.
 
“É provavelmente por isso que podemos tentar nos concentrar e focar em facilitar a aproximação do carro da frente”, sugeriu. “Em 2012 e 2013, quando eles estavam desgastando, eles chegavam naquele ponto de perder aderência e o cara de trás podia tirar vantagem disso”, recordou.
 
“Agora fica bem consistente, mas ao longo da volta, se você ultrapassa certa janela, aí você só perde aderência e quando segue outro carro pode perder downforce, então você escorrega ainda mais e perde aderência, o que dificulta ainda mais a ultrapassagem”, concluiu.

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