Verstappen muda cenário e assombra favorita McLaren no GP do Japão com ou sem chuva
Max Verstappen fez das suas em Suzuka, neste sábado (5). Contra todas as previsões, o tetracampeão surgiu fortíssimo na fase decisiva da classificação e ofuscou a McLaren em uma atuação primorosa para conquistar a pole do GP do Japão. Nem ele mesmo esperava tamanha performance e, agora, já põe pressão nos rivais papaias. Com ou sem chuva, a terceira etapa da temporada promete
“Também dependo do que os demais fazem, mas eles cometem muito mais erros do que eu, e isso não me surpreende”. A frase de Max Verstappen resume bem o que a Fórmula 1 se acostumou a ver nos últimos tempos. Quer dizer, desde que a Red Bull perdeu o posto de equipe a ser batida, o neerlandês tem provado que o fator humano ainda possui um enorme peso na performance — seja tirando mais de um carro problemático, seja aproveitando os vacilos da concorrência. Mas o que o tetracampeão fez em Suzuka neste sábado (5) vai muito além. Antes da classificação, havia uma sensação de que o limite para os taurinos seria a segunda fila, em uma briga mais parelha com a Mercedes. E de fato, as duas primeiras fases da sessão mostraram isso. Só que, quando chegou o momento decisivo, Max soube como usar uma configuração mais ousada e conduziu sem equívocos, cravando uma das poles mais espetaculares de sua carreira. Insano, como Gianpiero Lambiase disse no rádio. Agora, Verstappen larga também favorito neste domingo, com ou sem chuva, e isso já aluga um triplex, como se diz, na cabeça da McLaren.
Tudo porque a equipe laranja vinha controlando sem sustos o fim de semana, liderando treinos e caminhando para uma provável primeira fila. Oscar Piastri foi o mais rápido no Q1, com uma margem de quase 0s2 para George Russell. Lando Norris foi o terceiro, enquanto o piloto #1 dos energéticos aparecia apenas em sexto, reclamando do desequilíbrio do carro branco e vermelho. No segundo trecho, Norris assumiu o protagonismo, ampliando a diferença para os rivais. Max terminou quase 0s4 atrás do líder do campeonato. O segredo da McLaren residia em um desempenho balanceado entre os setores 2 e 3. No entanto, quando o sinal verde liberou a pista para a fase derradeira, Verstappen elevou o sarrafo, ao usar um acerto de menor carga aerodinâmica. Isso proporcionou uma enorme velocidade nas curvas rápidas e na reta. Só que foi a pilotagem agressiva do quatro vezes campeão que mudou a história da classificação.
Max sobrou no primeiro trecho do traçado e usou bem a parte final. Freou muito mais tarde na última chicane e ganhou tempo na curva final — quase 0s1 —, enquanto os adversários ingleses adotaram postura mais cautelosa — também é verdade que a dupla da McLaren errou nas duas tentativas de volta rápida e nenhum dos dois foi capaz de igualar o ritmo de Max no setor 1. Ainda, importante dizer que um dos segredos foi ter conseguido manter os pneus na janela correta de funcionamento o tempo todo — esse foi um dos problemas de Russell com a Mercedes, por exemplo. “Estava no meu limite em todos os lugares e um pouco acima dele aqui e ali”, admitiu Verstappen, após a 41ª pole da carreira e a primeira da temporada 2025, no tempo recorde de 1min26s983, somente 0s012 à frente de Norris.
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O chefe da Red Bull, Christian Horner, detalhou um pouco mais do esforço da equipe em aprimorar o difícil RB21 ao longo deste sábado. “Nós viramos nosso carro completamente de cabeça para baixo. Tudo foi colocado à prova: a distribuição de peso, o nível de downforce, as configurações dos amortecedores, molas e estabilizadores, a pressão dos pneus”, explicou o britânico. Enquanto o tetracampeão acrescentou: “O carro foi difícil de pilotar por muito tempo, mas o melhoramos passo a passo e trabalhamos para obter uma boa configuração.”
Portanto, diante de um equipamento menos instável, Verstappen se coloca também como favorito à vitória em uma briga que deve acompanhar os dois carros da McLaren e até mesmo a Mercedes, dependendo das condições de início da prova, uma vez que Russell está em quinto, atrás de um surpreendente Charles Leclerc.
A aposta dos líderes do campeonato está no fato de terem dois carros ali na ponta e que, mesmo em condições mistas, porque há uma chance de chuva para o decorrer do domingo, já mostraram eficiência. A única preocupação técnica entre os papaias está no fato de que o carro apresentou uma degradação maior dos pneus dianteiros, o que abre uma questão para a estratégia de corrida. De toda a forma, a esquadra britânica ainda se vê em vantagem. “O fato de estarmos lá com dois carros é um ponto — lutando contra Max ou George, veremos. Acho que haverá um revezamento com quem realmente estamos brigando. Mas o importante, espero, é que continuemos lá”, afirmou o chefe Andrea Stella.
“Trabalhamos duro, como digo o tempo todo, para estar lá com dois pilotos, porque isso dá a você a melhor situação para capitalizar como uma equipe no desempenho do carro e no campeonato de construtores”, completou.
Agora, o domingo também reserva surpresas. Existe uma previsão de chuva para a manhã e também pancadas à tarde, mais ou menos no horário da largada. Neste sentido, as estratégias são diversas, porque também se impõe um teste aos times. “A chuva pode desempenhar um papel importante, mesmo que não caia durante a corrida. Na verdade, dependendo de sua força, as condições da pista podem repetir a sexta-feira, antes de os carros começarem a correr. Isso pode tornar a granulação mais provável e, portanto, a escolha pode voltar para duas paradas. Como se pode ver, há muitas variáveis em jogo, garantindo imprevisibilidade”, avaliou Mario Isola, o chefe da Pirelli.
Já com asfalto seco, a tendência é que a corrida siga em um pit-stop. “Vale a pena sublinhar que todos os três compostos podem ser usados. O macio, que até ofereceu um bom nível de desempenho além de uma volta rápida, poderia no papel ser utilizado por aqueles que procuram fazer uma parada e aqueles que optam por duas paradas.”
“Os dados do fim de semana inclinaram a balança marginalmente para uma estratégia de parada única, com a opção mais rápida sendo um conjunto de médio e um de duro. A simulação sugere que as duas paradas não estão tão distantes, com todas as combinações possíveis, seja usando dois ou todos os três compostos”, acrescentou Isola.
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Agora é entender quem terá a melhor interpretação de prova numa combinação de configuração, desgaste de pneus e sorte.
A Fórmula 1 realiza o GP do Japão, em Suzuka, entre os dias 3 e 6 de abril, terceira etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. No domingo (6), os pilotos disputam o GP do Japão às 2h (de Brasília, GMT-3). O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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