O momento em que o sonho do título acabou: o domingo de Piastri em Interlagos
O destino, cruel como foi com Oscar Piastri, escolheu Interlagos para desferir o golpe final às chances de ser campeão mundial em 2025
No momento em que a retrospectiva da temporada 2025 de Oscar Piastri mostrar o ponto de inflexão, onde tudo mudou, provavelmente mostrará a troca de posições com Lando Norris na Itália. Por algum motivo, a sinfonia que soava com harpas e calmaria ali, naquele instante, foi transformada em turbulência e terror. O GP de São Paulo do domingo (9), porém, fica para esta história como a praça do arrebatamento das chances ejetadas atmosfera afora. A Itália pode ter sido palco da explosão, mas foi no Brasil que o título de Piastri foi sufocado mortalmente.
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Neste mesmo espaço, no perfil que publicamos sobre Piastri no sábado, havia o clamor de urgência e a compreensão de que era necessário assumir certo grau de risco para recuperar a gordura queimada como em saldão de loja de departamento. E Piastri tentou. Partiu para cima de Andrea Kimi Antonelli e Charles Leclerc na largada. Exagerou um pouco, mas é provável que passasse ileso pela direção de prova não fosse o fato de Antonelli, sem espaço, atingir Leclerc e causar o abandono da Ferrari. Antonelli foi quem bateu, mas tinha o espaço por fora como seu por estar na frente na entrada da curva. Leclerc, por dentro, estava na dele. Foi Oscar quem, sem ter preferência, mergulhou num caminho que não era lhe cabia.
A punição de 10s é certamente discutível e rende pano para manga. Mas o entendimento deste repórter é que veio por conta da consequência, como aconteceu com Lewis Hamilton na corrida do México. A ação de Piastri, embora não tenha sido gravíssima, desdobrou-se num acidente que acabou com a prova de um rival inocente.

“Estava firmemente no ápice [da curva], sobre a linha branca — não tinha como ir mais para a esquerda e não posso simplesmente desaparecer”, afirmou em entrevista que contou com a presença do GRANDE PRÊMIO. “Não sei para onde deveria ir. Quando chegamos tão lançados na curva 1 e estamos lado a lado, não dá para simplesmente recuar. Acho que tentar frear mais tarde do que fiz teria sido ambicioso, e eu não tinha o que fazer”, explicou.
Infelizmente para ele, o GP de São Paulo foi o retrato da derrocada na temporada. Jamais sequer beliscou Norris, errou quando precisou assumir riscos e ainda levou azar repetidamente em movimentos corriqueiros. Com isso e com o único rival real pelo campeonato em estado de graça, caiu 24 pontos atrás na tabela de pontos. Apenas três corridas oficiais e uma sprint restam pela frente, o que significa que não seria campeão nem mesmo vencendo todas caso Norris chegue em segundo. O título não depende mais de si.
E quem consegue imaginar Piastri vencendo sem parar até o fim?
“Muitas coisas estão dando errado”, admitiu.
Sim. A estrada que parecia conduzi-lo ao mural dos campeões deu meia volta a caminho de um desmonte em qualquer ferro-velho clandestino. É algo que vai viver por muito tempo na cabeça do jovem piloto. Para sempre, quem sabe, se o cavalo não cavalgar selado e vazio na frente dele uma vez mais.
Após a passagem pelo Brasil, a Fórmula 1 só retorna no fim do mês, para mais uma edição do GP de Las Vegas. A antepenúltima etapa da temporada 2025 acontece entre os dias 21 e 23 de novembro, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. Depois, restarão apenas as passagens por Catar e Abu Dhabi.
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