Hamilton quer ser “o mais puro dos pilotos” para que feitos sejam inquestionáveis

Britânico ressaltou que a nova geração de pilotos cresceu em pistas com enormes áreas de escape, o que faz com que eles não tenham receio de escapar do traçado. O heptacampeão destacou, também, que nãotem problema em tirar o pé e adiar a luta para outro dia

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Lewis Hamilton afirmou que quer ser o mais puro dos pilotos para que não tenham como contestar seus feitos na Fórmula 1. O titular da Mercedes disputa em 2021 o oitavo título da carreira, desta vez contra Max Verstappen.

Hamilton considerou que é maneira de vencer é tão importante quanto o resultado em si, já que reflete na maneira como ele será lembrado e na forma como seus feitos serão avaliados. O piloto famoso pelo #44 destacou que aprendeu com o pai a “falar na pista” e ressaltou que o bullying que sofreu na infância também reflete na postura na pista.

Lewis Hamilton considera importante a maneira como será lembrado na F1 (Foto: AFP)

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“É só a maneira como meu pai me criou”, disse Hamilton. “Ele me ensinou a sempre falar na pista. Eu sofri bullying quando criança, na escola, mas também na pista, e nós queríamos batê-los da maneira certa, não colocando para fora ou colidindo. Aí não há como negar que você é melhor. Se você tem colisões, podem dizer: ‘Ah, mas aconteceu isso, essa é uma tática que o piloto tem’. Quero ser o mais puro dos pilotos, por meio da velocidade, pelo trabalho árduo e determinação, para que não tenham como negar o que eu conquistei”, seguiu.

A temporada 2021, porém, foi marcado por incidentes polêmicos entre Hamilton e Verstappen. Os dois colidiram nos GPs da Inglaterra e da Itália e, mais recentemente, o holandês esteve no centro de uma polêmica por forçar o rival da Mercedes para fora da pista no GP de São Paulo.

Questionado sobre como encara as corridas conta alguém como Verstappen, Hamilton respondeu: “Você precisa ser muito, muito cauteloso. Mais do que nunca antes”.

“Ao invés de dar a alguém o benefício da dúvida, você tem de saber que isso é o que vai acontecer. Você tem de estar sempre pronto para evitar uma colisão a qualquer custo, mesmo que isso signifique sair da pista, pois, no fim, você quer ver a corrida terminar, não é?”, ponderou. “Se você é teimoso e mantém a posição, vai bater. Então foi só isso que eu tentei fazer. Tentei garantir que evitaria uma colisão. Acho que fui bem decente na maioria dos cenários. Nem sempre você acerta perfeitamente, mas aí existem outros pilotos com quem você pilota que são agressivos e respeitosos de maneiras diferentes”, falou.

“Mas ele não é o único piloto com quem corri que é assim. Corri contra muitos pilotos e todos eles foram muitos diferentes em termos de comportamento. E isso é interessante. Agora sou mais velho, olho um pouco mais profundamente para o jeito deles e o passado, o caminho deles”, contou. “Nossa educação é a razão pela qual agimos da maneira como agimos e nos comportamos como nos comportamos, bem ou mal. Então eu tento entender isso, para que possa ter um entendimento melhor do personalidade de quem estou correndo contra”, explicou.

Em 2021, em momentos como os GPs de Ímola e Barcelona, Hamilton tirou o pé para evitar colisões com Verstappen. O britânico, contudo, não entende que isso seja um sinal de fraqueza.

“Se você está do lado de for a, tirar o pé é a opção sensata na maioria das vezes para poder ver o fim da corrida”, considerou. “Se você está por dentro, tem cenários em que acredito verdadeiramente que eu agi certo. Estou quase roda a roda com o carro. Em Silverstone, por exemplo, veja as imagens: a minha roda dianteira estava lado a lado com a roda dianteira dele, então não era como se a minha roda estivesse próxima da roda traseira dele. E, nesse cenário, se eu tivesse tomado a abordagem [que Max tomou] por exemplo [no Brasil], tivesse apenas seguido acelerando, saído da pista e mantido a posição, qual teria sido o cenário? Teriam olhado o regulamento? Não sou grande demais ou bem-sucedido demais para tirar o pé para lutar outro dia. Sei que às vezes esse é o caminho que temos de tomar. Você tem de ser o mais esperto”, defendeu.

“Ás vezes, você perde pontos ao fazer isso, claro, mas não é só sobre mim. Tem 2 mil pessoas por trás de mim e, com uma decisão egoísta que eu poderia tomar ― ‘Vou sustentar a minha posição’ e não terminar ―, isso custaria o potencial bônus de toda a minha equipe no fim do ano, todo o trabalho duro que eles fazem, os danos no carro. Sou consciente disso também”, apontou.

Hamilton avaliou, ainda, que os pilotos mais jovens cresceram em um momento de mais segurança no esporte a motor e, por isso, não têm medo de escapar da pista.

“O que eu diria é que os pilotos de hoje, os pilotos jovens, as pistas em que os pilotos de hoje cresceram, todas têm grandes áreas de escape. Mas quando eu comecei nos carros, a maioria das pistas não tenha chegado neste ponto, o que era mais divertido, mais arriscado e você tinha de guiar mais, não passar sempre dos limites. Você tinha realmente de chegar lá lentamente, enquanto essa geração pode ultrapassar o limite, sair da pista e voltar. Tem um preço menor para pagar. Esta é a única diferença real”, avaliou. “Mas eles parecem superdotados. Sabemos que temos mais pilotos hoje de origens mais ricas do que de classes trabalhadoras do que antes, isso não é nada novo. Mas acho que temos um pedigree bem decente de pilotos chegando”, opinou.

Apesar dos confrontos dentro da pista, fora dela o clima não é abertamente hostil. Na visão de Lewis, isso não é tão incomum quanto pode parecer.

“Olha, eu corri contra pessoas que mostram uma coisa, mas de fato são uma coisa diferente. Tenho 36, faço isso a um longo tempo, então não é a primeira vez que encaro um piloto que foi bom e mal de certas maneiras. Acho que estou apenas em uma posição muito melhor para poder lidar com isso, principalmente por estar no centro das atenções e das pressões do esporte”, comentou. “Sei que ele é um cara super-rápido e vai ficar mais e mais rápido conforme amadurecer: o que, sem dúvida, ele vai fazer. É só olhar para mim quando eu tinha 24 ou 25 anos. Nossa, os erros que eu cometia naquela época. Eu tinha a velocidade, mas eu estava passando por experiências muito diferentes fora do carro e também por estar no centro das atenções, a pressão de estar na frente. Não acho que acertei muito naquele momento, então não uso isso contra ninguém”, completou.

Restando só duas etapas para o fim da temporada da Fórmula 1, Hamilton tem oito pontos de atraso para Verstappen na classificação do Mundial de Pilotos.

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