Início da ‘Era Schumacher’, Senna ‘anjo da guarda’, pole de Barrichello e acidentes fatais: o GP da Bélgica ao longo da história

Preferida por nove entre dez pilotos do grid da F1, Spa-Francorchamps recebe neste fim de semana a histórica 60ª edição do GP da Bélgica. Michael Schumacher, que fez sua estreia exatamente em Spa, é o maior vencedor da corrida, com seis conquistas. Com 16 triunfos, a Ferrari é a mais laureada dentre as equipes

O sempre empolgante e aguardado GP da Bélgica vai abrir a segunda metade da temporada 2015 do Mundial de F1 neste fim de semana. A prova fará parte do calendário da categoria pela 60ª vez neste ano. Trata-se de um número emblemático e que carrega muita história desde a primeira corrida realizada, em 1950. Tradicionalmente, Spa-Francorchamps foi a base da corrida no belo país, mas o evento já foi sediado duas vezes em Nivelles — e com duas vitórias de Emerson Fittipaldi — e outras dez em Zolder, palco da trágica morte de Gilles Villeneuve.

Mas a história do GP da Bélgica remete também a muitos grandes momentos do esporte. Foi lá, por exemplo, que Michael Schumacher fez sua estreia na F1, em 1991 e, um ano depois, vencia pela primeira vez na categoria, com a Benetton verde e amarela. A Bélgica foi o palco de muitas vitórias brasileiras, oito, para ser mais exato: cinco de Ayrton Senna, duas de Emerson Fittipaldi e uma de Felipe Massa.

Outro acontecimento notável para o Brasil foi a pole-position de Rubens Barrichello em 1994, debaixo de chuva, batendo o tempo de Schumacher com a Jordan. Foi o primeiro resultado relevante de um brasileiro na F1 depois da morte de Senna, ocorrida meses antes no GP de San Marino, em Ímola.

Spa-Francorchamps é muito especial para Schumacher não apenas pelos motivos acima citados. Foi no mais desafiador traçado do Mundial que o alemão venceu seis dos 91 GPs na F1, sendo que em 2004 apenas o segundo lugar bastou porque lhe garantiu, de forma antecipada, o até hoje inalcançável heptacampeonato mundial.

Michael Schumacher se tornou em Spa o piloto com o maior número de títulos na F1 (Foto: Ferrari)

Em quase seis décadas de história, o GP da Bélgica viu a vitória de grandes nomes do automobilismo mundial, como Schumacher, Senna, Fittipaldi, Niki Lauda, Alain Prost, Juan Manuel Fangio, Jim Clark e Nigel Mansell, mas também presenciou zebras como os triunfos do mexicano Pedro Rodríguez, do sueco Gunnar Nilsson — um ano antes de o piloto morrer, vítima de câncer — e de Daniel Ricciardo, no ano passado.

A seguir, confira alguns fatos que marcaram o GP da Bélgica ao longo da história:

O PRIMEIRO VENCEDOR

A primeira temporada da história da F1 foi marcada pelo amplo domínio da Alfa Romeo com os protagonistas Nino Farina e Juan Manuel Fangio. A luta pelo primeiro título mundial teve seu quinto capítulo (na prática, o quarto, porque os pilotos da F1 não disputavam as 500 Milhas de Indianápolis, que fazia parte do calendário) em Spa-Francorchamps, uma pista muito diferente do que é usada hoje pela categoria.

Se Spa hoje é a pista mais extensa do calendário, com 7.003 metros, entre 1950 e 1970 o traçado era ainda mais longo e media 14,1 km. Foi nessa configuração que Nino Farina cravou a pole com o tempo de 4min37s. O primeiro GP da Bélgica teve 494,2 km de extensão e foi vencido por Fangio após 2min47s26s de corrida.

Foi um triunfo importante para o argentino de Balcarce, mas o título de 1950 ficou mesmo com Farina, que somou 30 pontos, contra 27 de Fangio.

