Mercedes aponta “efeito ioiô” em resultados e explica problema com temperatura dos pneus

Diretor-técnico da Mercedes, James Allison explicou como a equipe tem sofrido para entender o comportamente dos pneus corrida após corrida na temporada 2025 da Fórmula 1

A Mercedes até conseguiu evoluir na temporada 2025 da Fórmula 1 em comparação com os anos anteriores, mas ainda sofre com uma certa inconsistência na hora de buscar bons resultados. Diretor-técnico da equipe, James Allison apontou o problema em controlar a temperatura dos pneus como principal culpado, mas deixou claro que as rivais também sofrem com isso, embora em menor proporção.

Com 210 pontos no Mundial de Construtores e uma vitória até aqui na competição, com George Russell no GP do Canadá, as Flechas de Prata se colocaram em uma disputa acirrada pelo vice-campeonato contra a Ferrari — já que a líder McLaren despontou na liderança, com 460 tentos. Mas ainda que tenha subido no degrau mais alto do pódio em Montreal, as etapas seguintes, em Spielberg e Silverstone, foram para lá de decepcionantes para o time comandado por Toto Wolff.

“Estamos em um efeito ioiô entre uma vitória por mérito próprio e finais de semana ruins, como os que tivemos na Áustria e na Inglaterra“, começou Alisson em entrevista ao site da revista alemã Auto Motor und Sport. “Não é preciso ser um grande especialista para perceber que este é um campeonato em que o que importa é quem consegue controlar melhor a temperatura dos pneus. E certamente não somos nós. Mas isso nos dá um sinal claro de para onde devemos direcionar nossos esforços”, continuou.

Embora a McLaren tenha sido a escuderia que melhor entendeu como cuidar da borracha e, por isso, tem se mostrado inalcançável em muitas ocasiões, o dirigente da Mercedes enfatizou que é impossível qualquer participante do grid ter entendido completamente como lidar com a situação. “Se alguém no paddock disser que entende todas essas interações em torno dos pneus, está mentindo”, declarou.

Mercedes tem sofrido para lidar com a temperatura dos pneus (Foto: Mercedes)

“Em diferentes anos, diferentes equipes fizeram esse trabalho melhor e foram recompensadas por isso”, seguiu. Na década passada, entre 2014 e 2021, foram os prateados que levaram a melhor nesse quesito, porém a Red Bull reverteu o cenário em 2022 e 2023, quando o atual regulamento entrou em vigor na F1. Desde o ano passado, no entanto, é o time de Lando Norris e Oscar Piastri que tem se sobressaído.

“Há muitas coisas sobre as quais não há um conhecimento seguro. Por exemplo, como o calor se distribui no pneu — na superfície, na banda de rodagem, na carcaça. Tudo isso pode ser medido. Mas é difícil entender como tudo muda quando o carro está em movimento ou derrapando. Porque com a temperatura também mudam as propriedades químicas da borracha”, explicou Allison.

“As regras nos impedem de entender melhor os pneus. Mal podemos testá-los. A única forma de entender melhor o comportamento dos pneus empiricamente são os fins de semana de corrida. Mas aí há muitas outras coisas a fazer”, sublinhou o britânico, que ainda enfatizou que o retorno do efeito-solo ajudou a agravar ainda mais a situação para as equipes.

“Há dois fatores que tornam isso mais difícil hoje em dia do que antes. Um é o pré-aquecimento limitado dos pneus. Nesse contexto, parece estranho querer eliminar completamente as mantas térmicas apenas para economizar alguns quilowatts de eletricidade. Isso nunca vai acontecer”, alertou.

Mercedes também tem sofrido com a nova geração de carros do efeito-solo (Foto: AFP)

“Em combinação com os carros com efeito-solo, que exigem muito mais dos pneus nas curvas de alta velocidade, a carga térmica é maior do que no passado”, apontou. “Existe uma faixa na qual o pneu oferece o melhor desempenho. Se a pista estiver adequada, as condições certas e o trabalho que dedicamos ao acerto do carro estiver funcionando, somos bastante rápidos”, afirmou.

“Só então podemos realmente avaliar quão bom é o nosso carro — quando conseguimos colocar os pneus nessa faixa ideal. Se estamos fora dessa faixa, as coisas se complicam”, lamentou James.

Na sequência, o engenheiro ainda rebateu as declarações de que o problema do W16 está no DNA do carro, o que dificultaria a vida da equipe na busca por uma solução. “Adoro essa palavra. Todo mundo a usa, mas na verdade é incorreta. O DNA é algo que herdamos dos nossos pais e é imutável”, lembrou.

“Essa analogia não se encaixa totalmente com um carro de corrida, porque podemos mudar todos os aspectos do carro”, encerrou o diretor da Mercedes.

James Allison negou que exista um problema no DNA do carro da Mercedes (Foto: AFP)

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SessãoBRA*CBVPOR
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Corrida sprint07:0009:0011:0012:00
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

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