A F1 retomou as ações nesta sexta-feira (24), depois de quatro semanas desde o GP da Hungria, mas, curiosamente, o cenário de agora na Bélgica ainda é muito similar àquele visto em Hungaroring, no que diz respeito à disputa principal entre Mercedes e Ferrari. Uma vez mais, a equipe italiana se impôs, exibiu um desempenho consistente e provou que possui, sim, o carro mais equilibrado do grid. Não à toa liderou os dois primeiros treinos livres. Pela manhã,
Sebastian Vettel foi o mais veloz, enquanto, à tarde,
o melhor tempo foi registrado por Kimi Räikkönen. Certamente, uma liderança emblemática, já que a Spa sempre foi uma pista mais ao gosto da adversária alemã nesta era de motores híbridos da F1.
A questão é que a esquadra vermelha respira confiança, mesmo após os reveses das últimas etapas. Os stints todos de hoje foram precisos e bem-pensados pelo lado de Maranello,
apesar da insistência de seus pilotos na cautela. A verdade é que a Ferrari chega a Spa com uma versão melhorada do motor – o que deve proporcionar um ganho de potência ainda maior durante a classificação. O segredo, aliás, começa a ser desvendado – a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’ explica hoje que é o centro do poder está no combustível fornecido pela Shell. A especificação é tão única e difícil de conseguir que apenas os carros vermelhos têm como usá-la. Ainda assim, é uma boa resposta aos rivais.
Um pouco do bom trabalho ferrarista, então, pode ser notado pelas voltas rápidas alcançadas por seus pilotos, mas mais especificamente na simulação de corrida. É bem verdade que Räikkönen não conseguiu os mesmos tempos de Vettel – o finlandês ficou atrás do companheiro e também dos rivais da Mercedes, muito em função de bolhas nos pneus traseiros nos compostos supermacios –, mas o tetracampeão exibiu a força habitual e até surpreendeu.
Kimi Räikkönen liderou o dia em Spa-Francorchamps (Foto: Ferrari)
Se antes os pneus médios eram vistos como um problema para a Ferrari e uma arma para a Mercedes, agora Seb foi muito bem com eles, andando na casa de 1min48s3 – cerca de 0s8 mais rápido que Lewis Hamilton com os mesmos compostos – bastante impressionante. Calçado com os supermacios, a diferença foi bem menor, entretanto. E não passou de 0s1 – o que deixa uma expectativa de uma boa luta pela pole.
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Se o tempo permanecer firme e pista seca, a Ferrari, como na Hungria, tem uma enorme vantagem nas mãos e pode começar a devolver o troco pelas duas vitórias de Hamilton antes das férias. Ainda que perca a pole e/ou primeira posição amanhã, a esquadra italiana ainda terá a oportunidade de caçar os rivais nas longas retas de Spa-Francorchamps – situação bem diferente de Hungaroring, por exemplo.
E a coisa ainda fica melhor para os homens de Maranello se considerar a posição de Valtteri Bottas. O finlandês pôs velocidade com os supermacios hoje. Foi o mais rápido na simulação de corrida com os vermelhos e seria uma arma se pudesse largar mais à frente. Só que, devido à mudança de motor, o nórdico vai ser punido e terá de sair do fundo do grid, tendo o sexto lugar como resultado mais provável, mesmo Spa sendo um circuito velocíssimo e com muitos pontos de ultrapassagem. Não fosse a sanção, Bottas até seria favorito.
Então, se tem Hamilton. O inglês terminou o dia a 0s168 da marca da Räikkönen, mas não se engane: o inglês lutou muito com o W09 para atingir tal performance. O carro ainda não parece totalmente pronto, embora, claro, seja muito forte, ainda mais em uma pista como Spa. Mas a Mercedes busca respostas para o seu desempenho e que caminho seguir.
Lewis Hamilton e o dia que não foi mais fáceis (Foto: AFP)
Em termos de simulação, Hamilton andou pouco menos de um décimo na média na comparação com Vettel e com os pneus mais rápidos do fim de semana (supermacios). A diferença mesmo está nos médios, como já falado. Bottas se mostrou mais vez que ambos e muito mais próximo de Seb. Só o carro prateado tem lá seus fantasmas, como a baixa temperatura e o desequilíbrio em pontos de freadas. Lewis protagonizou algumas fritadinhas de pneus que escanaram essa situação. Quer dizer, neste momento, a equipe alemã depende mais da habilidade de seu tetracampeão e até do tempo para enfrentar os vermelhos – sem dúvida, um cenário impensável até poucas temporadas atrás.
Interessante também perceber que as duas equipes seguiram por caminhos diferentes com seus pilotos. A Ferrari, por exemplo, sequer andou de médios com Räikkönen. Já a Mercedes optou por uma análise comparativa mandado Valtteri e Lewis com compostos diferentes em determinados momentos da sessão, algo atípico.
Ao fim e ao cabo, muito da disputa da pole vai depender do clima – já que existe uma chance de chuva para a classificação. Nesta situação, os esforços da Ferrari – muito forte com piso seco – podem ir por água abaixo, uma vez que Hamilton faz a diferença nestas condições. Mas a balança ainda pode pesar mais para o lado ferrarista no domingo, quando a previsão descarta precipitações para o horário da corrida.
Então, podemos dizer que a Mercedes tem a favor um forte retrospecto em Spa e um bom carro, apesar da luta com os freios nesta sexta, mas, principalmente, tem Hamilton como fator de desequilíbrio. Já a Ferrari aparece com um carro muito bem acertado e veloz com certos pneus. Só precisa de um Vettel com a cabeça no lugar.
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