Na Garagem: em Valência, Barrichello conquista 100ª vitória brasileira na F1

Há seis anos, Rubens Barrichello fazia história no automobilismo nacional. No GP da Europa de 2009, disputado em 23 de agosto nas ruas de Valência, o piloto conquistou a 100ª vitória de um brasileiro na F1, marca que só é superada por Alemanha e Inglaterra

A história conta que seis brasileiros alcançaram o topo do pódio da F1: Emerson Fittipaldi, com 14, José Carlos Pace, com uma, Nelson Piquet, dono de 23 triunfos, Ayrton Senna e a mística marca de 41 conquistas, Rubens Barrichello, com 11 e Felipe Massa, também com 11. As 101 vitórias do Brasil colocam o país atrás apenas da Alemanha e da Inglaterra em número de triunfos na F1.

Se a centésima vitória alemã veio com Michael Schumacher, sete vezes campeão mundial e maior vencedor da história com 91 conquistas em GPs, a marca centenária do Brasil não veio de um dos seus três campeões. Ela aconteceu com Barrichello, dono de dois vice-campeonatos em seu currículo, alcançados nos seus tempos de Ferrari. Os números não fazem jus à carreira do melhor brasileiro na F1 após a trágica morte de Senna.

Em 2009, ele teve sua maior chance de ser campeão do mundo. Naquele ano, a Honda deixou o esporte como equipe e foi comprada por Ross Brawn, ex-diretor técnico da Ferrari na era Schumacher, e surpreendeu o mundo em sua única temporada. Equipado com motor Mercedes, o chassis projetado por Brawn, que descobriu as manhas de um regulamento complicado adotado pela F1 naquele ano de 2009, dominou a primeira metade da temporada, com seis vitórias nas sete primeiras provas do ano — todas elas com Jenson Button.

Barrichello comemora ao lado de Hamilton e Räikkönen a 100ª vitória brasileira na F1 (Foto: Bridgestone)

Times como Ferrari e McLaren, por exemplo, jamais conseguiram se adaptar ao regulamento adotado naquele ano e tiveram performances paupérrimas. O mesmo não se aplica à Red Bull, que passou a trilhar o caminho das vitórias com Sebastian Vettel e Mark Webber, que tinham às mãos um projeto vencedor capitaneado pelo 'mago' Adrian Newey.

Com dificuldades para se adaptar ao carro, mais adequado ao estilo de pilotagem de Button, Barrichello não venceu nenhuma corrida na primeira metade do certame, conseguindo apenas quatro pódios e outras quatro corridas na zona de pontuação. O inglês enfileirava vitórias e, com o abandono de Barrichello na Turquia, a sétima etapa do ano, abriu 61 x 35 na tabela.

As coisas começariam a melhorar na prova seguinte, na Inglaterra: Barrichello foi terceiro e Button terminou a corrida em casa na sexta posição. Um drive-trough na Alemanha impediu o brasileiro de cortar a diferença em mais seis pontos. Na Hungria, com Barrichello fora da zona de pontuação, Button abriu mais dois de diferença. Mas faltava uma vitória, aliada a um mau resultado do inglês, para apertar de vez a briga pelo título.

Rubens Barrichello larga para a vitória em Valência (Foto: Brawn GP)

O triunfo veio justamente na prova seguinte, no GP da Europa. A corrida foi disputada no circuito de rua de Valência, na Espanha, no dia 23 de agosto de 2009. Na segunda parte da temporada, a Brawn já não dominava as ações, lutando de forma aberta com Red Bull e McLaren pelas vitórias. Lewis Hamilton, Mark Webber e Sebastian Vettel já haviam vencido. Faltava Barrichello.

Dobradinha da McLaren na definição do grid, com Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen fazendo 1-2. O inglês marcou 1min39s498; o finlandês, 1min39s532. Por 0s033, Barrichello ficou em terceiro. Button, 0s323 atrás do pole, saiu em quinto. Entre os dois carros da Brawn, estava Vettel, fechando a segunda fila com a Red Bull #15.

Button largou mal e caiu para nono logo nas primeiras curvas: o inglês longe dos pontos era tudo o que Barrichello precisava. Lá na frente, Lewis, Kovalainen e Barrichello mantinham a ordem do grid de largada. Hamilton parou na volta 15 e seu companheiro, na volta 16. Barrichello só pararia três voltas mais tarde e, nesses três giros, andou em ritmo de classificação para tomar a posição de Kovalainen e voltar à pista grudado em Hamilton.

Hamilton parou novamente na volta 37 para fazer a sua última parada. Uma falha de comunicação aconteceu, e os mecânicos não estavam com os pneus dianteiros prontos. O pit-stop durou longos 14s e, com isso, Barrichello assumiu a ponta. Na volta 40, Rubens foi aos boxes e numa parada sem problemas, voltou à frente.

Lewis apertou o ritmo, mas não conseguiu ultrapassar Barrichello. Somente um erro de Rubens tiraria a vitória das suas mãos. Mas o piloto cumpriu um fim de prova perfeito e tranquilo. Barrichello fez história ao conquistar a 100ª vitória brasileira na F1, a décima da sua carreira.

Pit-stop de Lewis Hamilton em Valência decidiu os rumos da corrida (Foto: Bridgestone)

“Dedico essa vitória ao Brasil e também a um brasileiro em especial, Felipe Massa”, disse Barrichello após a prova. Massa havia sido atingido por uma peça do carro de Rubens na corrida anterior, na Hungria, e estava hospitalizado.

Com a vitória de Barrichello e Button chegando apenas em sétimo, a diferença havia caído para apenas 18 pontos na tabela. A vitória marcou o início de uma recuperação de Rubens: ele tiraria mais dois pontos na Bélgica e outros dois com a épica vitória no GP da Itália, que marcou a última conquista do Brasil na F1 desde então.

A diferença de 14 pontos seria a menor entre eles na tabela foi a menor desde maio, cinco meses antes.

Barrichello homenageou Felipe Massa, que sofrera grave acidente na Hungria (Foto: Brawn GP)

No entanto, Barrichello não repetiu os bons resultados nas quatro etapas finais e não conseguiu transformar em realidade a sua chance mais clara de ser campeão do mundo: tinha um carro competitivo e brigava em igualdade de condições com Button.

Mas a arrancada de Vettel — que alcançou o vice-campeonato justamente na última corrida do campeonato, no Brasil —, na fase final da temporada também ajudou Button a manter essa diferença. O alemão marcou 37 pontos, Barrichello, 32 e Button, 27 nas últimas sete etapas do ano.

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