UM ANO MARCADO PELA TRAGÉDIA

Dez anos depois da vitória de Fangio em Spa, o circuito viveria um dos fins de semana mais tensos de sua história. O GP da Bélgica de 1960 foi o marco de dois acidentes gravíssimos, na sexta-feira, e outros dois acidentes fatais durante a corrida no domingo, dia 19 de junho.

Durante os treinos livres no começo do fim de semana, coincidentemente ou não, dois Lotus 18 foram protagonistas de acidentes gravíssimos. Stirling Moss, lendário piloto britânico, perdeu o controle do seu carro depois da quebra do eixo traseiro e acabou sendo ejetado do bólido, fraturando as duas pernas. Pouco depois, foi a vez de Mike Taylor sofrer com o carro ao enfrentar uma grave batida, tendo de lidar com múltiplas fraturas por todo o corpo, que fora arremessado contra uma árvore. Estava encerrada, ali, a carreira do piloto.

O que os pilotos mal poderiam esperar era que o domingo fosse ainda pior em todos os sentidos. Dois jovens pilotos, Chris Bristow e Alan Stacey, morreram em Spa-Francorchamps num espaço de 20 minutos, durante a corrida. Bristow lutava pelo sexto lugar com Willy Mairesse. Após passar pela veloz curva Burneville, o britânico de 22 anos cometeu um erro e perdeu o controle do seu Cooper, batendo de forma fatal. Sem cinto de segurança, Bristow foi lançado contra uma cerca de arame farpado e teve seu corpo decapitado.

Pouco depois, Alan Stacey encontrou a morte aos 26 anos depois de ter a infelicidade de ter sido acertado por um pássaro, perto da mesma curva Burneville, em altíssima velocidade, perto dos 260 km/h. Com o impacto, o piloto da Lotus acabou batendo e sofrendo múltiplas fraturas. Não se sabe, porém, se o piloto morreu em decorrência do impacto da ave ou em razão da batida após isso.

A corrida seguiu em frente mesmo assim e teve a vitória de Jack Brabham, também da Cooper. Outro fato curioso é que Lucién Bianchi, tio de Jules Bianchi, terminou aquela prova em sexto lugar, somando seu primeiro ponto na F1. Fato é que, depois da tragédia em Spa, a F1, pela primeira vez, acenou com mudanças para melhorar a segurança. Tudo por conta do terrível fim de semana do GP da Bélgica de 1960.

O REI DE NIVELLES

Depois da vitória do mexicano Pedro Rodríguez em 1970, Spa-Francorchamps ficou 13 anos sem receber a F1. Nesse tempo, a categoria baseou-se na Bélgica predominantemente em Zolder, mas o complexo de Nivelles, distante 30 km de Bruxelas, recebeu a corrida em duas oportunidades, 1972 e 1974. Nas duas, a vitória foi verde e amarela graças a Emerson Fittipaldi, que vivia seus melhores anos na F1.

Nas duas vezes que o GP da Bélgica aconteceu em Nivelles, o vencedor foi Fittipaldi (Foto: Forix)

Bem diferente da Spa daqueles tempos, Nivelles era um circuito muito acanhado em termos de extensão, com 3.724 metros. Em 1972, pela Lotus, Emerson largou da pole e construiu uma jornada bem-sucedida ao cruzar a linha de chegada na frente. Dois anos depois, já a bordo da McLaren, o brasileiro largou em quarto, ganhou duas posições e passou a perseguir Clay Regazzoni para assumir a liderança na volta 39 e seguir para mais uma vitória, fazendo-o superar Niki Lauda na classificação do Mundial. Foi um triunfo decisivo na luta do ‘Rato’ pelo bicampeonato.

O TRÁGICO FIM DE GILLES VILLENEUVE

Naquele fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980, Gilles Villeneuve era o grande showman da F1. Dono de talento apurado, arrojo sonante e carismático, o canadense era simplesmente venerado pelos tifosi, os torcedores fanáticos da Ferrari, e amado pelo fã do automobilismo em geral até hoje, mesmo sem ter sido campeão do mundo. Não houve tempo.

