Hamilton vê corridas “não tão emocionantes” para fãs e espera mudança em 2022

O hexacampeão reconheceu que o domínio da Mercedes e consistência dos pilotos têm tornado as corridas pouco movimentadas e aposta no novo regulamento para mudanças

Lewis Hamilton mostrou se preocupar com as corridas de Fórmula 1 não tão movimentadas. O inglês apontou que o domínio da Mercedes torna as disputas menos atrativas para os fãs e espera que o novo regulamento consiga trazer mudanças.

Sete etapas já se passaram na temporada 2020, e a equipe alemã venceu seis vezes – o hexacampeão subiu ao degrau mais alto do pódio em cinco oportunidades. Max Verstappen foi o único capaz de tirar um triunfo das mãos do time ao ganhar o GP dos 70 Anos com a Red Bull.

No GP da Bélgica do último domingo (30), o #44 liderou todas as voltas para alcançar a vitória 89 da carreira, mas apesar de celebrar o resultado, reconheceu que o domínio da escuderia de Brackley pode ser comparado aos anos de ouro da parceria Michael Schumacher e Ferrari, sobretudo entre 2000 e 2004.

Lewis Hamilton chegou à 89ª vitória na Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

“Não posso falar pelos fãs, mas já fui um, crescendo, vivendo diferentes eras, assistindo [Michael] Schumahcer, claro, sei como é. Assim que a largada e a relargada aconteceram, normalmente sabe-se que não cometo muitos erros. O mesmo acontece com os demais pilotos, são sempre muito consistentes”, falou.

“É difícil ultrapassar neste circuito [Spa-Francorchamps], então dá para imaginar que não é o mais animador. Eu me sinto exatamente como Max, não foi a corrida mais animada. Quer dizer, normalmente curto muito no carro porque se não aproveitar o momento, qual o motivo de fazer tudo isso?”, seguiu o piloto de 35 anos.

“Gosto muito das brigas. Todas as vezes que passei pela curva 15 olhei no retrovisor e vi onde Valtteri [Bottas] estava, se estava se aproximando ou mais afastado, tentando entender o que iria fazer, as diferenças entre ele e Max e tentando encontrar o equilíbrio a cada volta. Ainda é um grande desafio para mim. Não é tão divertido para as pessoas assistirem, mas quando está dentro é um pouco diferente”, emendou.

“Mas é claro, adoraria ter uma corrida real. Já tive disputas no passado que eram mais próximas, tentando acompanhar as Ferrari e ficando à frente delas, mas podendo ser ultrapassado, pois elas tinham potência extra. Acredito que as Red Bull melhoraram. Realmente espero que tenhamos mais de corridas reais, pois acho que todos querem nos ver brigando”, completou.

Lewis Hamilton tem 47 pontos de vantagem para o segundo colocado (Foto: Mercedes)

O inglês de Stevenage continuou sua linha de pensamento dizendo que os pilotos não podem ser culpados, apesar de reconhecer que corridas dominantes não sejam divertidas de assistir. Ainda, mostrou esperança para que as mudanças de regulamento para 2022, com ajustes nas regras técnicas e teto de gastos, aproxime mais as coisas.

“Quando era adolescente, acordava, preparava um sanduíche e provavelmente assistia a largada, voltava a dormir e acordava para ver o final. Se assistisse hoje, faria o mesmo e depois veria os lances principais porque é muito mais curto”, explicou.

“Não é o que os fãs querem e espero que as pessoas saibam que não é nossa culpa. No fim do dia, somos pilotos, passamos por todas as categorias, conseguimos todas as posições que temos e fim de semana sim, fim de semana não, nos concentramos e damos absolutamente tudo para ter o melhor desempenho”, pontuou.

“Em último caso, os responsáveis pela tomada de decisões dos desenhos dos carros, os que criam as regras e esses tipos de coisa, são os que podem ser pressionados para fazer um melhor trabalho de evolução se for possível. Tenho esperança de que aconteça em 2022 com o novo carro, talvez vejamos uma nova forma de corrida. Não seria legal podermos nos aproximar e ter corridas mais apertadas?”, encerrou o hexa.

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