Norris dá bote nos rivais e ganha chance de ouro no México. Mas terá de ser perfeito
A pole-position de Lando Norris no GP da Cidade do México significa mais do que só a vantagem de sair em uma posição de honra. A conquista tem potencial de virar um marco para o campeonato e até mesmo para torná-lo líder da F1 2025, em um momento delicado da disputa. E o cenário só melhora para o inglês, porque Max Verstappen vai largar em quinto, enquanto Oscar Piastri ficou apenas em sétimo. Mas, para que tudo dê certo, Norris terá de agarrar a oportunidade com unhas e dentes neste domingo, e isso significa ser perfeito
Nem mesmo Lando Norris soube explicar de onde veio a performance que o colocou na posição de honra do grid da Cidade do México. Mas há alguns fatores que explicam o avassalador desempenho, só que, mais importante do que entender o ótimo trabalho da McLaren, é compreender que a conquista deste sábado (25) tem potencial suficiente para mudar os rumos do campeonato, em um momento dos mais delicados, em que a equipe laranja lida com a tentativa de reviravolta de Max Verstappen. Portanto, a pole-position de Norris não só o posiciona em um lugar de favoritismo, mas também abre a chance para assumir de vez as rédeas da disputa e o protagonismo da temporada 2025 da Fórmula 1.
Isso acontece também porque, entre os três reais postulantes à taça do mundo, Lando foi quem melhor tirou proveito do singular traçado mexicano — e por uma boa margem. A volta final do Q3 foi impecável. Sem erros, o britânico passou por cima das parciais de Charles Leclerc e impôs 0s262 de dianteira, para ficar com o principal posto da classificação — foi a 14ª vez na carreira e a quinta do ano. A atuação foi tão poderosa que Norris teve dificuldades para acreditar da própria atuação. “Não sei o que aconteceu e, muitas vezes, essas são minhas melhores voltas. Quanto menos eu sei, melhor eu vou.”
‘Foi parecido com a minha volta em Mônaco“, falou. “Não é sempre que tenho essa sensação neste carro. Mesmo sendo incrivelmente rápido, nem sempre é fácil, como em Singapura, onde não tive a mesma sensação da frente do carro que tive aqui e nenhuma confiança para fazer o que fiz”, completou o piloto, que fechou o giro derradeiro em 1min15s586. “Esperava ultrapassar Charles, pensei que poderia virar em 1m15s9 ou 1m15s8, mas quando olhei para o painel e vi 1m15s5, não acreditei.”
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De fato, Norris foi capaz de trabalhar melhor em cima da forte configuração da McLaren no Hermanos Rodríguez, enquanto a concorrência, incluindo seu companheiro de equipe, não obteve o mesmo sucesso. Verstappen, por exemplo, enfrentou dificuldades, diante das mudanças conduzidas pela Red Bull e não passou da quinta colocação grid. Já Oscar Piastri obteve apenas o oitavo tempo, mas vai partir do sétimo lugar, devido a uma punição a Carlos Sainz — que perdeu cinco posições após o toque com Kimi Antonelli no GP dos EUA. Portanto, o cenário para Lando não poderia ser melhor. A única questão é que terá de driblar uma surpreendentemente rápida Ferrari, que colocou Leclerc na primeira fila e Lewis Hamilton em terceiro.
“Ansioso para a corrida. Estou aqui para vencer. Sei que terei caras rápidos atrás de mim. É um caminho longo até a curva 1 e sei que o ritmo de corrida da Ferrari é bastante forte”, continuou o inglês. “Espero uma batalha. Não será fácil. Os olhos estão à frente e vamos ver por quanto eu posso ganhar.”
A realidade é que Norris tem a chance de ganhar muito. Primeiro, porque parece nítido que a configuração do carro lhe agrada. A McLaren fez um trabalho dos mais interessantes, usando bem o cuidado que o MCL39 naturalmente já tem com os pneus — talvez o elemento mais importante do fim de semana. É que o circuito da Cidade do México exige um pouco mais atenção com a temperatura, especialmente dos pneus traseiros, mas cobra um preço da parte dianteira. A pista também tem apresentado um nível de aderência muito baixo, pedindo maior sensibilidade ao piloto. Os termômetros apontam para marcas altas, e isso tem sido um desafio às equipes, além da altitude única no calendário.
