Investigação do acidente diz que De Villota “lutou” com carro da Marussia e não recebeu orientações devidas

De acordo com o relatório da Agência de Saúde e Segurança do Reino Unido, Maria de Villota lutou contra o carro no dia em que sofreu um grave acidente no aeroporto de Duxford e não foi orientada sobre o procedimento necessário para parar bólido. Documento aponta, ainda, que o caminhão atingido pela espanhola não era o normalmente usado nas corridas e tinha uma rampa de carregamento “maior” e “incomum”

Os documentos relacionados à investigação do acidente sofrido por Maria de Villota durante um teste da Marussia em 2012 revelaram que a espanhola estava “lutando” contra o carro e com dificuldades para reduzir a velocidade no momento do acidente.
 
Em 3 de julho de 2012, a espanhola participava com a então equipe anglo-russa de uma sessão de testes aerodinâmicos em uma pista improvisada, no aeroporto Duxford, localizado a leste de Londres, na Inglaterra. Ao voltar para a área onde o time estava, o carro acelerou subitamente enquanto ela parava e se chocou contra a rampa de carregamento de um caminhão que estava estacionado à beira da pista.
María de Villota perdeu o olho direito no acidente (Foto: Divulgação)
De Villota foi internada em estado gravíssimo e fez diversas cirurgias no crânio, além de ter perdido o olho direito, o olfato e o paladar, mas conseguiu se recuperar. Um ano mais tarde, entretanto, María morreu devido às sequelas da forte batida, aos 33 anos. Ela foi encontrada já sem vida em um quarto de hotel em Sevilha, na Espanha.
 
 A Agência de Saúde e Segurança, que é encarregada pela investigação de acidentes de trabalho, concluiu no mês passado que nenhuma ação deveria ser tomada contra as partes envolvidas.
 
Agora, a imprensa britânica revelou parte do relatório da Agência por meio do Ato de Liberdade de Informação. De acordo com o documento, Maria afirmou que não conseguia operar a embreagem quando o volante estava completamente travado, mas foi informada que “isso não importa, já que não há necessidade de travar por completo em um teste em linha reta”.
 
Além disso, De Villota também recebeu informações do engenheiro antes de assumir o comando do carro, mas não foi orientada sobre como parar o carro ou “sobre qual marcha deveria ser selecionada na chegada ao pit-lane”.
 
O mesmo relatório indica que foi usado um caminhão padrão, ao invés do caminhão normalmente usado em corridas, e o veículo tinha uma “incomum” e “maior” rampa de carregamento.
 
Segundo o relatório do órgão britânico, Maria iniciou o dia rodando com um engenheiro em um carro particular, onde o programa foi explicado, mas, em nenhum momento, foi discutido o procedimento para parar o carro da Marussia.
 
O documento indica que Maria completou dois trechos seguidos e, ao voltar para a área da garagem, com o carro em uma velocidade de 45 km/h, freou e o bólido seguiu reduzindo a velocidade.
 
Conforme o motor baixou para 4100 RPM, com a marcha ainda engatada, o sistema anti-stall tentou impedir que a velocidade caísse ainda mais, uma tentativa de evitar o bloqueio o motor.
 
“Este é o início do primeiro dos três períodos de oscilação nos dados que mostra que o carro está ‘lutando’ com o piloto”, aponta o relatório, que afirma que Maria “não tinha recebido nenhuma informação sobre como o funcionamento do sistema anti-stall afetaria a performance de parar o carro”.
 
Durante a investigação, De Villota afirmou que pressionou o botão para desbloquear o câmbio, mas ele não funcionou. 
 
Assim, a roda dianteira direita travou, com Maria tentando levar o carro para a direita. Conforme ela freou mais forte, a roda esquerda também travou. A espanhola, então, tentou passar de segunda para primeira marcha, mas o comando foi rejeitado já que o torque era maior do que 100 Nm.
 
Maria, então, soltou os freios, liberando o volante, mas, ao reacionar os freios, viu a roda dianteira esquerda travar mais uma vez.
 
O relatório afirma que “o carro foi empurrado na aproximação à área de escape para a rampa de carregamento do caminhão”.
 
Ainda de acordo com o relatório, De Villota pensou que não iria atingir o caminhão, mas “a rampa tinha sido deixada em uma posição que não só criava risco de lesão, mas também projetada para fora, no nível do olho”.
 
A investigação da agência afirma também que o time estava “confiando na habilidade e na experiência da pilota”.

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