Na Garagem: Suspensão falha na última volta, Räikkönen bate e Alonso vence GP da Europa

Por conta de uma novidade no regulamento de 2005, Kimi Räikkönen não trocou o pneu dianteiro que apresentava fortes vibrações. O resultado foi um acidente espetacular a vitória do rival Fernando Alonso

Há 15 anos, um dos mais espetaculares acidentes da história da Fórmula 1 decidiu o GP da Europa, disputado em Nürburgring, quando Kimi Räikkönen teve uma falha na suspensão na última volta da prova e deixou a vitória nas mãos do rival Fernando Alonso.
 
A temporada 2005 surgiu como uma das mais interessantes da década. Após anos de domínio de Michael Schumacher com a Ferrari, o piloto alemão enfrentava dificuldades com o novo modelo do carro. O baixo rendimento abriu espaço para que a nova geração da F1 tomasse espaço, especialmente com Fernando Alonso, da Renault, e Kimi Räikkönen, da McLaren.
 
O ano também teria uma grande mudança no regulamento. Os pilotos precisariam usar o mesmo jogo de pneus na classificação e na corrida inteira, com trocas permitidas apenas em caso de problemas, como furo, ou mudança de clima. O reabastecimento, no entanto, continua inalterado, com o combustível da corrida sendo definido antes da classificação.
 
Alonso se aproveitou para começar a temporada com tudo, vencendo três provas seguidas – Malásia, Bahrein e San Marino -, além de pódios na Austrália e na Espanha. Räikkönen tropeçou muito no inicio do ano, com resultado discreto na Austrália e sem pontuar na Malásia e em San Marino – nesta última, abandonou quando liderava. As vitórias seguidas em Barcelona e Mônaco o colocaram na disputa pelo título contra o espanhol da Renault. Foi assim que os dois rivais chegaram em Nürburgring para a sétima etapa do campeonato.

Webber tocou em Trulli e Montoya na largada da prova (Foto: Reprodução)
Na classificação, a primeira surpresa do fim de semana. Nick Heidfeld, da Williams, voou para fazer a pole position, com 1min30s081. Räikkönen ficou na segunda posição do grid, enquanto Alonso largou apenas em sexto.
 
Na largada, Giancarlo Fisichella, da Renault, ficou parado no grid e o procedimento foi cancelado. Com isso, a prova passou a ter 59 voltas, uma a menos do que o previsto inicialmente. Após novo procedimento, a corrida começou, assim como o caos. 
Räikkönen largou bem e pulou na liderança, deixando Heidfeld em segundo. Mark Webber (Williams), então terceiro, largou mal e tentou recuperar posições, mas tocou em Jarno Trulli (Toyoya) e Juan Pablo Monoya (McLaren). O australiano abandonou a prova e os concorrentes seguiram na prova. 
 
Na frente, Räikkönen comandava a prova com Heidfeld em segundo e Alonso em terceiro, mas pouco ocorria no pelotão da frente. Na volta 30, o finlandês se desconcentrou e errou na chicane do circuito, permitindo a ultrapassagem de Heidfeld. O piloto da Williams, no entanto, parou para reabastecer na volta seguinte. 
 
Voltas depois, Räikkönen ficou preso atrás do retardatário Jacques Villeneuve (Sauber) e fritou o pneu dianteiro direito. Pelo regulamento, ele não poderia trocar o composto e, com isso, perdeu tempo em relação ao rival Alonso. Após a segunda parada de ambos nos boxes, o espanhol começou a diminuir o a desvantagem.

 
Suspensão de Räikkönen estourou na última volta da corrida (Foto: Reprodução)

O pneu danificado por Räikkönen voltas antes começou a causar grandes vibrações na suspensão. Com isso, Alonso se aproximou rapidamente. A McLaren, apostando na vitória, não quis chamar o finlandês para os boxes e o deixou na pista confiando na resistência do equipamento.
 
Quando abriu a última volta, Räikkönen liderava a prova com 1s5 de vantagem para Alonso. Ao reduzir a velocidade no fim da reta principal, a suspensa dianteira direita da McLaren estourou com violência, fazendo o carro rodar e bater na proteção de pneus. Räikkönen, enquanto rodava, ainda passou raspando a BAR de Jenson Button e, por pouco, não causou um acidente ainda maior.
 
Com o incidente, Alonso seguiu para a vitória, com Nick Heidfeld e Rubens Barrichello (Ferrari) completando o pódio. O triunfo fez com o espanhol chegasse a 59 pontos no campeonato, deixando Räikkönen na vice-liderança, com apenas 27. 
 
Após o acidente de Räikkönen, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), fez uma alteração na regra dos pneus e permitiu uma troca, sem punição, caso o composto colocasse em risco a integridade física do piloto.

Fernando Alonso venceu o GP da Europa de 2005 (Foto: Reprodução)
 

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