Opinião GP: Hungria salva 2025 morno na F1 e põe tempero em Piastri x Norris no pós-férias

A verdade é que a disputa do título de 2025 na Fórmula 1 atravessou uma primeira fase de temporada numa espécie de banho-maria, com poucos momentos de tensão e embate, mas o GP da Hungria promoveu um cenário diferente e deixou a impressão de que Oscar Piastri e Lando Norris vão se lançar em uma briga mais acirrada após as férias, uma vez que está claro que a luta se resume apenas a eles, e o campeonato está completamente aberto

Desde muito cedo nesta temporada, ficou claro que a disputa pelo título se resumiria apenas aos pilotos da McLaren, muito embora tenham teimado em admitir esse cenário por boa parte do campeonato. Agora, com o fim oficial da primeira fase do Mundial, não há mais dúvidas: Oscar Piastri e Lando Norris terão mesmo de assumir o protagonismo da Fórmula 1 em 2025 — para o bem e para o mal. E por mais que tenham levado esse trecho inicial em banho-maria, o GP da Hungria tratou de mudar esse enredo e mostrar que será preciso mais para vencer — antes tarde do nunca. Não é, claro, como se a corrida em Hungaroring tivesse provocado um grande incidente entre ambos, daqueles que mudam para sempre a convivência entre rivais, mas aquele embate nas voltas finais deixou claro que esse momento de choque está por vir. Ainda bem.

E é bom que aconteça tão logo a temporada retome as ações, porque há ainda uma chance de salvar esse campeonato até aqui insípido. Essa sensação também vem da maneira como os dois postulantes da McLaren se comportaram após a corrida. Isso porque a prova se mostrou mais caprichosa do que o esperado. É que a dupla da equipe laranja precisou driblar um surpreendente Charles Leclerc, que ficara com a pole no sábado. O monegasco largou bem e não deu chances, enquanto Piastri o seguia. Já Norris viveu um início tumultuado após cair de terceiro para quinto, em um desempenho irrisório. A partir deste momento, o pit-wall papaia precisou trabalhar e acabou por dividir as estratégias. Enquanto o australiano marcava o líder ferrarista e adotava a tática padrão de dois pit-stops, o piloto britânico foi praticamente obrigado a parar uma única vez.

O ritmo ajudou, e Lando foi capaz de cumprir a risca o plano de Will Joseph. A liderança veio após as visitas dos rivais aos boxes e, de repente, o inglês se viu com a vitória nas mãos. Mas ainda precisava se defender de Piastri, que voou com pneus mais novos, após o segundo pit. Oscar chegou no oponente nas voltas finais, mas faltou eficiência no roda a roda. Inclusive, quase houve um toque entre eles, o que teria colocado ainda mais tempero na briga. No fim, o líder conseguiu se manter à frente, para vencer.

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Norris saiu fortalecido da etapa húngara, não há dúvidas. A vitória não foi apenas providencial, sete dias após a doída derrota na Bélgica, mas principalmente importante pela reação que tentava impor desde a Áustria, quando as coisas começaram a entrar nos eixos. Essencial dizer também que o inglês soube como lidar com o desastroso acidente no Canadá, enquanto o rival começava a deixar passar oportunidades, como no GP da Inglaterra. De toda a forma, Lando foi capaz de golpear o adversário e, embora na vice-liderança da tabela, vai para as férias com menos peso sob ombros, e isso pode se tornar uma arma crucial quando as ações forem retomadas daqui a quatro semanas.

Ainda, foi interessante perceber uma sutil mudança em sua postura frente aos erros — porque novamente se viu envolvido em problemas neste fim de semana, da classificação à má largada do domingo. O que forçou a McLaren a mudar os planos. E ainda que não tenha acreditado que poderia dar certo parar uma vez só, diante das estratégias de quem estava à frente, Norris foi capaz de conduzir com frieza e aproveitar a chance que se abriu após um início miserável. “Não estou me dando as melhores oportunidades. Mesmo que os resultados tenham parecido ótimos, não estou facilitando minha vida no momento. Então, se eu puder trabalhar nessas coisas, estarei em uma posição melhor”, admitiu o piloto #4, após a corrida, com sua costumeira sinceridade.

