Massa se despede do Mundial após temporada extra e deixa missão ao fã brasileiro: aprender a curtir F1

Felipe Massa deixou para lá a emoção da despedida, voltou da aposentadoria e deu ao público brasileiro mais um ano de torcida fiel na F1. Agora, com o adeus definitivo, ele criou uma missão aos fãs: manter o amor pela maior categoria do esporte a motor mesmo sem brasileiros após 48 anos

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Quando, em setembro de 2016, Felipe Massa anunciou em Monza que deixaria a F1 ao final daquele ano, o torcedor brasileiro ficou triste, pois perderia um ídolo na principal categoria do esporte a motor – mas teve tempo para se programar para uma despedida emocionante e ainda mantinha a esperança na consolidação do país na F1, com Felipe Nasr, por exemplo, que seguia na Sauber.

Porém, meses depois, aquele adeus de se fazer chorar que Interlagos viu na tarde de 13 de novembro foi trocado por uma temporada extra na F1. A saída de Valtteri Bottas para a Mercedes, com a aposentadoria de Nico Rosberg, deixou a Williams sem opções e um convite às pressas foi feito para o brasileiro, que aceitou. O público brasileiro, portanto, não teve nem tempo para precisar pensar em como seria a categoria sem um compatriota. Mesmo com a saída de Nasr, Massa manteria o país dentro do 'clubinho' especial.

Agora, um ano depois, Massa se foi de vez. Claro, continuará a competir no automobilismo. Mas longe da F1. E, assim, ele deixou uma missão ao fã brasileiro: amar a categoria mesmo sem ter alguém do país para se torcer. Em um Brasil no qual seu público mais prefere vencer do que competir, que só assiste esporte quando alguém pode triunfar, e não só fazer bom papel, é uma missão profunda, difícil. Mas que está aí até que uma nova geração chegue – o problema é que isso deve demorar.

Nesta retrospectiva do GRANDE PRÊMIO, portanto, esse assunto será abordado. Que nomes brasileiros podem surgir na F1 logo? O que o torcedor deve fazer? Antes disso, a real despedida de Massa será lembrada. Um ano extra com histórias, dificuldades e, o mais importante, sem arrependimentos para o piloto, de história tão grande. 

Massa recebe o carinho da família após seu último GP do Brasil (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

O ano começou bem para um "velho garoto" voltando da aposentadoria, com um sexto lugar animador na Austrália. Só que, como Sebastian Vettel, vencedor, ele não sabia que o ano não seria de glórias como pintava em março.

Na China, por exemplo, não passou de 14° lugar mesmo após largar em sexto, com GP desastroso e problemas na FW40, algo constante durante o ano. Se na querida Bahrein ainda conseguiu um novo sexto lugar, a temporada de despedida começou a irritá-lo na corrida seguinte, quando foi 9° na Rússia.

De lá até a corrida em Silverstone, não conseguiu levar a Williams além de nonos lugares na Áustri e em Mônaco. Mas uma das grandes histórias de seu ano ocorreu: a prova em Baku.

Meses depois, Paddy Lowe revelaria que Massa só não venceu por culpa da Williams. Em uma corrida em que Lance Stroll foi ao pódio, não parece impossível dizer isso. Sua corrida no Azerbaijão era "perfeita": fez largada espetacular, pulou para terceiro e tinha tudo para, ao menos, chegar ao pódio na famosa corrida que presenciou a "briga de rua" entre Vettel e Lewis Hamilton

Um problema na suspensão do carro o impediu de conquistar um bom resultado, no que depois Lowe chamou de "absoluta certeza" de vitória. Uma corrida antes, no Canadá, ele já havia sido impedido de chegar ao fim ao ser acertado por Carlos Sainz Jr. O ano extra parecia não ter sido a melhor opção.  "Fico super chateado, a corrida vinha sendo perfeita. Eu estava conseguindo um excelente trabalho e é uma pena".

A FW40 que deixou Felipe Massa decepcionado algumas vezes em 2017 (Foto: Williams)

O cúmulo do azar veio na Hungria: Massa passou mal no sábado, sofreu vertigem e ficou fora da corrida no domingo. Foi impossível não pensar que era uma situação evitável caso ele realmente tivesse parado em 2016. Mas, como disse Rafael Suzuki, da Stock Car, em participação no Paddock GP, o desejo de Massa em continuar, em buscar novos desafios, em não se afastar do esporte o qual praticou em altíssimo nível por tantos anos explicava essa continuidade.

Do meio da temporada para o fim, os resultados não foram animadores: não passou de oitavos lugares na Bélgica e na Itália. O foco passava a ser dois: continuaria ele na F1 em 2018? E como seria o novo adeus no Brasil?

A demora na decisão da Williams, que criou um "vestibular" entre ele, Robert Kubica e Paul di Resta (algo que irritou Massa) fez com que, após meses de discussão, sua nova aposentadoria fosse confirmada. E, a partir daí, o "drama brasileiro" começasse: qual o futuro do país na F1?

Felipe Massa se despeda do GP do Brasil(Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Massa fez sua parte: deu novamente uma despedida de luxo aos fãs. Fez corrida história com um carro que não permitia mais do que o sétimo lugar conquistado em Interlagos – o "melhor do resto do grid". "Foi emocionante, foi incrível. O carinho da torcida. Acho que no ano passado eu tive tudo isso, mas não tive o resultado. Valeu a pena fazer um ano só por causa disso", disse ao final da corrida – após ouvir tocante mensagem de seu filho pelo rádio.

Com o público indo ao delírio, Massa ultrapassou Fernando Alonso e segurou o espanhol e Sergio Pérez. Seu último momento de brilho, a última vez que mostrou na F1 por qual motivo esteve no grid por 16 anos.

Foram 269 GP's, 11 vitórias, 16 poles, 15 melhores voltas, 41 pódios e o "quase título" de 2008. Muita coisa. Tanto que o mistério segue: quem pode substituí-lo?

Felipe Massa agradece pelos 16 anos de F1 ao final da corrida em Abu Dhabi (Foto: Reprodução)

O vazio após 48 anos de verde e amarelo no grid da F1 é uma certeza para 2018. O público fiel, de "nicho", continuará a acompanhar a categoria. Mas para aqueles que sentem necessidade de torcer para um piloto que nasceu dentro da mesma linha imaginária que demarca territórios, que não se satisfaz com história como a do tetra Hamilton, do gênio Alonso, da luta de Vettel e tantas outras, o jeito é esperar.

Pietro Fittipaldi negociou com a Sauber, mas ainda é jovem e tem tempo para provar que merece um lugar no grid. Sergio Sette Câmara correrá pela Carlin na F2, ao lado do ótimo Lando Norris, e deve evoluir. Há tempo e não há necessidade de desespero para que novos nomes se consolidem. A F1 é boa com brasileiros, mas segue ótima sem. Para quem gosta de velocidade, não é essa ausência que diminuirá a maior categoria de todas.

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