Verstappen vê caminho duro, mas acha possível pilota na F1: “Se tiver talento”

Max Verstappen assume que o caminho é difícil para mulheres conseguirem chegar à F1, mas crê que o talento é o que pode tornar isso possível

Aquele questionamento ainda existe: por que não há mulheres na F1? É verdade que é possível já ver uma maior presença feminina nos bastidores das equipes — como Hannah Schmitz, por exemplo, que é estrategista da Red Bull —, mas e na pista? O que acontece?

Falta de apoio financeiro, meios para chegar às categorias principais do automobilismo e falta de programas técnicos para desenvolver essas pilotas são alguns pontos. É verdade que a F1 tinha a W Series (que durou três temporadas e foi encerrada com muitos problemas relacionados a dinheiro) e, agora, criou a F1 Academy para tentar quebrar esses paradigmas e estar presente nas etapas da categoria principal. No entanto, esbarra no simples fato de que só houve transmissão ao vivo na rodada final do campeonato, nos Estados Unidos, também única etapa em que as pilotas correram junto com a F1.

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Neste ano, Jessica Hawkins — que faz parte do programa de desenvolvimento da Aston Martin — foi a primeira mulher a testar um carro da F1 desde Tatiana Calderón, em 2018. Mas vale lembrar que a última mulher a estar, de fato, em alguma sessão dentro de uma etapa de F1 foi Susie Wolff, quando fez sua quarta e última aparição no TL1 do GP da Inglaterra de 2015 com a Williams. Hoje, Wolff é a diretora da F1 Academy.

Mas o que os pilotos do grid atual da categoria pensam? Pierre Gasly fora questionado e disse que vê chances de competir contra mulheres. Segundo o francês, basta que uma mulher demonstre velocidade e talento suficientes para fazer parte do grupo de 20 pilotos da Fórmula 1, classificados por ele como “os melhores do mundo”.

Jessica Hawkins em ação ao volante do AMR21 em Hungaroring (Foto: Aston Martin)

O tricampeão Max Verstappen também foi perguntando sobre o tema e não teve uma visão tão otimista, uma vez que ainda há muito mais homens que mulheres em todas as frentes da F1.

“Acho que se você observar a porcentagem de homens e mulheres nas corridas, acho que já para os homens a porcentagem é muito baixa para entrar na Fórmula 1. Então, naturalmente, para as mulheres, é ainda mais difícil porque há menos mulheres”, disse ele.

“Acho que guiar fisicamente na F1 em alguns lugares é bastante difícil, mas acho que tudo é treinável se você trabalhar duro para isso, mas é um pouco mais difícil para uma mulher. Mas se você tiver talento suficiente, é claro que é possível”, seguiu.

O dono do carro #1 não acredita que as equipes tenham preferência em pilotos homens e foi na mesma linha de Gasly: se tiver destaque, terá espaço ou, pelo menos, interesse.

“Não acho que chefes de equipe sejam pessoas que tomam decisões para escolher seus pilotos e olham para isso: ‘Ah, não, só escolhemos homens’. Se há uma mulher que está vencendo todo mundo, então ela terá a oportunidade de chegar à Fórmula 1. É que há menos mulheres no esporte e, claro, a porcentagem para chegar ao topo é menor”, finalizou.

Na história da maior categoria do automobilismo, só cinco mulheres assumiram o cockpit: Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi, Divina Gallica, Desiré Wilson — única mulher a vencer com um carro de F1 — e Giovanna Amati. Além de Susie, Hawkins e Calderón, Sarah Fisher, Katherine Legge, María de Villota e Simona de Silvestro chegaram a fazer testes, mas a F1 não tem nenhuma mulher como piloto oficial desde 1992.

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