O trágico acidente ocorrido no treino classificatório do GP da Bélgica de 1982, em 8 de maio, foi o terrível desfecho de uma disputa interna na Ferrari entre Gilles e Didier Pironi. Duas semanas antes, no GP de San Marino, o francês não cumpriu um tratado de não-agressão entre os pilotos, estabelecido pela Ferrari, e acabou ultrapassando o canadense para conquistar a vitória em Ímola. Desde então, eles não se falaram mais.

Em Zolder, era Pironi quem tinha a pole-position provisória. Villeneuve, para reafirmar sua autoestima, buscava incessantemente a pole. Mas, ao tentar ultrapassar a March de Jochen Mass em uma tentativa de volta rápida, Gilles sofreu um grave acidente e acabou capotando. Com o impacto, o piloto foi lançado para fora do carro. O canadense foi levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu de forma precoce.

A F1 chorava a morte de um dos seus grandes ídolos em todos os tempos.

TRILHANDO O CAMINHO DA GLÓRIA

Aquele ano de 1985 definitivamente foi especial para Ayrton Senna. Depois de ter estreado pela Toleman um ano antes, o brasileiro guiava pela primeira vez por uma equipe competitiva, a Lotus. Mas depois da consagradora e encharcada vitória na segunda corrida do campeonato, no Estoril, Ayrton teve de conviver com uma seca de resultados. Foram sete corridas longe dos pontos para depois reagir e emendar três pódios seguidos: segundo lugar na Áustria, terceiro na Holanda e na Itália. Até que veio o GP da Bélgica.

Senna, que havia conseguido o segundo lugar no grid, tirou proveito das condições críticas do circuito no domingo, 15 de setembro, para tracionar melhor no asfalto molhado de Spa e assumir a ponta, deixando o pole Alain Prost e todos os outros para trás. Aí, Ayrton só perdeu a liderança quando teve de parar nos boxes para colocar pneus de pista seca, mas não levou mais que uma volta para retomar a ponta.

Ayrton Senna conquistou sua primeira das cinco vitórias em Spa em 1985 (Foto: Forix)

Foi a primeira de cinco vitórias de Senna em Spa. Depois de 1985, o piloto voltou a triunfar em 1988, vencendo também nos anos seguintes, até 1991. Foi neste ano que uma nova era começava na F1.

O INÍCIO DA ERA SCHUMACHER NA F1

A história que culminou com a estreia de Michael Schumacher na F1 é conhecida, beira o surreal, mas é sempre bom ser relembrada. Dias antes do GP da Bélgica de 1991, Bertran Gachot foi preso pela justiça britânica por conta de uma briga com um taxista em Londres. A caminho do Hyde Park, o luxemburguês, que corria pela Jordan — esta, no seu ano de estreia na F1 —, se envolveu em um acidente de trânsito e, depois de trocar socos com o motorista, fez uso de uma latinha de spray de pimenta para acertá-lo. O piloto, então, ficou sem condições de correr em Spa.

O tempo para providenciar um substituto era muito curto. Eddie Jordan não sabia a quem recorrer. O irlandês chegou até a cogitar trazer de volta ao grid da F1 o aposentado Keke Rosberg. Mas graças a um bom dinheiro empenhado pela Mercedes, Michael Schumacher, que defendia a marca no Mundial de Marcas, foi o eleito para guiar o Jordan 191 #32 verde patrocinado pela marca de refrigerantes 7UP.

O então garoto Michael Schumacher estreava na F1 no GP da Bélgica de 1991 (Foto: Forix)

E logo de cara, Schumacher conseguiu se classificar num ótimo sétimo lugar, quatro posições à frente de Andrea de Cesaris, seu companheiro de equipe naquele fim de semana. Mesmo tendo abandonado a disputa ainda na primeira volta, Schumacher já tinha seu futuro traçado. A partir da corrida seguinte, o GP da Itália, em Monza, Michael assumiria o lugar de Roberto Pupo Moreno na Benetton, pelas mãos da Mercedes e também de Flavio Briatore. Começava ali, definitivamente, a mais laureada carreira de um piloto da F1.

