Na Garagem: Trapalhada da Williams exclui Mansell e deixa Senna perto do tri

Uma trapalhada da Williams no pit-stop de Nigel Mansell no GP de Portugal de 1991 acabou por desclassificá-lo da prova no Estoril. De quebra, acabou deixando Ayrton Senna muito perto de conquistar seu tricampeonato mundial naquele ano

Ayrton Senna chegou ao Estoril para a 13a das 16 etapas da temporada de 1991 com 18 pontos de vantagem para Nigel Mansell. Com quatro corridas a serem disputadas, a virada era possível: o inglês havia vencido quatro das últimas seis corridas e, caso Riccardo Patrese continuasse a tirar pontos de Senna, Mansell seria finalmente campeão após 12 temporadas.

 
Nos treinos, os segundos pilotos se saíram melhor e Patrese cravou a sétima e penúltima pole-position da sua carreira com o tempo de 1min13s001. Gehrard Berger veio em seguida, com a marca de 1min13s221. Senna ficou dois décimos atrás do parceiro de McLaren, com 1min13s444, e Mansell ficou outros 0s2 atrás do rival, com 1min13s667.
 
O resto do grid ficou bem atrás das duas melhores equipes. Alain Prost pôs a Ferrari em quinto, com 1min14s352. Jean Alesi, o outro francês da Ferrari, ficou exatos 0s5 atrás do Professor: 1min14s852, largando em sexto lugar.
Ricardo Patrese venceu o GP de Portugal de 1991 (Foto: Reprodução/Twitter)
Patrese manteve a ponta na largada seguido por Berger. Na briga dos postulantes ao título, Mansell passou Senna logo na primeira curva e Berger foi superado na segunda curva. Mansell jogou duro na primeira curva e obrigou Senna a andar pela grama para evitar a batida. A manobra sobre Berger foi parecida. O Leão acordou com a faca nos dentes naquele 22 de setembro de 1991.
 
A Williams, então, aparecia nas duas primeiras colocações na volta inicial, com Mansell tirando três pontos de Senna. Alesi era o primeiro do resto e vinha em quinto, à frente de Prost. Duas Williams, duas McLaren, duas Ferrari. Essa ordem foi mantida até a volta 18, quando Mansell foi para cima do seu parceiro de Williams e ultrapassou Patrese.
 
Era o cenário dos sonhos do inglês: caso vencesse e o escudo do italiano funcionasse, ele poderia tirar seis pontos de Senna e dependeria apenas de si para ser campeão. Vitórias na Espanha, Japão e Austrália dariam o caneco ao inglês, sem depender mais dos resultados do brasileiro.
Jean Alesi fez bom papel no Estoril (Foto: Reprodução/Twitter)
Mansell comandava a corrida e se desgarrou do pelotão com facilidade, só perdendo a ponta quando parou para trocar pneus na volta 29. Nesse pit-stop, um dos lances definidores do campeonato de 1991: os mecânicos do pneu traseiro direito se atrapalharam na troca e os outros três grupos deram sinal para o piloto inglês partir. Mansell, então, saiu do local de parada da Williams, mas o pneu frouxo soltou-se metros depois.
 
Se não fosse trágica, a cena seria cômica: era o tipo de trapalhada que só acontecia com Mansell e que tantas outras vezes custou pontos, pódios e títulos ao Leão. Os mecânicos da Williams saíram correndo, arrastaram o carro de Mansell para trás e recolocaram o pneu totalmente fora do pit da equipe de Grove.
Nigel Mansell acabou sendo desqualificado e se complicou na temporada 1991 da F1 (Foto: Reprodução/Twitter)
Com a trapalhada, o inglês caiu para o 17o lugar, na 31a volta. O carro da Williams era tão superior ao resto do grid que, em apenas 16 voltas, Mansell já era o sexto colocado na corrida. Mas a lambança nos boxes custaria caro ao inglês. A direção de prova resolveu desclassificar o carro #5 pelo pit realizado na posição errada.
 
Quando o motor de Berger explodiu, no 37o giro, Senna herdou a segunda posição. Duas voltas depois, foi Alesi o beneficiado por um golpe de sorte: também com o motor quebrado, Prost deixou a corrida. Mas o ferrarista sofria forte pressão de Pierluigi Martini e Ivan Capelli pelo último lugar do pódio.
Ayrton Senna se deu muito bem com a desclassificação de Mansell (Foto: Reprodução/Twitter)
No entanto, com a quebra da asa dianteira da Leyton-House de Capelli, o francês da Ferrari conseguiu manter o terceiro posto. Lá na frente, uma vitória amarga para a Williams: Patrese conseguiu sua quinta vitória na carreira e a segunda em 1991. Foi a 50ª vitória da história da Williams na F1. Mas por outro lado, a equipe de Sir Frank viu Senna abrir 24 pontos na tabela. Só 30 pontos estavam em jogo, e Senna precisava apenas de sete para conquistar o tricampeonato.
 
Apesar de Mansell ter vencido e Senna ter sido apenas quinto na Espanha, a luta pelo título acabou na prova seguinte. Senna chegou a Suzuka com 14 pontos de vantagem sobre o inglês e, lá, uma rodada de Mansell definiu o campeonato. Senna conquistou o oitavo título do Brasil nos 20 anos entre 1972 e 1991. O Brasil era o país com mais títulos na categoria.

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