Mercedes até mantém hegemonia em 2017, mas Ferrari vem para o ataque e se coloca como concorrente real

A Mercedes conseguiu se manter no topo em 2017, mas não foi tão superior assim como nos anos anteriores. E viu na Ferrari uma concorrente forte e que chegou, sim, a ameaçar sua hegemonia nesta era de motores V6 turbo híbridos. E a esquadra alemã precisou reunir esforços para conter o avanço dos italianos

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Pode-se dizer que a era dos motores V6 turbo híbridos da F1 ainda tem a liderança da Mercedes. Afinal, a poderosa equipe alemã venceu todos os campeonatos dessa geração nova de unidades de potência. Também é certo afirmar que o time prateado levou de barbada as primeiras três temporadas e monopolizou troféus e a disputa de título. Só que a banda tocou de uma forma um pouco diferente em 2017 – especialmente devido às drásticas mudanças no regulamento técnico, que deixaram os carros largos e com grande aderência, além do maior downforce –, mas a esquadra chefiada por Toto Wolff soube reconhecer suas fraquezas e esbanjou excelência na hora de responder às ameaças que sofreu ao longo da temporada. Isso porque a Ferrari também juntou forças e construiu um carro veloz e eficiência, que se tornou ainda mais letal nas mãos de Sebastian Vettel. Os italianos incomodaram os alemães, avançaram e chegaram até a ter o melhor equipamento do grid em determinado ponto do campeonato. Ou seja, foi uma disputa conquistada nos detalhes, na inteligência, mas a Mercedes precisou se realinhar e contra-atacar. 

 
Foi um duelo de titãs, sem dúvida.
 
O papel de protagonista e candidata ao título da Ferrari começou a se desenhar ainda na pré-temporada. Lá em Barcelona, entre o fim de fevereiro e o início de março, a equipe italiana chegou de forma silenciosa, voltada apenas para si, mas o ritmo constantemente mais veloz e o topo da tabela colocaram uma pulga atrás da orelha de todos no paddock, especialmente da Mercedes. Os italianos fecharam as duas semanas de testes na liderança, com Kimi Räikkönen. Poderia ter sido uma repetição do ano anterior? Até poderia, mas desta vez a performance ferrarista esteve mais perto da realidade, principalmente na comparação do uso dos diversos pneus da Pirelli, na avaliação aerodinâmica e da simulação de corrida e classificação. 
Lewis Hamilton e Sebastian Vettel no pódio do GP da Austrália (Foto: XPB Images)

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A SFH07 nascera vencedora, de fato. A Ferrari conseguiu manter a linha de um carro que aproveita bem os compostos mais macios e cuida do desgaste. Um modelo que também trabalha melhor sob altas temperaturas e se adapta mais facilmente a todo tipo de pista, especialmente as mais exigentes e de baixa e média velocidade. As vitórias de Vettel em pistas como em Monte Carlo e Hungaroring apenas comprovaram o melhor equilíbrio do projeto vermelho.

 
A Mercedes, por sua vez, seguiu a trajetória vitoriosa com o seu W08 EQ Power+. O projeto prateado continuava tendo na confiabilidade e na maior potência de seu motor os pontos mais fortes. Como nos anos anteriores, a criação alemã também se mostrou imbatível nos circuitos de alta velocidade e encontrou alguma dificuldade em pistas mais travadas, como a performance nos GPs de Mônaco e Hungria deixou claro. Mas o peso do W08 foi inicialmente o grande problema para a esquadra alemã, que precisou de algumas provas para encontrar uma solução definitiva, especialmente da parte traseira do carro. 
 
Foi diante desse cenário que as duas principais equipes do ano desembarcaram em Melbourne, tradicional palco de abertura do Mundial de F1. Depois da derrota para Nico Rosberg em 2016, Lewis Hamilton chegou forte ao Albert Park e não teve problemas para cravar a pole-position, só que Vettel já deu a entender que estava no páreo ao andar perto e se garantir na segunda posição, fechando a primeira fila. E a Ferrari foi tão eficiente que pegou a Mercedes na estratégia de pit-stops. Resultado: vitória do alemão logo na etapa que abriu os trabalhos da maior das categorias. E Maranello abrindo a disputa entre os construtores à frente. Essa foi a primeira luz amarela nas garagens alemãs. E dizia que, se a Ferrari não tinha um carro tão potente, tinha na tática uma arma de peso.
 
Da Austrália o Mundial foi para a China. Em Xangai, a Mercedes inverter os papéis. Hamilton novamente saltou da posição de honra, mas, desta vez, não deu chances e venceu. Vettel foi segundo. E o empate no número de pontos dava a primeira pista do tipo de temporada viria pela frente. Seguindo esse roteiro, Seb venceu no Bahrein, enquanto Lewis foi segundo. O que destoou foi o GP da Rússia. Nenhum dos protagonistas foi ao degrau mais alto do pódio. Quem brilhou mesmo foi Valtteri Bottas, que largou como um foguete, superando os dois carros vermelhos para conquistar sua primeira vitória na F1. Só que, enquanto Vettel celebrava um importante segundo lugar, Lewis lutava para encontrar o melhor de seu carro. O inglês foi só quarto. 
 
