Na Garagem: Incontestável, Lauda entra para galeria dos campeões mundiais de F1

Bastou um terceiro lugar no GP da Itália de 1975 para que Andreas-Nikolaus Lauda entrasse para o seleto rol dos campeões mundiais. O título foi confirmado na casa da Ferrari, que quebrava uma seca de 11 anos sem título. Para o austríaco, o caneco veio de modo incontestável

Quando a F1 chegou a Monza, no dia 7 de setembro de 1975, Niki Lauda estava c om a mão na taça: bastava meio ponto para o austríaco conquistar o título. Com o cancelamento do GP do Canadá, a temporada teria apenas mais dois GPs: Itália e Estados Unidos. Emerson Fittipaldi, da McLaren, e Carlos Reutemann, da Brabham, teriam apenas duas etapas para tentar uma improvável virada.

Mas a conquista não veio fácil. Nas quatro primeiras etapas, o austríaco somou apenas cinco pontos. Lauda foi sexto na Argentina, quinto no Brasil e na África do Sul e abandonou na Espanha. Quem liderava o campeonato era Fittipaldi, seguido de perto por José Carlos Pace. A temporada de 1975 foi a primeira na qual a F1 viu dois brasileiros no topo da tabela, entre a segunda e a quarta etapas. Isso só seria repetido em 1986, com Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Lauda só começou a reagir no campeonato na corrida seguinte, em Mônaco. Mas daí em diante, ele comandou o campeonato de forma absoluta: em cinco corridas, foram quatro vitórias (Mônaco, Bélgica, Suécia e França), além de um segundo lugar na Holanda. Para ajudar, Emerson e Reutemann não venceram nesse período.

Clay Regazzoni liderava a corrida em Monza, seguido por Lauda. O suíço venceu, e Lauda ficou com o título (Foto: LAT Photographic/Forix)

Nessas cinco provas, Lauda somou 42 pontos contra 13 do argentino e 12 do brasileiro da McLaren. Fittipaldi venceu na Inglaterra e Reutemann, na prova seguinte, na Alemanha. Mas a falta de regularidade de ambos impedia que eles conseguissem diminuir a diferença para Lauda.

O ferrarista foi apenas sexto no GP de casa, mas os dois rivais sequer pontuaram em Zeltweg. O GP austríaco teve pontuação cortada pela metade, pois a corrida foi encerrada com apenas 29 voltas. Assim, antes da penúltima etapa da temporada, Lauda tinha 51,5 pontos; Reutemann tinha 34; Emerson, 33.

A Ferrari, sempre bem em casa, dominou os treinos em Monza. Lauda foi o pole-position com o tempo de 1min32s240; Clay Regazzoni completou o 1-2 vermelho com a marca de 1min32s750. Na segunda fila, Emerson e Jody Scheckter ficaram longe das duas Ferrari: 1min33s080 para o brasileiro e 1min33s270 para o sul-africano da Tyrrell. Reutemann partiu apenas em sétimo lugar.

Com a tempestade que desabou em Monza na madrugada de domingo, os pilotos temiam pelas condições da pista. Mas o asfalto secou rapidamente, e a largada se deu em condições normais. No início, Regazzoni largou melhor que Lauda e pulou na frente. Scheckter largou bem e estava em terceiro, mas na segunda volta ele causou um toque na chicane e vários carros abandonaram. Tony Brise, Rolf Stommelen e Mario Andretti estavam entre os acidentados.

Ao lado de Regazzoni e Fittipaldi, Lauda comemora seu primeiro título na F1 (Foto: LAT Photographic/Forix)

Tudo isso acontecia no pelotão intermediário, sem incomodar as duas Ferrari — era um desfile dos cavalinhos empinados em Monza. Fittipaldi e Reutemann eram terceiro e quarto, mas sem ameaçar a dupla Regazzoni-Lauda. Patrick Depailler, companheiro de Scheckter na Tyrrell, e Tom Pryce, da Shadow, vinham em quinto e sexto, na caça do duo sul-americano.

Fittipaldi tirou 10s de diferença para Lauda e acabou passando o rival na luta pelo título na volta 42, a dez giros do fim. A reação, além de tardia, era insuficiente. Clay Regazzoni conquistava a terceira vitória na carreira, com Fittipaldi em segundo e Lauda fechando em terceiro.

Niki se tornava o 14º piloto a ser campeão mundial de F1. Na ocasião, ele era o segundo mais jovem da história a levar o caneco. O título inaugurou um predomínio ferrarista, com três títulos em cinco anos (1975 e 1977 com Lauda e 1979, com Scheckter). Ironicamente, depois deste reinado, a equipe de Maranello viveu uma seca inacreditável, só quebrada na F1 contemporânea, com o não menos mítico alemão Michael Schumacher.

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