Honda revela que combustível E10 gerou problema de confiabilidade da Red Bull

Tetsushi Kakuka, engenheiro-chefe da Honda, explicou que os ajustes necessários feitos no motor para receber o combustível E10 — introduzido na categoria no ano passado — geraram o problema de confiabilidade que atormentou a Red Bull no início da temporada 2022

Se da segunda metade da temporada 2022 da Fórmula 1 em diante, a Red Bull foi praticamente perfeita, o mesmo não se pode dizer do início do ano passado, sobretudo nas três primeiras corridas do calendário, quando Max Verstappen e Sergio Pérez sofreram três quebras em seis possíveis — o abandono duplo no Bahrein e o de Max na Austrália. E tudo isso aconteceu, segundo a Honda, por um motivo em especial: a introdução do combustível E10 na categoria.

Mesmo tendo em mãos um dos melhores projetos do grid com a volta do efeito-solo, o RB18 sofreu com os problemas de confiabilidade na unidade de potência produzida pela Honda. Tetsushi Kakuda, engenheiro-chefe da marca japonesa e líder da fabricante na F1, explicou que tudo aconteceu com a necessidade de ajustar o motor para receber o combustível E10, resultado de uma mistura com 10% de etanol.

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Depois de um início incerto, a Honda conseguiu resolver a questão da confiabilidade do motor Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

“Nos esforçamos ao máximo para recuperar a perda de desempenho por conta do combustível E10”, disse o engenheiro. “A carga interna do motor aumentou significativamente em comparação com os anos anteriores, e a confiabilidade ficou seriamente comprometida. Como resultado, vários problemas surgiram durante a temporada 2022”, acrescentou.

Com o desenvolvimento dos motores congelados até 2026, quando a categoria terá uma nova geração de unidades de potência, ainda mais sustentáveis e com a parte elétrica ampliada, o regulamento da F1 permite que alterações nos propulsores sejam feitas apenas visando a melhoria da confiabilidade — como foi o caso da equipe taurina. Kakuda disse, no entanto, que tais ajustes não resultam em melhora de desempenho.

“Melhorar a confiabilidade não vai ajudar a melhorar a outra potência da unidade”, declarou. “E também, pelo regulamento, há apenas um tipo de desenvolvimento que pode ser feito para uma melhoria de potência”, continuou, explicando que a questão da confiabilidade influi nas estratégias de corrida.

“Falando, então, sobre melhoria de confiabilidade, se ela puder ser melhorada, vai nos ajudar a ter mais opções de uma perspectiva estratégica e de como podemos usar as unidades de potência. É por isso que vamos trabalhar em colaboração com a equipe para adotar a melhor estratégia para a unidade de potência”, salientou.

“Não só devemos melhorar as áreas onde os problemas se tornaram aparentes, como também temos nos preparado para ter estratégias mais amplas, identificando os limites de cada parte e maximizando seu potencial. Além de melhorar a confiabilidade, aprofundamos a compreensão do nosso motor para otimizar ainda mais o controle e o gerenciamento de energia”, seguiu.

“Também amadurecemos nas tecnologias de eletrificação, onde tivemos clara vantagem no ano passado, especialmente na implantação do MGU-K. Felizmente, não tivemos nenhum problema crítico com a unidade de potência durante a temporada, e os demais membros da equipe conseguiram lidar com os problemas encontrados”, completou Kakuda, dizendo, por fim, que a Honda está “totalmente preparada para os testes da pré-temporada”, que começam esta semana, no Bahrein.

A Honda é uma das seis fabricantes inscritas como fornecedoras de motores a partir da temporada 2026 da F1. A parceria com a Red Bull, no entanto, será desfeita ao final do contrato, uma vez que a base em Milton Keynes terá motores Ford na nova era da categoria.

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