Opinião GP: atípico e triste, GP do Canadá evidencia constância de Vettel e situação difícil para Alonso

Manchado pela morte de um fiscal de pista horas depois da corrida, o GP do Canadá foi atípico em todos os sentidos. A prova serviu para Sebastian Vettel aumentar ainda mais sua já confortável vantagem graças a uma postura constante: o alemão jamais fechou uma etapa em 2013 abaixo da quarta colocação. Definitivamente, Fernando Alonso está em maus lençóis

NÃO FOI O GP DO CANADÁ que todos esperavam. Não houve entrada do safety-car, nenhum incidente no Muro dos Campeões, zero de disputas intensas pela vitória, nada, nada, nada. Um GP do Canadá sem a cara do GP do Canadá foi o que aconteceu no último domingo (9), em Montreal. Nem mesmo a matreira chuva que apareceu na sexta e sábado deu as caras ontem na belíssima cidade do Quebec. Definitivamente, foi uma corrida atípica, até um tanto enfadonha, e que reservou uma notícia triste demais horas depois, quando foi confirmada a morte de um comissário de pista que foi atropelado por um trator que resgatava o carro de Esteban Gutiérrez.

Dentro da pista, a corrida foi interessante do segundo lugar para trás, já que Sebastian Vettel jamais teve sua soberania ameaçada no domingo. Foi só largar na frente e abrir vantagem para os demais. Tanto é que o jovem tricampeão só deixou de ser líder por três voltas, justamente no período em que fez sua primeira parada para troca de pneus. Sua vitória, a primeira em Montreal, evidenciou sua constância e enorme capacidade de aproveitar as chances. Em toda a temporada até aqui, Seb não terminou abaixo do quarto lugar. Essa regularidade, num sistema de pontuação que premia isso, está sendo fundamental para o alemão pavimentar seu caminho para um épico tetra.
Constante, Vettel caminha firme rumo ao tetra e deixa Alonso em situação complicada em 2013 (Foto: Red Bull/Getty Images)
Vettel já soma 132 pontos em 2013, 36 a mais em relação a Alonso, que ficou em situação difícil no Mundial. Claro que o Mundial nem chegou à sua metade e absolutamente tudo pode acontecer, mas quando a Red Bull começa bem uma temporada, ela é muito difícil de ser batida. Fernando lutou como um verdadeiro samurai: largou em sexto e foi conquistando posições importantes, ultrapassando de forma contundente adversários de peso como Mark Webber e Lewis Hamilton. Tudo para diminuir o estrago feito pela performance do dominante Vettel no fim de semana. Ainda assim, a diferença do alemão para o piloto da Ferrari aumentou sete pontos. Só não ficou maior ainda graças à competência do bicampeão do mundo.

Outro fator que acabou até surpreendendo a todos foi que o GP do Canadá nem de longe foi protagonizado pelos pneus — ou pelo desgaste deles. Vettel não enfrentou qualquer tipo de dificuldade com os compostos. Por outro lado, Paul di Resta, buscando se recuperar depois de uma péssima classificação, adotou estratégia interessante, ficou 56 voltas na pista em ótimo ritmo com um jogo de pneus médios antes de fazer sua única e derradeira parada. A tática jogou em favor do escocês, que terminou em sétimo.
A cobertura completa do GP do Canadá no GRANDE PRÊMIO
As imagens de domingo da F1 em Montreal

Quanto a Felipe Massa, o brasileiro fez o que dava depois de mais uma batida no sábado. Seu começo de corrida foi ótimo, mas a tática adotada pela Ferrari, que manteve os supermacios na primeira parada e deixou os médios para o final, não funcionou para o piloto. Ainda assim, no fim da corrida, a bela ultrapassagem diante de um apagado Kimi Räikkönen lhe serviu como alento para a sequência da temporada. De bom para o finlandês, só mesmo o fato de ter igualado o recorde do mítico Michael Schumacher ao completar 24 corridas seguidas na zona de pontuação.
36 pontos atrás de Vettel, Alonso terá trabalho para reagir e colocar a Ferrari de volta à briga pelo título (Foto: Getty Images)
Victor Martins, editor-executivo do GRANDE PRÊMIO, fez sua análise sobre o GP do Canadá. “Tirando o fato dos paredões que Alonso teve de atravessar para chegar em Vettel, foi tudo ao contrário. O GP do Canadá de hoje foi atípico: nenhum acidente, nada de safety-car e sem uma disputa propriamente dita pelo primeiro lugar, do qual o alemão não saiu nenhum segundo. Como faz sempre quando larga na frente, Seb impôs um ritmo forte nas primeiras voltas para evitar qualquer ataque assim que o DRS fosse permitido, e foi abrindo e abrindo a vida em cima das Mercedes, de Webber e do espanhol, que demorou a atacar”, comentou.

Martins destacou também a boa performance da Mercedes, que também não sofreu com os pneus e finalmente mostrou um ritmo de corrida bastante decente. “Nico Rosberg só foi superado na metade do segundo trecho da prova tanto por Webber quanto por Alonso, e Hamilton só foi perder o segundo lugar para Fernando nas últimas voltas. Sim, terceiro e quinto para esta equipe que consumia pneus como um camelo ruminante é excelente.”

Para o jornalista, Vettel está caminhando cada vez mais firme para igualar o ‘Professor’ Alain Prost e alcançar o tetracampeonato. Para virar o jogo e conquistar seu primeiro título pela Ferrari, Alonso terá muito trabalho pela frente.

“A Red Bull dominou, fato, mas estes 36 pontos que Vettel tem de vantagem para Alonso parecem até irreais pela temporada dos dois. Fato é que o alemão vai se aproveitando, fruto de sua capacidade absurda e sua constância de aproveitar cada oportunidade. E considerando que, depois das férias da F1, ninguém vai ligar para atualizações nos carros e tal, a gordura que Seb vai abrindo é imprescindível. Que a Ferrari melhore muito na classificação e que a Lotus não seja tão oscilante. Porque o jovem já está limpando o caminho para o tetra seja conquistado com calma tão inesperada quanto esta corrida mediana em Montreal”, finalizou.

Opinião GP é o editorial semanal do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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