Na Garagem: 3º em Interlagos, Alonso se torna mais jovem campeão em 2005

A conquista de Fernando Alonso derrubou um recorde de 33 anos. Aos 24 anos e 57 dias, o espanhol se tornava o mais jovem campeão da história da F1, tomando o feito das mãos de Emerson Fittipaldi

O ano de 2005 foi o melhor dos 15 da carreira de Fernando Alonso na F1. Naquela temporada, o pupilo de Flavio Briatore tinha um carro competitivo na mão e correspondeu às altas expectativas na pista: ele obteve sete vitórias nas 12 primeiras etapas e dominou o campeonato desde o início. Após a surpreendente vitória de Giancarlo Fisichella na Austrália, Alonso emendou três vitórias seguidas – Malásia, Bahrein e San Marino.
 
Naquele ano, o regulamento teve muitas mudanças em relação às regras de 2004. Com isso, os carros equipados com pneus Michelin acabaram tendo desempenho melhor do que aqueles calçados com pneus Bridgestone. Isso ajudou a explicar a vantagem inicial das Renault e McLaren sobre as Ferrari. A F1 viu ruir o reinado de Michael Schumacher sobre o resto do grid.

Kimi Räikkönen, da McLaren, era o único desafiante. Mas o finlandês teve um tímido início de temporada. Oitavo na Austrália, nono na Malásia e terceiro no Bahrein. Quando a McLaren reagiu e o carro se mostrou competitivo, o problema foi a confiabilidade: quebras em San Marino e na Alemanha, além de um doloroso abandono na última volta quando liderava o GP da Europa: problemas no pneu causaram uma quebra no eixo dianteiro direito. Para piorar a situação do finlandês, Juan Pablo Montoya não vinha bem e só havia tirado pontos do espanhol na Inglaterra e na Itália.
O GP do Brasil de 2005 consagrou Alonso (Foto: Reprodução/Twitter)
Alonso, por sua vez, colecionava bons resultados. Mesmo quando não tinha carro para brigar pela vitória. Quando Kimi começou a vencer, depois de resolvidos os problemas de confiabilidade, o espanhol obteve quatro segundos lugares entre as etapas da Inglaterra e Itália – a exceção foi a Hungria, onde Fernando foi apenas 11º.
 
Com muita regularidade, o espanhol chegou ao Brasil precisando de apenas seis pontos em três provas para ser campeão. Para Kimi, restava vencer as três corridas, no Brasil, no Japão e na China, além de torcer por um imenso azar do rival nessas três etapas.
 
Na classificação, sem o menor grau de ansiedade pelo título iminente, Alonso foi o mais rápido e marcou o tempo de 1min11s988. Montoya foi o segundo, com a marca de 1min12s145. Em terceiro, com o tempo de 1min12s558, ficou a Renault de Fisichella. Kimi não treinou bem e ficou apenas em quinto, quase um segundo atrás do rival na briga do título: 1min12s781. Jenson Button, fazendo boa temporada com a BAR, foi o intruso entre os quatro primeiro, girando em 1min12s696.
Michael Schumacher na decisão do campeonato de 2005 (Foto: Reprodução/Twitter)
Na largada, Alonso manteve a ponta e Schumacher aproveitou para passar Fisichella. Mas nada disso adiantou, pois uma batida entre as Williams de Mark Webber e Antonio Pizzonia e a Red Bull de David Coulthard acabou com a corrida do trio e causou um safety-car. Na relargada, tudo invertido: Fisichella retomou o lugar de Schumacher e Alonso perdeu a ponta para Montoya.
 
Por 20 voltas, não aconteceu nenhuma grande mudança entre os ponteiros e o cenário só mudou com a primeira rodada de pit-stops: Alonso parou na volta 22 e Montoya, na volta 28. Kimi assumiu a ponta e só parou na volta 30, entregando a liderança ao parceiro colombiano. Alonso, de apenas 24 anos, guiava como um veterano e segurava o terceiro lugar – posição que garantiria o título.
Fernando Alonso foi o grande campeão da temporada 2005 (Foto: Reprodução/Twitter)

Se entre os ponteiros a corrida estava parada, Fisichella, Schumacher, Button, Rubens Barrichello e Ralf Schumacher se engalfinhavam pelos outros lugares na zona de pontuação. Mesmo com mais combustível, Schumacher atacou Christian Klien, da Red Bull, Fisichella e Ralf para se estabelcer na quarta posição. Fisichella terminou em quinto, Barrichello em sexto e Ralf foi oitavo. Apesar da boa posição no grid, Button terminou apenas em sétimo.

Lá na frente, a emoção só voltou na segunda rodada de pit-stops. A questão era saber se a McLaren ordenaria a troca de posições entre Montoya e Räikkönen. Ron Dennis, chefe da equipe de Woking, disse que só ordenaria a troca se Kimi ainda tivesse chances matemáticas de sustentar a disputa no GP do Japão.
Fernando Alonso vibrou muito com a conquista (Foto: Reprodução/Twitter)
Como o terceiro lugar de Alonso faria a troca ser inútil, Montoya manteve a posição e conquistou a sétima e última vitória de sua carreira na F1. As Mclaren chegaram 25s à frente do espanhol e poderiam ter aberto mais vantagem se apertassem o ritmo. Para Alonso, bastou ser o melhor do resto em Interlagos.

Ao descer do carro, o espanhol comemorou muito, agitando a bandeira espanhola e gritando “Toma, toma!”. Nas camisas dos mecânicos da Renault, mais provocação, por conta da inscrição “Schumacher, who?” (Quem é Schumacher mesmo?). Apesar de mal-educada, a provocação fez sentido, pois Alonso destronou Schumacher.
 
“Venho de um país sem tradição na F1 e, como todos sabem, lutei praticamente sozinho em toda a minha carreira. Cheguei na F1 por causa dos meus resultados nas categorias de base e conquistei o máximo que um piloto de F1 pode almejar. Agradeço isso a três ou quatro pessoas e mais ninguém”, disse Alonso após a prova.

Essa conquista derrubou um recorde de 33 anos, muito difícil de ser alcançado. Aos 24 anos e 57 dias, o espanhol se tornava o mais jovem campeão da história da F1, tomando o feito das mãos de Emerson Fittipaldi. Depois disso, o recorde seria quebrado duas vezes: com Lewis Hamilton, desafeto do espanhol (23 anos e 297 dias) e por Sebastian Vettel (23 anos e 133 dias).

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube