Julgamento revela pagamento de Ecclestone a ex-chefes de equipe por assinatura do Pacto da Concórdia
No segundo dia do julgamento, que investiga o envolvimento de Bernie Ecclestone com um suposto caso de corrupção durante a venda das ações da F1, veio a público o pagamento feito pelo dirigente a três proprietários de equipes como forma de garantia da assinatura do Pacto da Concórdia em 1998
Eddie Jordan, Alain Prost e Tom Walkinshaw, três ex-proprietários de equipes da F1, foram pagos por Bernie Ecclestone para que assinassem o Pacto da Concórdia de 1998. A informação surgiu nesta quinta-feira (7) em uma reviravolta inesperada na Corte de Londres, que julga o envolvimento de Ecclestone em um esquema de corrupção durante a venda das ações da F1 para o grupo CVC.
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O presidente da FOM também está se defendendo de um pedido de £ 100 milhões (ou aproximadamente R$ 368 mi) de indenização da Constantin Medien, um grupo de mídia alemão, que alega que o britânico pagou £ 27 milhões (quase R$ 100 milhões) em suborno ao banqueiro Gerhard Gribkowsky, para facilitar a venda do esporte ao atual proprietário, o grupo CVC Capital Partners, em 2005. A Constantin afirmou que foi seriamente prejudicada por conta do suposto suborno e alegou que a negociação se deu "sem o processo normal e adequado".
No segundo dia do julgamento, Philip Marshall, representante do Constantin Medien, tentou provar que o chefão da F1 não é um homem avesso ao pagamento de suborno, expondo como exemplo o dinheiro entregue a três proprietários de equipes em 2001.
Marshall afirmou que Jordan, hoje comentarista da rede BBC, Prost e Walkinshaw, à época dono da Arrows e que morreu no fim de 2010, receberam uma grande quantia por meio da Valper Holdings, uma subsidiária da Bambino Holdings, empresa da família de Ecclestone. O irlandês embolsou £ 10 milhões (R$ 37 mi), enquanto o tetracampeão e o escocês ficaram com £ 7 milhões (R$ 27 mi) cada um.
"Eles foram pagos para garantir a assinatura de suas equipes. Não é verdade?", questionou Marshall, de acordo com o jornal inglês 'The Telegraph'. Ecclestone respondeu que "sim".
Perguntado pela acusação sobre a razão pela qual os pagamentos não foram feitos diretamente aos times, além da sugestão de que a manobra foi "bastante estranha", o dirigente britânico disse que "não tinha a menor ideia" do que os três donos de escuderias haviam feito com o dinheiro.
"Eles foram pagos para assinar o Pacto da Concórdia, e é isso que fizeram. O que você está sugerindo é que o que essas pessoas fizeram não foi correto, Alain Prost e os outros", completou Bernie.
Ainda questionando o suposto suborno, Marshall acrescentou que a postura de Ecclestone condiz com o que Luc Argand, advogado suíço e administrador da Bambino Holdings, afirmou sobre os pagamentos. De acordo com Argand, se a pessoa que recebeu o dinheiro não é um funcionário público, então não há crime.
"Vocês consideram que o pagamento de suborno para pessoas que não são funcionários públicos como aceitável?", questionou o advogado da acusação.
"Ao que você está se referindo, não foi um suborno", rebateu Ecclestone.
Também como conta a reportagem da publicação inglesa, Marshall reforçou a pergunta mais uma vez. E Bernie disse: "Eu vou ter de pensar mais sobre isso. Gostaria de ter pensado nisso antes, na verdade."
O julgamento prossegue nesta sexta-feira.
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