Liberty Media descarta fim de semana de dois dias na F1, mas cogita mudar pontuação e classificação

Ross Brawn revelou que o Liberty Media abandonou os planos de enxugar os dias de atividades de pista nos finais de semana de F1. Mas o diretor esportivo da categoria deixou claro que há mudanças em estudo, baseando as discussões em dois pontos principais

Ao menos em médio prazo, a F1 vai continuar com três dias nos seus finais de semana de corrida. Quem garante é Ross Brawn, diretor esportivo da categoria. Nomeado pelo Liberty Media, o dirigente britânico contou que a redução para dois dias não é uma opção no momento por conta dos interesses dos promotores de cada etapa do Mundial e também das detentoras dos direitos de transmissão. Desta forma, o objetivo do Liberty Media é um só: melhorar o espetáculo para os fãs e, para isso, dois pontos principais foram abordados como pontos em que é possível haver algum tipo de mudança: no sistema de pontuação e também no formato dos treinos classificatórios.
 
Sobre a duração de cada fim de semana de GP, Brawn considerou que uma redução de três para dois dias não é uma opção no momento. O tradicional formato em vigor compreende dois treinos livres às sextas-feiras, uma terceira sessão e o treino classificatório no sábado, além do grande evento em si, a corrida, no domingo.
 
“Há um reconhecimento de nossa parte de que precisamos ter eventos de três dias, uma vez que os circuitos e as emissoras querem que os fãs estejam envolvidos por mais tempo. Acho que qualquer ideia sobre um evento com dois dias foi colocado de lado para uma discussão no futuro. Isso nos deixa com a questão de como formar melhor esses três dias para os fãs na pista, para os fãs que assistem pela TV e para as equipes trabalharem”, salientou o diretor esportivo em entrevista veiculada pela organização do GP da Bélgica.
Ross Brawn abandonou a possibilidade de reduzir os finais de semana de F1 de três para dois dias(Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

“Estamos analisando o formato de classificação e como funciona o sistema de pontos. Estamos em profunda discussão com as equipes e com a FIA sobre como podemos melhorar isso”, comentou Brawn, trazendo novamente à baila a possibilidade de aumentar o número de pontuadores a cada etapa. A F1 já teve, historicamente, os seis primeiros pontuando, depois os oito e, atualmente, os dez primeiros de cada corrida.

 
“Recebemos o feedback dos fãs e eles sentem que, abaixo do décimo lugar, que não se corre por nada e que as equipes podem estar preservando seus carros em razão das restrições de elementos da unidade de potência, do câmbio… As equipes nos dizem o contrário e, pessoalmente, concordo com isso, mas os fãs não percebem”, avaliou.
 
“Então estamos analisando se levar a pontuação até o 15º lugar aliviaria as preocupações dos fãs de que não há nada para disputar além do décimo lugar”, acrescentou o dirigente, que fez uma ressalva ao entender que mudanças em demasia nem sempre são benéficas para o esporte.
 
“Estamos muito sensíveis sobre fazer essas mudanças. Quando você altera muito os elementos, isso quase vira uma regra, que as coisas são mexidas o tempo todo. E não acho que seja uma coisa boa”, complementou.
 
Quanto ao sistema de classificação, Brawn mostra não ter ainda uma ideia mais clara do que pretende para o futuro da F1. O formato em vigor atualmente é do gosto dos fãs e também da maioria dos pilotos, em contraste com a tentativa de mudança feita em 2016, que fracassou retumbantemente. 
 
A julgar pela sua fala, Brawn se mostra favorável a um formato como o de corridas de classificação, em que há uma tendência maior de mudanças na ordem do grid em relação ao que vigora hoje, quando as grandes surpresas acontecem sobretudo por conta de mudanças climáticas.
 
“Sendo um evento independente, você definitivamente quer ser o melhor lutador lá na frente para que vejam quem é o mais rápido. Mas quando você pensa sobre a classificação como um elemento a respeito de como a corrida se desenrola, então você quer que a classificação crie alguma desordem, de modo que você teria carros fortes fora do lugar [habitual]. Então, a classificação melhora a corrida”, finalizou.
 
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