“Já é difícil e vai continuar sendo. A diferença entre nós é bem pequena. Tenho certeza de que há algumas coisas que posso melhorar e aprimorar, e tenho certeza de que ele provavelmente dirá algo parecido”, emendou. “Será uma longa segunda metade da temporada, mas, ao mesmo tempo, estou ansioso por uma boa pausa, um tempo para descansar e tentar voltar ainda melhor, porque há coisas que preciso melhorar e quero melhorar.”

De fato, a consciência do que é necessário fazer nunca faltou a Lando. O problema tem sido realmente a prática. Mas algo pareceu diferente na Hungria. Até por conta da defesa que conseguiu fazer, diante dos ataques de Piastri nas voltas finais. “É uma estratégia difícil de implementar, mas deu certo. Isso é o mais importante. E, sinceramente, não achei que fosse funcionar durante a maior parte daquele segundo stint. Mas, a cada volta, eu meio que ganhava mais confiança de que seria cada vez mais disputado. Então, sim, definitivamente foi uma volta gratificante.”

Lando Norris conquistou a vitória #200 da McLaren (Foto: McLaren)

Os 9 pontos que agora separam Norris do líder Piastri também reforçam a ideia de que a disputa seguirá apertada com a volta das férias. O australiano já mostrou em diversas oportunidades que sabe lidar com a pressão, muito embora tenha caído em armadilhas danosas na Hungria. Quer dizer, não é infalível. A ofensiva que tentou para cima do companheiro de McLaren foi mal calculada, o que anulou um embate maior entre ambos. “Será um segundo semestre difícil. Já foi difícil, e as margens estão muito estreitas. Então, acho que vai ser ótimo assistir”, disse.

Mas o que torna tudo mais saboroso é entender que Piastri sentiu a derrota em um dia bem mais estabanado do que o rival. “No começo da corrida, achávamos que duas paradas seriam a melhor coisa a fazer, e com ar limpo, potencialmente ainda era. Ter uma corrida de duas paradas em ar limpo versus ar sujo é uma história diferente”, afirmou Oscar.

“Acelerei o máximo que pude. Depois de ver o Lando tentando uma parada, soube que teria que ultrapassar na pista, o que é muito mais fácil falar do que fazer por aqui. Hoje, estávamos do lado errado. Ele não tinha muito a perder. Não sei se tentar mirar (Charles) Leclerc foi a decisão certa no final, mas podemos superar isso depois.”

Norris e Piastri quase se bateram durante o TL2 e na corrida também (Foto: Reprodução)

Embora ainda no comando da classificação, o australiano sabe que perdeu uma chance de abrir uma vantagem considerável e, por consequência, a possibilidade de minar a cabeça do adversário, o que tornaria a vida mais fácil após as férias. No entanto, as coisas praticamente voltam a estaca zero, mas com uma diferença importante para o início do ano: a tensão agora é quase palpável e irreversível. E isso por si só já tem potencial para tirar ambos da zona de conforto, que é o que se espera da dupla desde o GP da Austrália. Então, a derrota, o quase toque e a superação na Hungria talvez sirvam como uma espécie de tempero ardido para que uma disputa real finalmente aconteça. A história conta como disputas mornas ganharam fervura rapidamente apenas por um toque da discórdia. É só isso que se pede desta segunda parte de temporada.

Fórmula 1 agora pausa e entra no tão aguardado recesso de meio de temporada. Será quase um mês sem corridas, com período de repouso para pilotos e membros das equipes, até o retorno, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort, entre os dias 29 e 31 de agosto.

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