Opinião GP: Norris toma golpe duro e tem de se reinventar para caçar favorito Piastri
Lando Norris sofreu o maior revés da temporada, neste domingo (31), nos Países Baixos e terá de buscar uma reviravolta inédita em sua carreira para tentar o título da Fórmula 1 2025. O abandono, a 7 voltas do fim da corrida em Zandvoort, e a vitória categórica de Oscar Piastri se configuram em um grande teste de resiliência para o piloto do carro #4, que, a partir deste momento, não pode mais se dar ao luxo de errar ou se contentar com algo que não seja vencer. Porque do outro lado da garagem tem um Piastri mais favorito do que nunca
A CENA DE LANDO NORRIS sentado em um morrinho do circuito de Zandvoort, ainda de capacete e cabeça baixa, lembrou bem o drama vivido por Lewis Hamilton em 2016. Essa foi uma percepção geral após o abandono deste domingo (31), porque naquela temporada o agora heptacampeão travava uma batalha pelo Mundial com o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg. Hamilton vinha tentando a recuperação no campeonato, quando o motor quebrou na volta 40 do GP da Malásia — corrida que o inglês liderava desde a pole e que o colocaria na frente na tabela. O revés apimentou a disputa e tornou mais difícil a busca pelo título, que acabou nas mãos do piloto alemão. O problema é que a história que Lando tenta contar em 2025 é bastante diferente daquela que Lewis escreveu nove anos atrás. Simplesmente, porque o então tricampeão não precisou lançar mão de uma nova abordagem ou qualquer coisa que o valha. Foi apenas combativo e soube como usar o ótimo carro tinha nas mãos. Já Norris terá de mudar, de se reinventar ou vai ver amargar uma derrota ainda mais doída.
Essa sensação vem do fato de que o piloto da McLaren era muito favorito à taça deste ano, mesmo antes da temporada começar. A experiência da briga em 2024 deveria servir para alguma coisa, bem como o vencedor carro que tem à disposição. No entanto, o que se vê são atuações cambaleantes e erros em momentos decisivos, enquanto o líder Oscar Piastri tira proveito mais consistentemente dos vacilos. É bem verdade que o australiano enfrentou seus demônios em diversos momentos, mas é igualmente certo dizer que nem sempre Norris esteve lá para aproveitar.
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Ainda assim, houve lampejos de desempenho. Lando foi capaz de vencer em um dia equivocado de Oscar — naquele GP da Inglaterra em que o rival foi punido depois de frear bruscamente atrás do safety-car. Inclusive, a vitória em Silverstone, depois da conquista na Áustria se configurou na primeira sequência de triunfos de Lando na Fórmula 1. Mas é pouco ainda, se considerar que Piastri levou três provas consecutivas, entre Bahrein e Miami, além de ter vencido na China, na Espanha e na Bélgica. Portanto, o placar segue em déficit no que diz respeito ao inglês: após 15 corridas, está 7 x 5 para o dono do carro #81.
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E o que aconteceu nos Países Baixos foi muito simbólico. Norris havia vencido três das últimas quatro corridas. O triunfo na Hungria, em um dia também errático de Piastri, parecia ter sido um impulso para o início desta segunda fase de temporada. Afinal, Lando liderara todos os treinos até a classificação em Zandvoort e se mostrava mais à vontade. Aí veio o primeiro revés: Oscar foi mais decisivo na hora que valia e arrancou a pole, o que tornou o cenário amplamente favorável em uma pista de difícil ultrapassagem. Dito e feito. Assim que as luzes se apagaram, o australiano largou bem e não deu chances, já o britânico se viu superado por Max Verstappen, que quase perdeu o controle do carro na sequência.
Lando levou nove voltas até retomar o segundo posto, enquanto o companheiro de McLaren liderava com serenidade. E um fato que chama atenção a cada corrida também é a superdependência que Norris parece ter do engenheiro Will Joseph, que precisa a todo instante instruir o piloto do que fazer. No fim das contas, o britânico jamais esteve em posição de ameaçar o adversário, mesmo tendo um carro de rendimento muito semelhante — e aqui é importante dizer: a McLaren sobra em 2025, mas em Zandvoort a distância foi ainda maior, as intervenções do safety-car acabaram por mascarar o melhor ritmo dos papaias. De toda a forma, apenas o inglês teria condições de entrar na briga pela vitória e, apesar da insistência do engenheiro, a situação pareceu cômoda para o carro #4, que decidira caminhar tranquilamente para o segundo lugar.
“Fui rápido hoje”, disse Lando. “É impossível ultrapassar aqui. Foi uma boa corrida. Fiquei feliz por ter conseguido ficar a 1s5, 2s dele. Foi uma corrida positiva, mas não significou nada. Não consegui passar. O Oscar mereceu hoje. Só não foi o meu fim de semana”, completou.
“É difícil revidar contra alguém que é bom em praticamente todas as situações. Só tenho que continuar lutando, continuar fazendo o que posso”, reconheceu.
A falha técnica, que o tirou da disputa a 7 voltas do fim, é um golpe duro, duríssimo. Porque Oscar foi capaz de abrir 34 pontos, que, embora pareça ainda tangível, levanta dúvidas sobre a habilidade de Norris em conduzir uma reviravolta, algo que seria inédito na temporada. Em tese, para alcançar Piastri, o piloto inglês teria de vencer as próximas cinco corridas, mesmo com o australiano em segundo. Isso o colocaria um ponto à frente, ainda restando quatro etapas para o fim do campeonato. É um cenário possível, mas desde que Lando mude a abordagem e acione um modo mais agressivo e sem erros.
No momento, Piastri é o favorito ao título. Não só pela robusta vantagem que possui na tabela de classificação, mas principalmente pela forma como encara o campeonato. O fim de semana neerlandês é uma prova disso. O australiano começou os treinos atrás e foi melhorando gradativamente, ao ponto de roubar a pole no momento decisivo, e isso acabou sendo também fundamental para a vitória, mas ele traçou um caminho firme até lá. E agora está na melhor posição possível, porque não tem a pressão por resultados e pode já pensar em como administrar a vantagem.

E se há alguma dúvida sobre o quanto Norris terá de se reinventar, o chefe da McLaren, Andrea Stella, deu a deixa ao falar da atuação de Piastri. “Diria que o fim de semana de Oscar foi bem característico dele, porque vimos o foco no desenvolvimento durante os treinos, aproveitando o aprendizado. Vimos a entrega no momento que importa, que é a classificação. Então vimos que, quando chove, ele se mostra caracteristicamente bastante à vontade, mantém a situação sob controle e é bastante preciso na execução. Enquanto faz isso, permanece sempre calmo e lúcido”, explicou o dirigente italiano.
“Por isso, este foi um daqueles fins de semana, digamos, dignos de Oscar. Isso prova maturidade e o nível de habilidade como piloto de Fórmula 1.”
A Fórmula 1 volta de 5 a 7 de setembro no GP da Itália, em Monza, 16ª etapa da temporada 2025.
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