SENNA, O ANJO DA GUARDA DE COMAS

Durante uma sessão de treinos livres do GP da Bélgica de 1992, Érik Comas destruiu sua Ligier ao bater muito forte na saída da curva Blanchimont. Seu carro azul e branco ficou atravessado na pista, num trecho bastante perigoso. Ayrton Senna passava pela curva e não teve dúvidas: parou seu carro, desceu e correu em direção à Ligier de Comas. Ao perceber o vazamento de combustível e que o francês estava desacordado, Ayrton desligou a ignição para evitar um risco de explosão.

Comas disse que a atitude de Senna salvou sua vida. O piloto, contudo, lamenta por não ter conseguido retribuir a ajuda do brasileiro. No fatídico 1º de maio de 1994, Érik, como piloto da Larrousse, parou seu carro perto da Tamburello para tentar ajudar o tricampeão, mas foi impedido de deixar o cockpit. Sem poder fazer nada, Comas foi o piloto que viu mais de perto o resgate de Senna. Em choque, o francês sequer conseguiu voltar para a corrida.

1/91

1992 marcou também a primeira vitória da carreira de Michael Schumacher na F1. Em um dos circuitos onde mais brilhou na categoria, o alemão chegou depois de um ano de experiência travando uma boa disputa com Ayrton Senna pelo terceiro lugar do Mundial. Nigel Mansell já havia conquistado de forma antecipada o título daquele ano. Com o FW14b, o ‘carro de outro planeta’, Riccardo Patrese parecia fadado ao vice-campeonato, restando a briga pelo último lugar do top-3 entre o campeão do ano anterior e a nova sensação do esporte.

Senna tinha um ano particularmente difícil com a McLaren, que vivia seu último ano de um casamento bem-sucedido com a Honda, mas que via a Williams ser muito superior em todo o campeonato. Ainda assim, Ayrton tirava leite de pedra, como nas vitórias em Mônaco e Hungaroring. Mas o Benetton Cosworth B192 era um pacote muito melhor que o McLaren Honda MP4/7A. Faltava mesmo era uma vitória ao intrépido Michael Schumacher. E ela veio finalmente em Spa, justamente no lugar onde ‘nasceu’ para a F1 um ano antes.

Aquele fim de semana na Bélgica foi bastante agitado. A Brabham havia decretado o fim das suas atividades e sequer levara o carro #8 pilotado por Damon Hill. Na sexta-feira, Érik Comas sofrera gravíssimo acidente, contando com a ajuda do 'anjo da guarda' Ayrton Senna para se salvar. E nos dias seguintes, tudo parecia indicar uma normalidade, com a Williams de Mansell largando na ponta, Senna em segundo, Schumacher em terceiro e Patrese em quarto. Mas, quase sempre, uma corrida em Spa-Francorchamps é diferente das demais.

Um ano depois da estreia, Schumacher vivia em Spa a primeira glória na F1 (Foto: Forix)

A prova começou com pista seca, mas o asfalto ficou molhado tão logo a chuva deu as caras em Spa, embaralhando a disputa. Foi justamente a estratégia definida pelos pilotos em decorrência da pista molhada que acabou determinando a vitória de Schumacher. Senna acreditou que a chuva duraria pouco tempo e arriscou ao ficar na pista com pneus slicks, mas a tática não deu certo. Schumacher antecipou sua parada e levou vantagem, sobretudo em relação à dupla da Williams. Aí foi o ‘pulo do gato’.

Na 34ª volta, Schumacher assumia a liderança, depois de Mansell e Patrese terem feito seus respectivos pit-stops. Mas a vantagem construída pelo alemão era tão consistente que nem mesmo o ‘carro do outro planeta’ foi capaz de detê-lo. Schumacher conquistava assim, na mais desafiadora pista do Mundial, a primeira vitória da sua carreira. A primeira de 91.

O DIA EM QUE O BRASIL VOLTOU A SORRIR COM A F1

Jovem e muito promissor, Rubens Barrichello acabou levando sob seus ombros a responsabilidade de representar o Brasil na F1 depois da trágica morte de Ayrton Senna em 1994. O então piloto da Jordan fazia uma temporada bem decente naquele ano, sobretudo depois de conquistar um quarto lugar em Interlagos e o pódio em Aida, no GP do Pacífico. Mas seu ano tornou-se muito difícil depois do grave acidente sofrido na sexta-feira de treinos livres em Ímola e, depois, com a morte do ídolo e grande referência, Ayrton.

