Honda sai por cima em nova despedida da F1 e não descarta retorno: “Pode acontecer”

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Masashi Yamamoto atribuiu um eventual retorno da marca japonesa à geração que está por vir: “Vamos avaliar as oportunidades no futuro”

F1 EM ABU DHABI, CLASSIFICAÇÃO: VERSTAPPEN POLE, HAMILTON 2° | Briefing

Seja lá qual for o desfecho da temporada 2021 da Fórmula 1 logo mais, é possível dizer que a Honda sai por cima no desfecho de mais um ciclo na Fórmula 1. No fim de 2014, quando se preparava para regressar ao Mundial como fornecedora de motores da McLaren, mal conseguiu andar em sessão com Stoffel Vandoorne nos testes em Abu Dhabi. Sete anos depois, a marca japonesa deu a volta por cima e, ao lado da Red Bull, luta pelo título mundial contra a Mercedes, força hegemônica da F1 exatamente desde 2014, quando teve início a era híbrida.

Entre 2015 e 2017, com a McLaren, a Honda colheu fracassos, muitas críticas e foi motivo de chacota pela falta de potência e de confiabilidade do seu motor. Atrasada um ano na comparação com as demais concorrentes — Mercedes, Ferrari e Renault —, a montadora de Sakura viu ruir uma relação que foi anunciada como um regresso a um passado vencedor e terminou com um divórcio melancólico. Impossível pensar, pois, na frase de Fernando Alonso logo na corrida de casa da Honda, no GP do Japão de 2015: “Motor de GP2! Motor de GP2!”, bradou o bicampeão.

O rompimento com a McLaren abriu a oportunidade para uma nova relação na Fórmula 1. A Honda não desistiu de voltar a ser vitoriosa e firmou laços com a Red Bull. Num primeiro ano de transição, em 2018, forneceu seus motores à Toro Rosso, hoje AlphaTauri, ainda sob a sombra da desconfiança, que foi vencida com trabalho e melhorias expressivas.

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STOFFEL VANDOORNE; HONDA; MCLAREN; 2014; ABU DHABI;
Vandoorne só conseguiu dar cinco voltas em dois dias de testes em 2014 em Abu Dhabi (Foto: Honda Racing)

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A partir de 2019, Honda e Red Bull se uniram de vez. A parceria deu frutos logo no primeiro ano e com três vitórias conquistadas por Max Verstappen, além dos pódios de Daniil Kvyat e Pierre Gasly com a Toro Rosso.

2020 foi novamente forte, com duas vitórias de Verstappen e o triunfo de Gasly com a AlphaTauri no GP da Itália. Mas em outubro do ano passado, a Honda anunciou a decisão de sair, novamente, da Fórmula 1. Só que a retirada estava marcada para o fim de 2021, o ano da redenção em definitivo da marca fundada por Soichiro Honda.

Foram até agora dez vitórias e um total de 23 pódios em uma campanha notável. A volta por cima foi comemorada por Masashi Yamamoto, diretor da Honda para a Fórmula 1, em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO.

MAX VERSTAPPEN; HONDA; FÓRMULA 1; F1 2021; FÓRMULA 1 2021;
A Honda se despede da F1 de novo neste domingo em que pode voltar a ser campeã (Foto: Bryn Lennon/Getty Images/Red Bull Content Pool)

“É ótimo termos todo esse sucesso após algumas temporadas com muitos problemas, por isso, reunimos todos os esforços possíveis para fazer um RB16B competitivo em nosso último para dar a Max a possibilidade de batalhar com a Mercedes”, disse o engenheiro. “Estou muito feliz. Houve uma evolução do chassi do RB16 para o RB16B, a Honda veio com novas atualizações e esses fatores foram fundamentais para melhorar a performance do carro”, declarou Yamamoto-san.

A chance de voltar a ser campeã mundial de Fórmula 1 depois de 30 anos é vista como um alento e também uma resposta a quem desacreditou do trabalho da Honda nas últimas temporadas. “Decidimos nossa saída em outubro do ano passado, mas queríamos sair por cima. Embora tenhamos nos esforçado bastante, nem todo mundo estava esperando por isso. Precisamos continuar nesse nível para, quem sabe, encerrarmos a temporada com um bom resultado”.

MASASHI YAMAMOTO; MAX VERSTAPPEN; RED BULL; HONDA; F1;
Liderada por Masashi Yamamoto, a Honda se despede por cima na F1 (Foto: Chris Graythen/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Recentemente, Porsche e Audi, do Grupo Volkswagen, têm demonstrado interesse em colocar suas marcas na Fórmula 1 em razão da mudança que é projetada para 2026 quanto ao regulamento dos motores. A Honda, por sua vez, sai de cena, mas sem descartar um retorno em algum momento.

“Vamos avaliar as oportunidades que pintarem no futuro, muitos engenheiros da Honda vão sair da Fórmula 1, e talvez possam voltar em um outro momento. Não descartamos nada, pode acontecer eventualmente”, concluiu.

O GP de Abu Dhabi de Fórmula 1 tem largada logo mais, às 10h (de Brasília, GMT-3), e terá transmissão ao vivo da Band na TV por assinatura e do serviço de streaming F1 TV Pro.

GRANDE PRÊMIO acompanha o decisivo e derradeiro GP da temporada 2021 da Fórmula 1 AO VIVO e em TEMPO REAL.

A F1 lança campanha para defender e incentivar vacinação contra a Covid-19 (Vídeo: F1)
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