Hamilton voltou a se impor na Espanha, mas Sebastian deu o troco em Mônaco, onde o britânico viveu um de seus piores fins de semana, cruzando a linha de chegada apenas sem sétimo. Em nenhum momento, a Mercedes se encontrou no Principado e expôs a maior fraqueza do carro prata, que se mostrava muito difícil de acertar em circuitos menos convencionais. Foi a primeira grande derrota sofrida para a Ferrari, que fez um 1-2, depois jogar Vettel para primeiro na estratégia de pit-stop. Neste momento da temporada, o #5 somava 25 pontos a mais que o #44. Entre os Construtores, a equipe italiana havia já superado a rival alemã e vinha 17 tentos à frente. Era a prova definitiva que a F1 vive, de fato, um embate mais equilibrado entre duas forças do grid.
Sebastian Vettel venceu o GP de Mônaco de F1 (Foto: AFP)

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Depois de Monte Carlo, a F1 viajou para o Canadá e lá não teve para ninguém. Em uma pista que casa com Hamilton e a Mercedes, o inglês dominou o fim de semana. Foi pole, cravou a volta mais rápida da corrida e venceu, puxando uma dobradinha dos prateados. Vettel, enquanto isso, teve de minimizar os prejuízos de uma etapa de dificuldades com a Ferrari. Ainda assim, o alemão se manteve na ponta. Mas a esquadra prata agora recuperava a liderança entre os construtores. 

 
Depois de Montreal, o Mundial foi para o Azerbaijão. E foi lá que a disputa entre as duas equipes ganhou contornos de guerra e drama. Hamilton até vinha comandando a corrida depois de sair da pole, mas uma batida (duas, na verdade) de Sebastian durante polêmica relargada afastou ambos da briga pela vitória. Lewis ainda mais. Durante uma bandeira vermelha, por excesso de detritos na pista devido a acidentada corrida em Baku, a Mercedes cometeu um raro erro de operação e instalou de forma errada o encosto de cabeça do piloto. Resultado: Hamilton acabou aquela prova em quinto, uma posição atrás de Vettel. Na tabela de pontos: a diferença subia para 14 pontos. Entre as equipes, era a Mercedes que ia abrindo vantagem. 
 
Aí veio a Áustria, e Valtteri Bottas venceu em uma corrida em que Lewis foi apenas coadjuvante. Vettel idem. Só que o alemão foi ao pódio e seguiu somando pontos. O #44 voltou à performance dominante em casa. Na Inglaterra, enquanto Hamilton caía nos braços de povo, com pole e vitória, Sebastian era apenas sétimo em uma corrida que quase abandonou. Só que aí a vantagem caía para apenas um ponto. Mas essa diferença durou pouco mais de duas semanas. Isso porque a F1 chegou à Hungria e lá foi de novo a vez de Hamilton e a Mercedes sofrerem.  A dificuldade foi tão grande que alemães tiveram de lançar mão até de ordem de equipe na tentativa de minimizar o prejuízo. Especialmente diante de uma nova vitória de Vettel, que acabou por abrir 14 pontos de dianteira. 
 
Dessa forma, o fim da primeira fase da temporada acabou com Seb melhor. Mas a maré mudou na volta da F1 em Spa-Francorchamps. A Mercedes se mexeu, trouxe peças novas e ainda contou com duas atuações de gala de Hamilton, que venceu na Bélgica e também na Itália uma semana depois. Aliás, em Monza, foi talvez o GP mais complicado em termos de performance para a Ferrari. É bem verdade que Vettel foi terceiro, mas ele cruzou a linha de chegada 36s atrás de Lewis. O inglês aí já assumia a liderança. 
Lewis Hamilton (Foto: AFP)
E foi a partir daí da fase asiática que a coisa virou de vez para Hamilton e a Mercedes. Seb abandonou depois de um acidente logo na largada em Cingapura – Lewis aproveitou e venceu, abrindo vantagem. Na Malásia, Vettel sofreu o primeiro revés por conta da confiabilidade. Nem mesmo uma corrida de recuperação em Sepang serviu para minimizar os problemas. Aí veio o GP do Japão e uma nova falha acabou por quase minar de vez as chances do ferrarista – um dano em uma vela foi a ruína do time vermelho. Isso porque Hamilton e Mercedes vinham ainda mais fortes e sem quebra. Tanto que Lewis viveu seu primeiro match point da temporada em Austin, onde venceu com Seb em segundo. A segunda chance de fechar o campeonato veio no México. E apesar de uma corrida acidente e de recuperação, o inglês se sagrou tetracampeão. O título da Mercedes fora conquistado sete dias antes, nos EUA.
 
Vettel ainda venceu no Brasil, mas nada mudou o fato de que a Mercedes levou na melhor confiabilidade de seu equipamento e na forma estelar de Lewis, que pontuou em todas as etapas. 
 

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