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Depois da drástica mudança pela qual a F1 passou no ano passado, em que os carros surgiram maiores e equipados com pneus mais largos, além de novas e agressivas linhas aerodinâmicas, as regras para 2018 permaneceram as mesmas, então a pré-temporada chegou cercada de expectativa para entender como as equipes trabalharam durante o inverno europeu para aperfeiçoar as lições tomadas após a radical alteração de regulamento. Só que os testes em Barcelona foram bastante excêntricos neste ano. Muito em função da onda de frio que atingiu a Europa no fim do mês de fevereiro e início de março, justamente nas datas em que a maior das categorias deu início às atividades de preparação para o Mundial que começa neste fim de semana.
Assim sendo, os primeiros quatro dias de trabalhos na Catalunha foram marcados por baixíssimas temperaturas, chuva e até neve. Na prática, os pilotos conseguiram guiar os novos carros apenas por três dias. O resultado, portanto, se mostrou pouco conclusivo, a não ser pelo fato de que já ali dava para perceber que as equipes, em sua maioria, trabalharam muito bem a confiabilidade. E algumas surpreenderam positivamente, como a Toro Rosso e a sua nova parceira, a Honda. Outras, entretanto, reviveram problemas do passado, como a McLaren, que precisou lidar com uma falha em porca de roda logo na abertura dos treinos coletivos. Porém, há coisas que não mudam facilmente. A Mercedes mostrou força e a Ferrari, velocidade. A Red Bull apareceu bem e colocou uma pulga atrás da orelha das rivais.
GUIA DA F1 2018
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Lewis Hamilton liderou a semana 1 e chega em 2018 como favorito (Foto: LLuis Gene/AFP)
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Os tempos de volta foram bastante influenciados pelo novo asfalto do Circuito da Catalunha, que perdeu as ondulações e a abrasividade, e se tornou mais veloz. No geral, a volta mais rápida da semana foi registrada por Lewis Hamilton, na quinta-feira, quando andou em 1min19s333, usando os compostos médios (de cor branca) da Pirelli. O desempenho da Mercedes, claro, assustou, uma vez que as temperaturas estavam baixas e longe do ideal. Foi interessante ver que a Red Bull seguiu a estratégia dos tetracampeões e também andou de médios nesta primeira semana. Não foi veloz. Mas provou ser consistente. A Ferrari, em contrapartida, guiou com os compostos macios e ficou a pouco mais de 0s3 da marca do inglês.
De destaque, o fato de Stoffel Vandoorne aparecer com o terceiro melhor tempo. A McLaren se viu às voltas com problemas de refrigeração da parte traseira durante o início das atividades, mas optou por andar com os compostos mais macios da Pirelli. No caso aí, os hipermacios. Cabe aqui uma justificativa: depois de três anos sem conseguir dar a quilometragem necessário ao carro, a equipe inglesa decidiu que era hora de aparecer bem e criar um clima menos pesado, já que começava a se deparar com falhas.
Também importante perceber que a semana 1 trouxe uma Haas melhor preparada. Os americanos andaram com os supermacios, tiveram problemas a lidar, sim, como a caixa de câmbio, mas também apresentaram consistência, puxando, então, a fila do grupo intermediário. Aqui também vale destacar a Renault, que parece ter dado um bom passo à frente com carro/motor – embora tenha priorizado mais a confiabilidade da unidade de potência ao invés da performance.
Pierre Gasly e a Toro Rosso: a surpresa do início de pré-temporada (Foto: Pirelli)
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Quem deixou a primeira semana sob a luz da incerteza foram Williams e Force India. A primeira colocou o experiente Kubica e os dois jovens para andar em um carro que nasceu mais agressivo, mas também mais nervoso. Já os indianos, que apostam em inovações aerodinâmicas, preferiram trabalhar na checagem e confiabilidade.
Quatro dias mais tarde, a F1 retomou as ações em uma Barcelona ensolarada. O frio ainda seguiu, mas as temperaturas já se apresentavam significativamente mais altas na segunda semana de testes. E isso gerou quatro sessões importantíssimas de preparação. Todo mundo procurou usou ao máximo o tempo e compensar os contratempos do início da pré-temporada. Então, nesta fase seguinte, foi possível observar as mudanças feitas pelas equipes após o início dos trabalhos. Os times se dedicaram às simulações de corrida e classificação, análise de pneus e configuração, além de uma enormidade em termos de quilometragem. Praticamente todo mundo alternou o uso dos diversos compostos da Pirelli, sendo os mais macios os preferidos.
