Na Garagem: Senna é desclassificado e perde 2º lugar na última corrida pela Lotus

Ayrton Senna terminou em segundo lugar a última corrida da passagem pela Lotus no Mundial de F1, em Adelaide, porém foi desclassificado por irregularidades nos dutos de freio do carro. Punição deu a Roberto Pupo Moreno o primeiro ponto da carreira

A despedida de Ayrton Senna da Lotus ficou marcada negativamente. Há 28 anos, depois de terminar em segundo lugar no GP da Austrália, em Adelaide, o brasileiro foi desclassificado devido a uma irregularidade nos freios.

 
Na corrida que fechou o campeonato de 1987, em 15 de novembro, Gerhard Berger dominou. Sem Nigel Mansell, que se recuperava do acidente dos treinos para o GP do Japão, e com Nelson Piquet já campeão, o austríaco fez a pole e venceu de ponta a ponta. Berger liderou todas as 82 voltas e ainda marcou o giro mais rápido, 1min20s416.
 
Foi a terceira vitória da carreira de Berger, que, assumindo o papel de líder dentro da Ferrari, se colocava como candidato ao título para o ano seguinte — o mundo da F1 ainda não sabia de como seria bom o MP4/4.
Gerhard Berger fechou a temporada 1987 no alto do pódio (Foto: Forix)

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Atrás dele, Senna largou em quarto, subiu para terceiro e depois caiu para quinto, posição em que permaneceu durante mais de 30 voltas. Ganhou posições com as paradas de Alain Prost e Nelson Piquet nos boxes, e passou pelo italiano Michele Alboreto na pista na volta 42.

 
Dali em diante, Senna permaneceu em segundo, mas sem conseguir se aproximar de Berger. A margem de vitória do austríaco foi de 34s845. Senna, por outro lado, disparou e deixou outros 33s de vantagem para Alboreto, que completou o pódio. Therry Boutsen, Jonathan Palmer, Yannick Dalmas e Roberto Pupo Moreno seguiram.
 
Após a prova, no entanto, o delegado-técnico da FISA constatou que os dutos de freio da Lotus estavam fora das dimensões exigidas pelo regulamento. A equipe argumentou que, antes da corrida — e nas demais verificações feitas ao longo do fim de semana —, a peça estava dentro das regras. Como o regulamento dizia que “os automóveis devem estar dentro das regras durante todo o evento”, os comissários optaram pela desclassificação.
Comunicado dos comissários com a desclassificação de Senna (Foto: Reprodução)
“Eu não tenho nada a declarar, meu trabalho é dirigir o carro e isso eu fiz da melhor maneira possível. Quem deve fazer declarações a respeito do assunto são os responsáveis pela equipe”, disse, de acordo com reportagem da ‘Folha de S.Paulo’ do dia seguinte.
 
E Peter Warr, chefe da Lotus, falou: “Andamos com o carro desta forma por dois dias e, como é exigido, ele esteve disponível para inspeções durante todo o tempo. Acreditamos que o carro estava legal no início da corrida”.
 
No comunicado da equipe, Senna agradeceu pelos três anos com a Lotus, nos quais conquistou seis de suas 41 vitórias na F1. “Foi uma boa última corrida com a Lotus e tenho muitas boas memórias destes três anos. Mais recentemente, venci duas vezes com as cores da Camel neste ano e agora estou ansioso por um novo começo no ano que vem”, afirmou. O brasileiro fechou 1987 com 57 pontos, só quatro a menos que Mansell, o vice-campeão.
Dutos de freio irregulares fizeram Senna perder segundo lugar na despedida da Lotus (Foto: Forix/Autocorse)

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A desclassificação de Senna fez Moreno sorrir, uma vez que lhe rendeu o primeiro ponto da carreira no Mundial de F1. Era a sua terceira corrida na categoria — o brasiliense andou no Japão e na Austrália com a AGS cinco anos depois de ter disputado o GP da Holanda com a Lotus em 1982. Sua primeira temporada completa seria em 1989, com a Coloni.

Roberto Pupo Moreno pontuou pela primeira vez na F1 na Austrália em 1987 (Foto: Forix)

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