Por isso, o fim de semana do GP da Bélgica lhe serviu como um alento. Naquela época, os treinos classificatórios eram realizados em dois dias: uma sessão na sexta-feira e outra no sábado. Debaixo de muita chuva, Barrichello garantiu o melhor tempo de sexta-feira ao anotar 2min21s163. O segundo colocado era Schumacher, que despontava para a conquista do seu primeiro título, 0s331 atrás.

A expectativa então estava no sábado. Mas o dia que antecedeu a prova teve ainda mais chuva que na sexta-feira, de modo que quase nenhum piloto conseguiu melhorar seu tempo. No fim, Schumacher ainda arriscou, mas não foi bem-sucedido. Festa total nos boxes da Jordan. Além de Barrichello, a equipe de Eddie Jordan também faturava sua primeira pole. Foi uma grande alegria também para o torcedor brasileiro.

Na corrida, realizada com pista seca, a realidade mostrou que o carro de Barrichello estava bem aquém dos rivais mais competitivos. Mesmo assim, o brasileiro conseguiu se manter entre os primeiros até rodar na 19ª volta, encerrando ali o sonho de mais um bom resultado na temporada.

1998: O ANO DAS TRETAS EM SPA

No quase sempre clima incerto de Spa-Francorchamps, a chuva se fez novamente presente em 1998 e acabou por contribuir para um acidente espetacular que envolveu quase todo o grid. Por sorte, ninguém ficou ferido, mas o estrago foi grande.

Após a primeira curva, Mika Häkkinen, pole, conseguiu se manter na pole, seguido por Jacques Villeneuve. Daí para trás, todos, inclusive Schumacher, David Coulthard e Barrichello, ficaram para trás numa nuvem de água e fumaça, envolvidos direta ou indiretamente na batida múltipla, que começou com a rodada da McLaren de Coulthard. Um autêntico ‘Big One’. A imagem até hoje impressiona.

Dos 22 pilotos que largaram, apenas 18 conseguiram ficar aptos para o recomeço da prova. Afinal, não havia carro reserva para todos. A corrida foi retomada debaixo de muita chuva. Depois dos incidentes que tiraram Häkkinen da disputa, Damon Hill, com a Jordan, assumia a liderança, seguido por Schumacher. Mas o alemão assumiu a ponta, dando a impressão de que seguiria para mais uma vitória em Spa.

Mas na 26ª volta, Michael teve pela frente Coulthard, que era retardatário, ocupando a 11ª colocação. Atrapalhado pelo spray que saía do carro da McLaren, Schumacher não conseguiu perceber o quanto o escocês estava mais lento e acertou seu carro em cheio. Os dois pilotos conseguiram chegar aos boxes, mas Schumacher, enfurecido, foi à McLaren tirar satisfações com Coulthard, mas a turma do deixa disso evitou uma briga entre eles.

No fim das contas, o GP da Bélgica de 1998 acabou com um resultado improvável: vitória de Damon Hill, liderando a dobradinha da Jordan com Ralf Schumacher em segundo. Jean Alesi foi o terceiro. Foi a última vez de Hill e Alesi no pódio na F1.

GRAVE ACIDENTE DE BURTI

Luciano Burti teve uma carreira relativamente curta na F1, estreando em 2000 pela Jaguar para depois correr na Prost. Foi pela equipe do ‘Professor’ que o brasileiro viveu dois grandes sustos em 2001. Na largada do GP da Alemanha, em Hockenheim, Burti acabou se chocando com a Ferrari de Schumacher, que havia ficado lenta em plena reta, e decolou. O piloto escapou sem maiores lesões.

Mas em Spa-Francorchamps, Burti viveria outro susto ainda maior. Durante a disputa da corrida, o piloto da Prost foi fechado pela Jaguar de Eddie Irvine antes de passar pela rapidíssima Blanchimont. Luciano passou reto e bateu de frente na barreira de pneus perto dos 300 km/h.

