Há 50 anos na F1, Frank Williams é homenageado e garante: “Não vou embora”

Sir Frank Williams vai ser o grande homenageado do fim de semana do GP da Inglaterra. O dirigente britânico, que ainda detém o posto de comandante da escuderia que leva seu sobrenome, completa 50 anos de envolvimento com a F1. Nesta quinta-feira (11), Williams falou sobre o apreço pela F1, mas também pelas tristezas que o esporte proporcionou

Francis Owen Garbatt Williams, ou simplesmente Sir Frank Williams, vai ser o grande homenageado neste fim de semana do GP da Inglaterra de F1 por conta do aniversário de 50 anos de envolvimento com o esporte a motor. Atualmente com 77 anos, o dirigente britânico é presença cada vez mais rara no paddock da F1, mas ainda se faz presente pelo sobrenome da equipe que ajudou a fundar. Frank ocupa o posto de comandante da escuderia, sediada em Grove, ainda que na prática quem controle as atividades do time na pista seja sua filha, Claire Williams, chefe-adjunta.
 
A trajetória de Frank Williams no automobilismo como chefe de equipe começou em 1966, quando fundou a Frank Williams Racing Cars. O britânico, que teve uma breve carreira como piloto, mecânico e até vendedor ambulante, comprou um chassi Brabham e motores Ford para poder fazer parte do Mundial. Nos primeiros anos, esteve envolvido com as antigas F2 e F3 para, em 1969, entrar na F1 com o piloto britânico Piers Courage.
 
O tempo passa rápido, e Frank carrega no corpo e na mente as marcas de um esporte que tornou-se símbolo da sua própria vida. “50 anos na F1. Não pensei muito nisso. Não posso dizer que gostei de tudo porque houve momentos bem complicados. Perdi minha mulher, pilotos… Mas a F1 sempre me tratou muito bem. Sempre volto louco pela velocidade”.
Lenda da F1, Sir Frank Williams é o grande homenageado do fim de semana (Foto: Williams/ Glenn Dunbar/ LAT Photographic)

Entre os momentos difíceis que viveu, um dos mais marcantes foi a morte do seu primeiro piloto na F1. Courage sofreu um acidente fatal durante o GP da Holanda de 1970, quando tinha apenas 28 anos. Para Frank Williams, ver um competidor morrer a bordo do seu carro foi terrível.

 
“Era uma grande pessoa. Tinha boas maneiras, tinha bom gosto. Foi uma grande perda. Quando fui ao funeral, estavam presentes todos os pilotos, menos um, e não havia olhos sem lágrimas”, recordou.

Em março de 1986, Williams sofreu outro revés que deixou marcas profundas até hoje. O dirigente sofreu um grave acidente de carro quando dirigia um Ford Sierra a caminho de Nice, na França, depois de uma sessão de testes em Paul Ricard. A caminho do aeroporto, Frank perdeu o controle do carro e sofreu o acidente que causou fratura da espinha entre a quarta e a quinta vértebra. Paraplégico, Williams passou a usar a cadeira de rodas para se locomover. Mas o amor pelo esporte se manteve e, nove meses depois do acidente, ele estava de volta ao paddock da F1.

 
24 anos depois da morte de Courage, Williams reviveu o mesmo trauma. Em 1º de maio de 1994, na sétima volta do GP de San Marino, Ayrton Senna estava a bordo do carro da Williams quando sofreu a batida fatal na curva Tamburello. “Ayrton era um piloto com muito talento e determinação”, disse.
 
O britânico, que é o único garagista ainda no comando de uma equipe da F1, lembrou também a união com Patrick Head, com quem fundou a Williams como ela é conhecida hoje. Depois de vários problemas financeiros, Frank teve na aliança com o amigo um elemento fundamental para construir as bases de uma nova equipe que, ao longo das décadas seguintes, tornou-se uma das mais vitoriosas da F1.
 
“A união a Patrick Head foi muito significativa, foi a chave para fazer que esta empresa seja a que é nos dias de hoje. Tivemos muito sucesso, mas tudo pode se resumir com uma expressão muito conhecida neste mundo. Você é tão bom quanto você na última corrida”, comentou.
 
Dona de nove títulos do Mundial de Construtores, sete do Mundial de Pilotos, 114 vitórias, 128 poles em 824 GPs disputados — considerando as duas equipes fundadas —, a Williams só está atrás da Ferrari em número de títulos conquistados. Entretanto, o passado glorioso está cada vez mais distante, e a realidade da escuderia de Grove é correr para chegar em último.
 
Ainda assim, Frank Williams garante. “Vamos continuar lutando, não vou embora”.

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