Mercedes prevê “dor de cabeça” com falta de peças por corridas em série na Fórmula 1

A intensa temporada que se avizinha na Fórmula 1, com as oito primeiras corridas em dez finais de semana, preocupa até mesmo a Mercedes, equipe hexacampeã mundial. Mesmo com a capacidade de construir uma peça a cada 20 minutos, a escuderia de Brackley entende que é preciso ser eficiente para garantir uma boa reposição sem elevar os custos em demasia

As equipes da Fórmula 1 já se preparam para o início da temporada 2020, que está marcado para o fim de semana entre 3 e 5 de julho com o GP da Áustria, no Red Bull Ring. Vai ser o pontapé inicial de um campeonato que, somente em relação ao cronograma anunciado pela categoria, vai compreender oito corridas em dez finais de semana, sendo duas rodadas triplas: GPs da Áustria, Estíria e Hungria nos dias 5, 12 e 19 de julho, respectivamente; e GPs da Inglaterra, do Aniversário de 70 anos da F1 e da Espanha, em 2, 9 e 16 de agosto. A intensa sequência de corridas previstas para os próximos meses traz uma preocupação a mais: a possibilidade de faltar peças de reposição para os carros.

E quem levanta a bola é a Mercedes, equipe que, em condições normais, opera com 1.600 funcionários, 24 horas por dia e tem capacidade para construir uma nova peça a cada 20 minutos. Rob Thomas, diretor de operações da equipe hexacampeã do mundo, teme uma grande dor de cabeça pela frente e, por isso, tem como meta ser eficiente para garantir uma pronta reposição, mas sem elevar os custos em tempos de pandemia e de incerteza até mesmo para quem conta com robusto orçamento, de aproximadamente US$ 425 milhões (ou R$ 2,1 bilhões), segundo informa o site britânico ‘RaceFans’.

Mercedes em teste de pré-temporada em Barcelona (Foto: Steve Etherington/Mercedes)
A Mercedes está preocupada com as peças de reposição para a sequência de corridas da F1 em 2020 (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

“Isso representa um desafio único para nós. Se você tem um problema na primeira corrida, geralmente dá para lidar com uma segunda prova porque tem peças de reposição. Mas some-se a isso uma terceira corrida. De repente, você fica sem peças de reposição”, explicou o engenheiro em entrevista veiculada pelo jornal espanhol AS.

“Isso representa uma verdadeira dor de cabeça para assegurar que o pessoal no circuito tenha peças suficientes. Podemos buscar ter muita reposição, mas é muito caro e não queremos ficar gastando, precisamos ser eficientes”, ressaltou o inglês, que exerce a função na equipe desde maio de 2010.

A solução para evitar a escassez de peças é se antecipar e analisar com antecedência quais as partes que têm maior risco de faltar de um fim de semana para outro.

“Estamos identificando quais as peças geralmente são danificadas ou mais desgastadas durante uma corrida para garantir que elas estejam em um ponto de fabricação que nos permita que elas sejam rapidamente usadas. Toda nossa fábrica se baseia na velocidade e flexibilidade. Nós estamos procurando garantir que podemos reagir, mesmo estando acostumados a fazer isso. Podemos mudar as coisas em muito pouco tempo se tivermos algum problema”, complementou.

Para explicar a capacidade de trabalho da Mercedes, o diário australiano ‘Sidney Morning Herald’ realizou, em maio de 2019, uma rara e recente visita guiada à sede de Brackley, liderada por um ‘guia secreto’, que não pôde se identificar, e desvendou alguns dos segredos que fazem da marca da estrela de três pontas uma das maiores equipes da Fórmula 1 em todos os tempos.

“O carro que larga na primeira corrida não é o mesmo carro que termina a última e, se você não melhorar constantemente, fica para trás. Na última temporada, ganhamos 2s ao longo do ano. Se não tivéssemos feito isso, estaríamos 2s atrasados, e isso significaria terminar em último lugar”, explicou o guia.

Para que tamanha margem de melhora seja obtida ao longo de uma temporada, os 1.600 funcionários em Brackley atuam em até quatro turnos de trabalho, permitindo que a fábrica fique operante de forma ininterrupta.

“Novas e caríssimas peças de fibra de carbono são constantemente criadas, desenvolvidas e testadas, e a maioria delas jamais chega a um carro de corrida. Em 2018, uma peça do carro foi atualizada, ou redesenhada, em média, a cada 20 minutos, 24 horas por dia”, descreveu a reportagem.

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