Com o impacto da pancada, Burti ficou desacordado. Removido ao hospital nas cercanias do circuito, o piloto ficou dois dias em coma induzido. Luciano depois foi recrutado pela Ferrari para ser piloto de testes, mas não disputou mais nenhuma corrida pela categoria. Hoje, o paulista é um dos pilotos do grid da Stock Car.

É HEPTA! O MAIOR DE TODOS NA F1

Nunca um segundo lugar foi tão comemorado por Michael Schumacher como o que fora alcançado no GP da Bélgica de 2004. Líder com folga do Mundial, o alemão garantiu o seu incrível sétimo título da F1 em um ano soberbo, porém marcado por corridas relativamente monótonas.

Foi uma prova agitada, que começou sob a liderança das Renault de Jarno Trulli e Fernando Alonso, mas logo Kimi Räikkönen tratou de ser o grande protagonista do dia. A corrida não foi transmitida ao vivo na TV brasileira em virtude da final do vôlei masculino nos Jogos Olímpicos de Atenas, culminando com a medalha de ouro conquistada pelos comandados de Bernardinho.

Schumacher garantiu o heptacampeonato de forma antecipada com o segundo lugar em Spa (Foto: Ferrari)

Antonio Pizzonia, que substituía Ralf Schumacher na Williams, chegou até mesmo a liderar uma volta, mas o ‘Jungle Boy’ abandonou com problemas na caixa de câmbio. Kimi só administrou desde então para vencer pela primeira vez em Spa. Schumacher cruzou a linha de chegada em segundo e Barrichello completou o pódio, enquanto Felipe Massa terminava em quarto. Na pista onde fizera sua estreia e alcançara sua primeira vitória, Schumacher conquistava um feito inédito e tornava-se o único heptacampeão da história da F1.

KIMILAND

Dentre os pilotos em atividade na F1, ninguém tem mais vitórias em Spa que Kimi Räikkönen. Ao todo, foram quatro conquistas, começando com o triunfo no dia que culminou com o heptacampeonato de Schumacher. Mas o finlandês venceu também nos anos seguintes em que a corrida foi disputada: 2005 e 2007, no ano em que faturou seu único título mundial na F1.

A conquista em 2009 foi diferente. Isso porque a Ferrari não vivia um momento muito bom depois da adoção no novo regulamento, assimilado perfeitamente por Brawn GP e Red Bull. Mas times grandes como Ferrari e McLaren dependiam do talento dos seus pilotos. Além disso, a escuderia de Maranello vinha de um duro revés sofrido em virtude do acidente de Felipe Massa na Hungria.

O time chegou até mesmo a cogitar trazer Schumacher, então aposentado, de volta para substituir o brasileiro, mas optou pelo reserva Luca Badoer. Mas o italiano, muito fora de forma em ritmo de corrida, foi uma decepção. Coube então a Räikkönen representar bem a Ferrari. Depois de terminar o GP da Europa em terceiro, o nórdico chegou motivado a Spa, mas só não contava com a 'zebra' Giancarlo Fisichella.

Kimi foi chamado pela Ferrari de 'Rei de Spa' após quarta vitória no circuito, em 2009 (Foto: Ferrari)

O italiano, a bordo da Force India, faturou a primeira — e única — pole do time anglo-indiano na F1. ‘Fisico’ liderou as primeiras voltas, mas não resistiu ao melhor desempenho de Kimi, que assumiu a liderança tão logo o safety-car deixou a pista, na quinta volta. Mas Fisichella foi valente e brigou de verdade pela vitória, andando perto da Ferrari de Räikkönen até o fim, repetindo o belo desempenho protagonizado pelo compatriota Andrea de Cesaris na mesma Spa, em 1991, com a Jordan.

A vitória ficou mesmo com Räikkönen, mas foi Fisichella quem ganhou o grande presente: o italiano assumiu a vaga no segundo carro da Ferrari, em substituição a Massa e Badoer, até o fim da temporada 2009, para depois encerrar sua carreira na F1.

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