Na Garagem: Schumacher vence apesar de punição na França e iguala penta de Fangio
Em Magny-Cours, alemão superou drive-through e acelerou fundo para ultrapassar o novato Kimi Räikkönen a cinco voltas do fim e garantir a quebra de um recorde que perdurou por 45 anos
A temporada 2002 da Fórmula 1 vai ficar para sempre no imaginário dos fãs da categoria pelo dia histórico que Michael Schumacher viveu em Magny-Cours, na França, no dia 21 de julho daquele ano. Foi naquele dia em que o alemão, já com duas taças pela Ferrari na bagagem, fazia o impossível e igualava pela primeira vez em 45 anos de história o recorde de cinco títulos mundiais estabelecido pela lenda Juan Manuel Fangio. Mal sabia ele que iria muito além daquele momento, criando um legado próprio com recordes que seriam batidos apenas 15 anos depois — e outros que perduram até hoje.
Naquele julho de 2002, Schumacher sabia que era questão de tempo até ser campeão. Para se ter uma ideia, aquela era apenas a 11ª etapa em uma temporada que previa 17 corridas, e Michael já havia vencido sete. As outras foram divididas entre três pilotos: o irmão Ralf Schumacher faturou o GP da Malásia, David Coulthard levou a melhor em Mônaco e Rubens Barrichello triunfou na Hungria — também teria vencido na Áustria, mas a Ferrari ordenou que Rubens deixasse o companheiro passar, o que ele fez apenas em cima da linha de chegada.
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E foi exatamente o domínio absurdo do alemão ao longo daquela temporada que aumentou a crítica pela ordem de equipe que decidiu a corrida, já que em Spielberg — sexta etapa do campeonato —, Schumacher já havia vencido quatro de cinco etapas e deixava claro que seria inglória a tarefa de tirar seu quinto título mundial.
De volta à França, Michael se preparava para buscar o título em um circuito que conhecia melhor do que ninguém: já havia vencido em 1994, 1995, 1997, 1998 e 2001 — as duas primeiras pela Benetton, as outras pela Ferrari. Apesar da experiência em Magny-Cours, Schumacher viu Juan Pablo Montoya garantir a pole com 1min11s985 e se garantiu ao lado do colombiano, na primeira fila — míseros 0s023 atrás do líder.
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Ainda antes da largada, um problema para a Ferrari: Barrichello até alinhou no grid, mas seu carro ficou o tempo inteiro sobre os cavaletes e nem sequer saiu para a volta de apresentação devido a um problema na ignição. Como a equipe não conseguiu resolver a tempo, o brasileiro não largou e ficou de fora da corrida.
Schumacher, por sua vez, não tinha nada a ver com isso. O alemão utilizou uma estratégia de retardar sua primeira parada, já que sabia que sua Ferrari gerenciava melhor os pneus Bridgestone do que a Williams de Montoya com os compostos Michelin. Dito e feito: o alemão esperou o colombiano parar, acelerou fundo com a pista livre e saiu à frente após a troca de pneus.
No entanto, a tomada da liderança também marcou um erro de Schumacher: o piloto da Ferrari ultrapassou o limite da linha branca que delimita a saída do pit-lane e foi punido com um drive-through, o que trouxe alguma emoção à corrida e o tirou da liderança — que naquele momento, passava a ser o finlandês Kimi Räikkönen, estreante da McLaren.
A questão é que a Ferrari não venceu 15 das 17 corridas daquele ano à toa. Schumacher realmente tinha o melhor conjunto disponível na pista e utilizou toda a sua habilidade para tirar o máximo do carro e colar em Räikkönen a cinco voltas do fim. O novato cometeu um erro ao passar pelo local em que Olivier Panis havia se envolvido em um acidente, escorregou e perdeu a liderança para o alemão.
A partir daí, Schumacher rumou tranquilo para aquela que seria sua última conquista de título mundial com vitória na última corrida — foi campeão com um oitavo lugar no Japão em 2003 e com a segunda posição na Bélgica em 2004. O alemão levou a bandeirada com 1s104 de vantagem sobre Räikkönen, com Coulthard, Montoya, Ralf Schumacher e Jenson Button completando os seis primeiros — naquela época, apenas o top-6 pontuava, com dez tentos para o primeiro colocado.
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Além do primeiro piloto a igualar a marca de Fangio, aquela temporada ainda produziu outros recordes na Fórmula 1. O mais impressionante deles foi em relação aos pódios de Schumacher: o campeão simplesmente subiu a todos na temporada, um feito que ninguém mais conseguiu repetir até hoje.
Michael bateu também o recorde de mais corridas vencidas em um mesmo ano, com 11 — marca que caiu novamente em 2004 com o próprio Schumacher vencendo 13 provas, mesmo número de Sebastian Vettel em 2013. Além disso, nunca um piloto havia garantido o título com tantas corridas de antecedência — o alemão disputou as últimas seis corridas de 2002 já como campeão daquele ano.
No balanço da temporada, foram 11 vitórias para Schumacher ao final do ano: Austrália, Brasil, Ímola, Espanha, Áustria, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Japão. Rubens venceu o GP da Europa, além das corridas em Hungria, Itália e Estados Unidos, enquanto as outras vitórias ficaram com Ralf Schumacher, na Malásia, e Coulthard em Mônaco.
Foram 144 pontos para o incontestável campeão, que via Barrichello como perseguidor mais próximo — o brasileiro terminou com 77 tentos. Após a corrida, Schumacher afirmou que nunca havia imaginado igualar o recorde de Fangio, que reinou absoluto por quase meio século na Fórmula 1.
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