Mercedes tem vantagem, mas Verstappen e mística do Bahrein são alentos para GP bom

Valtteri Bottas começou sem brilho; Max Verstappen não tem carro tão bom assim. Se o que vimos nesta sexta-feira ditar o resto do fim de semana, Lewis Hamilton não terá oponentes. Restará torcer para que o imponderável crie uma corrida boa no Bahrein

O Bahrein vive fase iluminada na Fórmula 1, e isso não tem nada a ver com a corrida noturna e os holofotes na beira da pista. A era híbrida trouxe uma série de grandes GPs, com os anos mais recentes reservando brigas intensas entre equipes de ponta e a Mercedes incapaz de exercer domínio. Em 2020, entretanto, essa série está ameaçada: é que a equipe alemã dominou os treinos livres desta sexta-feira (27) e talvez não tenha rivais de verdade para o sábado e o domingo.

Essa análise pode soar precipitada – e talvez seja –, mas os sinais estão aí. Lewis Hamilton liderou o TL1 no Bahrein com 0s9 de vantagem sobre o primeiro carro não-Mercedes, Sergio Pérez em terceiro. O primeiro treino é realizado durante a tarde, não à noite, e é menos representativo, você pode dizer. OK, o heptacampeão liderou também o TL2 noturno com 0s3 de vantagem.

É preciso destacar que a Mercedes é favorita no Bahrein, mas um único homem volta a impedir uma afirmação ainda mais convicta. É Max Verstappen, que foi segundo no TL2. 0s3 mais lento, sim, mas usando médios contra os macios de Hamilton. É sabido que a atual campeã mundial costuma melhorar em treino classificatório, mas o holandês tem chances de anular isso quando ficar em pé de igualdade nos pneus.

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Lewis Hamilton no treino livre 2 do GP do Bahrein de Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

O que pode beneficiar a F1 e criar uma briga mais empolgante é o que já foi visto em outras corridas de 2020: o imponderável. Os GPs da Itália, da Toscana e da Turquia traziam o temor de disputas sem tanta emoção assim. Uma bandeira vermelha, um engavetamento e um asfalto sem qualquer aderência foram, respectivamente, chaves para corridas cheias de entretenimento.

No Bahrein, uma das corridas mais icônicas dos últimos tempos também teve uma dose de intervenção divina, criando briga entre Mercedes. Em 2014, aquela disputa marcante entre Hamilton e Nico Rosberg só foi possível após Pastor Maldonado fazer Esteban Gutiérrez ver o mundo de cabeça para baixo e exigir a entrada de um safety-car. Não fosse isso, aquela corrida podia muito bem ter sido apenas um passeio de Lewis rumo a uma vitória incontestável.

Falando nisso, Bottas não aparenta estar em condições de ser o Rosberg da vez. O finlandês, tão acostumado a andar bem na sexta-feira e murchar aos poucos ao longo do fim de semana, não conseguiu nem isso dessa vez. O finlandês ficou 0s4 e 0s5 atrás do companheiro, indicando dificuldade extra no fim de semana barenita. Tudo que o piloto menos precisa agora é de mais um fim de semana duro, assim como a atuação tenebrosa vista no GP da Turquia.

Quem brilha mais que Bottas é o pelotão intermediário, sempre capaz de empolgar, mesmo em corridas que tendem a resultados óbvios. Pérez foi o melhor, tendo o quarto melhor tempo do dia pela Racing Point. Só que o TL2 mostrou que não se trata necessariamente de uma atuação dominante do mexicano contra rivais diretos: Daniel Ricciardo foi apenas 0s06 mais lento, indicando uma Renault capaz de lutar, sim, pela condição de ‘melhor do resto’. Condição essa que, caso um dos três pilotos de destaque tenha problemas, pode virar pódio.

Max Verstappen foi o segundo colocado da sexta-feira (Foto: Red Bull Content Pool)

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Se Racing Point e Renault confirmarem o bom momento na classificação, a McLaren tem bons motivos para se sentir em apuros. A escuderia surgiu em sétimo e 13° com Lando Norris e Carlos Sainz Jr. Pelo menos até aqui, parece ter menos capacidade de surpreender e talvez não tenha nem tranquilidade para chegar ao Q3. A AlphaTauri mandou bem com Pierre Gasly, enquanto a Ferrari segue no bolo. A equipe alaranjada luta pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores, que seria a melhor performance desde a já distante temporada 2012.

Por fim, a Ferrari. Ah, a Ferrari. A equipe que veio embalada do melhor fim de semana do ano na Turquia e dispensou até mesmo a presença do chefe Mattia Binotto no Bahrein não deu sinais muito animadores. Em que pese o TL2 tumultuado por bandeiras vermelhas, a escuderia terminou o dia sem top-10 nas duas sessões. Charles Leclerc caiu para o patamar normal de Sebastian Vettel em 2020, com os dois andando em ritmo semelhante. É uma reviravolta inesperada, dada a recente evolução da escuderia no desenvolvimento da SF1000.

As atividades no Bahrein recém começaram e ainda há muito a ser desvendado por pilotos e equipes da F1. A divisão de forças vista nesta sexta-feira ainda pode mudar, seguindo com alguma imprevisibilidade. O que quer que aconteça, a torcida é por uma embolada e pela magia de Sakhir em ação. Caso contrário, prepare-se para um GP inesperadamente morno na pista barenita.

A Fórmula 1 volta a acelerar neste sábado no Bahrein a partir de 8h (de Brasília), com o terceiro treino livre, enquanto a definição do grid de largada em Sakhir está marcada para 11h, também pelo horário de Brasília. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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