Movimento, mas sem acionar sensor: como Bottas escapou de queimar largada na Hungria

Valtteri Bottas começou a acelerar antes do apagar das luzes na largada da Hungria. Ao perceber o erro, parou na hora certa: o finlandês não chegou a deixar seu colchete e acionar sensores

Busque uma imagem de Valtteri Bottas na largada do GP da Hungria e você terá uma impressão clara: de que o finlandês queimou a largada, mesmo que apenas um pouco, e merece uma punição por isso. Não foi o que aconteceu: o piloto da Mercedes escapou do julgamento dos comissários e seguiu tranquilamente para terminar a prova em terceiro. E o motivo é até simples: o sensor de queima de largada não detectou qualquer movimento.

É que Bottas, quase instantaneamente após começar a queimar a largada, percebeu que as luzes vermelhas ainda estavam acesas. Deu tempo de frear e, uma fração de segundo depois, ir de vez. Essa hesitação custou muito tempo a Valtteri, que caiu de segundo para sexto em questão de metros, mas foi crucial. A freiada impediu o #77 de sair do colchete de largada, o que levaria à punição.

A situação remete à de Sebastian Vettel no GP do Japão de 2019. O alemão fez a mesma coisa na ocasião: acelerou cedo demais, mas pisou no freio e não chegou a sair do colchete. Não houve punição. Afinal, é preciso sair do colchete para fazer o sensor perceber uma queima de largada.

Valtteri Bottas largada Hungria
Valtteri Bottas chegou muito perto, mas não queimou a largada na Hungria (Foto: Reprodução/TV)

“Uma queima de largada é determinada claramente no regulamento esportivo, com o mesmo processo já há muitos anos”, disse Michael Masi, diretor de provas da F1, à imprensa. “O mecanismo de julgamento é um transponder colocado em cada carro. Há um sensor na pista também. Temos uma tolerância com isso também, como vimos no Japão ano passado. Não há muito o que analisar nisso. Falamos com o pessoal da cronometragem, que revisou os dados, e foi isso”, seguiu.

Nos dois casos, de Vettel e de Bottas, o fator principal é erro humano. Pilotos de F1 passam muito tempo treinando tempos de reação, que precisam ser tão baixos quanto possível. Mesmo assim, largadas envolvem um senso de adivinhação: antes mesmo das luzes apagarem, já é possível imaginar quando isso vai acontecer. Confiar nessa espécie de sexto sentido pode levar a partidas incríveis, assim como podem colocar tudo a perder.

Bottas, mesmo sem punição, viu a corrida desmoronar pelo erro na largada. O piloto perdeu a chance de atacar Lewis Hamilton na primeira curva. Depois, caindo para trás, viu o britânico partir para vitória simples enquanto não conseguiu ir sequer além de um terceiro lugar. Parece consequência grave o suficiente para Valtteri.

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