A Ferrari, então, se pôs veloz. Assim como em 2017, a equipe italiana comandou a tabela de tempos, com Seastian Vettel à frente de Kimi Räikkönen. Ambos andando na casa de 1min17s baixo. Aliás, o alemão ficou com o recorde não oficial do traçado atual do circuito catalão. A performance ferrarista surgiu em cima dos pneus hipermacios, novidade da gama da Pirelli e versão mais mole de compostos.
Sebastian Vettel foi o mais rápido dos testes coletivos (Foto: Pirelli)
De forma geral, a esquadra alemã se apresentou mais forte em ritmo de corrida e usando os pneus médios. Entre os dois pilotos prateados, Valtteri Bottas conseguiu andar ligeiramente à frente de Hamilton. A distância entre ambos ficou na casa de 0s048. Os dois andaram em 1min20s7 em ritmo normal, com carro mais pesado. A única preocupação ficou apenas no excessivo gasto de pneus que o desempenho gerou.
Já Vettel apareceu mais de meio segundo atrás, seguido pela Red Bull de Max Verstappen, ambos andando aí em 1min21s. A diferença entre o ferrarista e o holandês ficou na casa de 0s2. A Renault também surgiu bem neste quesito, se colocando no top-10, junto com Vandoorne e Romain Grosjean. Estes dois últimos, no entanto, andaram também de supermacios e macios, além dos médios no caso do belga. As demais equipes ficaram mais distantes, priorizando os pneus macios, como foi o caso de Williams, Force India e Sauber.
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A previsão
Diante do que se viu em Barcelona, não dúvida de que a Mercedes inicia 2018 mais forte que no ano passado. A equipe foi capaz de anular o comportamento imprevisível do W08 e exibiu um W09 rápido e consistente. Como dito, a única questão paira é o desgaste de pneus e a tendência de superaquecimento dos pneus traseiros. A Ferrari, por outro lado, sabe como cuidar bem dos compostos, especialmente os macios. O carro é veloz e tem uma agressividade aerodinâmica. O ponto ferrarista agora é entender a performance em ritmo de corrida, aspecto em que ainda parece perder para a adversária prateada.
Quem correr por fora aí é a Red Bull. Como a Mercedes, os austríacos priorizaram o desempenho em corrida, evitaram entrar na disputa de voltas lançadas. E até esconderam um pouco o jogo. A verdade, no entanto, é que o RB14 é bem-nascido e vai depender apenas do quanto a Renault evoluir durante a temporada. Porém, já começa o campeonato mais perto das duas ponteiras.
O pelotão intermediário, o chamado 'midfield', se mostra enigmático neste momento, mas acirrado. Quarta força da F1 em 2017, a Force India ainda parece não ter se acertado. Os indianos tiveram dificuldades para acomodar o peso extra do halo e agora será preciso uma taxa maior de desenvolvimento. A Williams é outra que parece longe da performance do ano passado. O FW41 é rápido, mas nervoso. E também será necessária uma dose de evolução – mas a equipe inglesa esbarra na extrema juventude e pouca experiente de sua dupla. Assim, a participação de Robert Kubica ao longo do ano será fundamental.
A Renault lidera o pelotão intermediário – por enquanto (Foto: Renault)
A Haas é uma grata surpresa da pré-temporada. A equipe norte-americana estudou bem a evolução da Ferrari e a usou como um espelho. O carro é consistente e pode surpreender, assim como a Toro Rosso, que parece totalmente adaptada a Honda. A Sauber é que tenta renascer. O acordo com a Alfa Romeo e o vínculo técnico com a Ferrari devem surtir efeito. Além disso, a equipe conta com o promissor Charles Leclerc para avançar pelo grupo intermediário.
E falando neste bloco, a Renault é quem parece liderar. Tem uma boa dupla de pilotos, e o carro se mostrou forte o bastante para encarar as rivais mais diretas e até mesmo sonhar com algo a mais. Assim como a Red Bull, também depende de uma melhora da unidade de potência. Finalmente, a McLaren. Talvez a equipe que mais guarde expectativa. Apesar dos problemas durante a pré-temporada, o time inglês viveu um desempenho mais sólido do que nos últimos anos. O MCL33 é ousado, mas ainda precisa se adequar melhor ao motor francês. O trunfo da esquadra também está em seus comandados: Fernando Alonso, que dispensa apresentações, e no muito bom Stoffel Vandoorne, que já provou ter sido uma aposta certeira.
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