Interlagos encanta de novo e abre chance para melhor sprint da Fórmula 1 em 2022

Kevin Magnussen é pole da sprint do GP de São Paulo de F1. Uma bandeira vermelha e a chuva do Q3 acabaram por colocar o dinamarquês da Haas em um lugar inédito em sua história. A verdade é que só Interlagos, com seu clima altamente instável, pode proporcionar um cenário perfeito para aquilo que o Mundial tanto deseja: um fim de temporada menos previsível e mais caótico

“É isso que gosto sobre a F1. É inacreditável.” A frase é de Pierre Gasly e resume muito bem a classificação do GP de São Paulo. O francês, na verdade, falava de Kevin Magnussen e da inesperada, mas absolutamente sensacional pole conquistada nesta sexta-feira (11) em condição de difícil análise por causa da chuva e da variação de temperatura. O dinamarquês foi capaz de colocar a Haas na posição de honra do grid após uma decisão certeira da equipe na parte final da decisão das colocações de largada. Uma bandeira vermelha e a intempérie também fizeram sua parte em uma Interlagos que adora esse tipo de caos. Dessa forma, a Fórmula 1 vive a expectativa de acompanhar a melhor sprint da temporada 2022, enfim.

Tudo começa com uma alta instabilidade do clima. O dia amanheceu com temperaturas amenas e céu nublado. A chuva se formou na metade da tarde e chegou com força poucos minutos antes do início do Q1. Apesar da pista molhada, que ajudou a confundir muito a escolha dos pneus, a disputa das duas primeiras fases da classificação se deu quase sem surpresas – o ponto de virada foi mesmo a parte final. Com a chuva iminente, a Haas tratou de colocar Magnussen como primeiro na fila do pit-lane – a grande sacada dos americanos.

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Também é igualmente justo dizer que Kevin fez uma volta limpa e quase perfeita, para cravar 1min11s674 – 0s2 melhor que Max Verstappen. Só que, durante esses instantes iniciais, George Russell pisou fora da pista, e isso desestabilizou a Mercedes, que foi parar na brita na Descida do Lago. O inglês ainda rodou, antes de atolar e ficar por lá. A bandeira vermelha foi inevitável. Sete minutos depois, a chuva se tornou mais pesada, e isso anulou qualquer nova tentativa. Certamente, os minutos mais longos da vida do piloto do carro #20.

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Russell erra e causa o caos no Q3 em Interlagos (Vídeo: F1 TV)

A festa foi grande nos boxes do time norte-americano, com Magnussen pulando e sendo ovacionado pelo público nas arquibancadas. Isso porque tudo se encaixou como num quebra-cabeças difícil de solucionar. Algo que só aconteceria em Interlagos. “Que trabalho fenomenal da equipe ao me colocar na frente no pit-lane, isso me deu a chance de pegar o melhor momento na pista. Estava começando a chover novamente, então foi algo crucial”, afirmou o dinamarquês. “Neste esporte, nós vivemos altos e baixos de emoções. Mas é uma grande diversão em dias como esse, com certeza. Agora, só quero aproveitar essa pole”, completou.

Apesar do efeito circunstancial da primeira posição, é importante ressaltar o acerto e a enorme aderência apresentada por essa surpreendente Haas em Interlagos, mesmo em condições tão adversas que marcaram a classificação – ao menos no carro de Kevin, porque não deixa de ser curiosa a última posição de Mick Schumacher no grid. Ainda assim, esse foi um ponto técnico fundamental e pode fazer diferença, ao menos no início da prova. E claro que a chance de uma disputa real está ligada à intempérie neste sábado. A previsão do tempo fala em chuva no segundo treino livre, enquanto para sprint a chance de precipitação é de 40%.

“Nós fomos os únicos que fizeram tudo certo: timing, escolha certa de pneus, a busca por temperatura e a super volta de Kevin. Tudo certo”, afirmou o engenheiro-chefe da Haas, Ayo Komatsu. “Nós vimos uma chance e a agarramos com as duas mãos. Nós sabíamos que a chuva apertaria. E ao sair primeiro, aproveitamos o melhor da pista”, enalteceu.

O momento em que Kevin Magnussen e a Haas comemoram a primeira pole-position em Interlagos (Vídeo: Reprodução/Twitter)

De qualquer jeito, a primeira pole de Magnussen na Fórmula 1 já é um dos melhores capítulos da temporada 2022. Certamente, o mais carisma em um campeonato que careceu de boas histórias. Mas isso também é um capricho de Interlagos.

E aí tem esse Verstappen. Mesmo em um dia de condições esquisitas e de análise complicada, o bicampeão não vacilou. Fez voltas seguras e pareceu controlar a performance o tempo inteiro. De fato, a Red Bull tem um carro muito bom nas mãos. Portanto, Max larga favorito neste sábado, chova ou faça sol.

Quem torce por pista molhada é a Mercedes, que, apesar do acidente, terá Russell em uma importante terceira colocação. Lewis Hamilton é oitavo, mas parece ter ritmo o suficiente para escalar o pelotão. A questão é que, e é isso que fundamenta a expectativa de uma sprint menos previsível, as performances de McLaren, Ferrari e Alpine estão inesperadamente equilibradas – e a chuva sempre é um tempero dos mais interessantes, ainda mais em uma pista tão propício ao caos quanto a da capital de São Paulo.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO e EM TEMPO REAL e cobre o GP de São Paulo de Fórmula 1 ‘in loco’ com Ana Paula Cerveira, André Netto, Evelyn Guimarães, Felipe Leite, Gabriel Curty, Luana Marino, Rodrigo Berton, Pedro Henrique Marum e Victor Martins. No sábado, o TL2 está marcado para as 12h30 [de Brasília, GMT-3].

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