Opinião GP: Com tri no bolso, Hamilton esquece Rosberg e vê em Vettel o ‘Prost de sua vida’ para ser como Senna

Muito perto do tricampeonato na F1, Lewis Hamilton já não vê mais em Nico Rosberg um rival a sua altura. O inglês quer mais, quer ser como Ayrton Senna e, como tal, precisa ter um Alain Prost em sua carreira. E o piloto escolhido para esse posto é Sebastian Vettel, o tetracampeão da Ferrari. Ambos já têm o mesmo número de vitórias no Mundial

ESQUEÇAMOS 2015 enquanto campeonato. Lewis Hamilton já é campeão. Mas Sóchi trouxe uma lição enquanto a chuva mais uma vez atrapalhava a sexta-feira e os acidentes em uma pista sem áreas de escape preocupavam: a de que o inglês já não vê o companheiro Nico Rosberg como ameaça na sua carreira.
 
Ao fim da corrida na Rússia, quando celebrou a nono triunfo do ano, o 42º da carreira, Lewis lamentou o abandono de Rosberg, mas foi mais por protocolo do que realmente uma perda sentida. O alemão não o incomoda mais. 
 
Hamilton, tricampeão, se inspira em Ayrton Senna. Já é igual no número de títulos e precisa ser como ele. Precisa ter um rival à altura. Não é de graça que soltou no fim de semana que agora só mira em Sebastian Vettel.
 
O ferrarista, na visão de Hamilton, é quem vai de fato assumir o posto que foi de Alain Prost na carreira de Senna. A verdade é que Lewis anseia por uma rivalidade tão ou mais intensa do que a vivida pelo ídolo no fim dos anos 1980 e começo dos 90 e que marcou para sempre a história da F1. Em teoria, esse grande rival de Lewis seria Fernando Alonso, até considerando o épico embate travado entre ambos em 2007. Mas as escolhas erráticas que o espanhol fez em sua carreira mostram que só o tetracampeão da Ferrari tem potencial para isso.
Sebastian Vettel joga champanhe em Lewis Hamilton no pódio no GP da Rússia (Foto: AP)
Forte mentalmente, Sebastian já provou ser um piloto completo. É rápido, estrategista, inteligente. É um adversário que aguça e tira o que o oponente tem de melhor. E Hamilton sabe disso. E quer isso. Parece óbvio também que Vettel é quem mais oferece ameaça a Lewis. 
 
Por outro lado, o inglês é um piloto de combate, do corpo a corpo. 2014 mostrou bem isso nas tantas vezes em que o britânico se viu no fundo do grid. Mais do que vencer, Lewis quer ultrapassar, dividir curvas, lutar por cada décimo de segundo. E, se possível, arrasar o rival. 
 
“O que seria legal, e não vemos com tanta frequência, é uma corrida como a que eu e Nico fizemos no Bahrein no ano passado. Foi como uma corrida de kart, e é por isso que é tão divertido de se assistir kart. Se nós tivéssemos aquilo na F1 todo fim de semana, ficaríamos loucos, pois é empolgante demais. Adoraria ter algo assim entre mim e Sebastian”, disse Hamilton, nesta semana na Rússia, em entrevista à Sky Sports.
Lewis Hamilton já é praticamente tricampeão de F1 (Foto: AP)
A mensagem está mais do que clara aí. Hamilton já elegeu Vettel como rival para 2016, quando a Ferrari promete vir ainda mais forte. Se a equipe italiana já bateu a meta traçada para este ano e se propôs a vir com tudo na próxima temporada, a grande batalha a ser vista é exatamente a que Lewis sonha agora. 
 
E a história se repete
 
O que se desenha, portanto, é uma rivalidade entre um tricampeão e um tetracampeão novamente. Hamilton e Vettel se diferem na pista. Enquanto o primeiro aprecia a luta direta e parece desgostar de corridas solitárias na ponta, o segundo só pensa na vitória, seja ela com ou sem disputa. 
 
Porém, nem tudo na luta Hamilton-Vettel vai repetir o passado. Os dois tem potencial para brigas épicas na pista, mas não serão inimigos fora dela, até porque Sebastian mesmo não tem esse perfil de choque. O alemão, apesar dos embates com Mark Webber nos tempos de Red Bull, sempre evitou trazer as disputas para a garagem. 
 
Na verdade, ambos são divertidos e se divertem juntos. A coletiva de imprensa em Sóchi, logo depois da corrida, foi um exemplo claro. Seb brincou o tempo inteiro com o domínio imposto pelo inglês durante a prova. E Lewis retribuiu as brincadeiras quebrando o protocolo e fazendo um vídeo em que se diverte com a entrevista do colega em alemão. 
 
No fim das contas, a disputa do Mundial de F1 em 2016 tem tudo para ser um tira-teima entre os grandes campeões da década. Se a Ferrari comprovar mesmo que será de fato uma rival à altura da Mercedes, Vettel pode, por que não, lutar para ser penta e igualar o mítico Juan Manuel Fangio. 
 
Mas para alcançar tal feito, o sucessor de Michael Schumacher terá pela frente um osso cada vez mais duro de roer. Hamilton, no auge da forma e da vida, tentará a todo custo encerrar uma geração técnica da F1 (uma vez que a categoria terá mudanças significativas com um novo regulamento para 2017) igualando Vettel como o mais laureado dos anos 2010 e chegando aos quatro títulos mundiais. 

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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