Mas os engenheiros da esquadra papaia buscaram não só o equilíbrio em curvas e retas, mas também a possibilidade de manter a janela de operação intacta, sem sofrer tanto com o calor. O pulo do gato foi ter acertado bem a parte traseira, sem perder a consistência na frente. Por isso, o britânico foi capaz de crescer tanto nos instantes finais.

E agora, com um carro consistentemente rápido também em ritmo de corrida por causa deste acerto delicado, Lando tem nas mãos a oportunidade de capitalizar em cima das mazelas dos rivais, sobretudo do companheiro e líder do Mundial, Piastri. O objetivo tem de ser voltar a vencer, algo que não acontece desde o GP da Hungria, o último da primeira fase da temporada.
14 pontos separaram a dupla papaia na ponta do campeonato, mas o australiano vive mais um fim de semana difícil, em que não consegue se encontrar na pista e, como o colega, também não tem explicação. “Sinto que fiz um trabalho razoável e o carro também estava razoável. Então, sim, a falta de tempo de volta é um mistério”, reconheceu Oscar. “Há muitas coisas com as quais eu poderia me preocupar, mas, no fim das contas, estar tão longe quando você sente que fez um trabalho razoável é uma situação difícil. E essa é minha maior preocupação no momento.”
Chefe da McLaren, Andrea Stella reconheceu a distância de performance da dupla e revelou o que parece ser o centro dos problemas técnicos do piloto #81. “Aqui e em Austin, o carro desliza muito, e isso exige familiaridade com a forma de explorar o carro, algo que Oscar ainda precisa aprimorar um pouco. Quando na corrida os pneus estão velhos e o carro desliza muito, esse é o regime de Lando. A classificação aqui é semelhante a isso. Oscar é um piloto que explora muita aderência e pilota de uma determinada maneira.”
Mas enquanto a equipe laranja traça planos para o domingo, a Red Bull se volta para si, na tentativa de compreender o que ainda se pode fazer no México. Os engenheiros revisaram o RB21 e colocaram para jogo um novo assoalho. Tudo parecia bem na sexta-feira, quando Verstappen liderou a tabela, mas logo surgiu o grande entrave: o ritmo de corrida foi tão miserável que o tetracampeão chegou a descartar qualquer briga pela vitória. Neste sábado, a equipe promoveu mudanças no carro, testou um ajuste com menos e mais carga aerodinâmica, na busca não só por equilíbrio, mas principalmente no sentido de neutralizar os problemas com a aderência, sobretudo dos pneus traseiros. Nada parece ter funcionado.

“Tem sido muito difícil”, afirmou Max. “Tentamos muita coisa. Não é falta de tentativa. Simplesmente não há aderência, você vira e o carro desliza”, emendou o piloto, que prevê uma corrida ainda mais complicada. “Vai ser difícil. Em relação aos pneus, você precisa de um bom equilíbrio e nós não temos isso. Não espero estar na batalha com os que estão na minha frente, eles são muito mais rápidos. Acho que depende mais das pessoas ao meu redor.”
Verstappen não está jogando. Na sexta-feira, o ritmo de corrida se aproximava mais de Ferrari e Mercedes do que da McLaren, mas o desempenho do carro parece ter piorado nesses dois dias. E tanto italianos como alemães se encontram em posições melhores para o combate, especialmente a dupla de Maranello, que apresentou enorme velocidade e sofreu menos com a aderência. Por isso, a percepção que, embora tenha pela frente uma chance inesperadamente de ouro, Norris precisa ser perfeito, porque também vai lidar com adversários que têm pouco a perder.
Por último, importante destacar a estratégia. O GP da Cidade do México tende a ser uma corrida de uma única parada, na combinação dos pneus médios e macios. Os compostos duros devem ser menos eficientes em um cenário de pouca aderência como esse fim de semana, mas será determinante manter temperatura o tempo todo e minimizar o desgaste. “A temperatura da pista, que pode chegar a 50°C amanhã, será, portanto, um fator chave na escolha de estratégias com o objetivo de gerenciar a degradação térmica”, afirmou Mario Isola, o chefão da Pirelli.
“Como nenhum piloto salvou dois conjuntos de pneus médios, fica claro que uma estratégia de parada única será a escolha mais popular para a corrida. O composto médio provou ser o mais versátil neste fim de semana e começar com ele abre pelo menos algumas opções.”
Portanto, é possível dizer que, tal como a Ferrari fez na semana passada, a corrida deste domingo também pode ser decidida em uma ousada decisão tática. A ver.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Cidade do México AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO no Autódromo Hermanos Rodríguez para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Daniel Balsa.
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