Opinião GP: polêmica em Mônaco apimenta relação entre Rosberg e Hamilton e deve forçar posicionamento da Mercedes

A questão é: vai continuar assim? Que rumo as conversas dentro da Mercedes vão tomar nos próximos dias e como elas vão afetar o psicológico do líder e do vice-líder do campeonato?

 

NAS CINCO PRIMEIROS CORRIDAS de 2014, Lewis Hamilton se mostrou um piloto mais focado e determinado. Aprendeu, nos anos que se passaram desde que entrou na F1, que nunca se sabe qual será a próxima chance de disputar o título. Por isso, com um carro tão superior como essa Mercedes na mão, tem de dar o máximo de si para não deixar a oportunidade do bi escapar. Mas, a partir de agora, terá de provar outra coisa: que sua principal fraqueza ficou no passado.

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Hamilton sempre foi conhecido por sentir a pressão e cometer erros em momentos cruciais, assim como permitir que fatores extra-pista abalem seu psicológico. Como consequência, a produção caiu e era visível que a cabeça dele estava em outro lugar.

Neste ano de 2014, parecia evidente que, em algum momento, Hamilton e seu companheiro de equipe, aparentemente único adversário na luta pelo título, e amigo, entrariam em rota de colisão. Fosse por um toque, fosse por uma discussão interna na equipe, uma declaração polêmica de um ou de outro. Aconteceu no último sábado, em Mônaco, quando uma saída de pista suspeita de Rosberg no fim do treino classificatório deixou o britânico furioso.

Nico Rosberg e Lewis Hamilton: perseguição durante quase toda a prova (Foto: Mercedes)

Já com a pole-provisória nas mãos, Rosberg partiu para a segunda tentativa estando ligeiramente à frente do inglês na pista. Ao frear para a curva Mirabeau, balançou o carro de forma estranha, travou as rodas e, para não bater, puxou para a área de escape. Hamilton, que vinha atrás, se deparou com bandeiras amarelas e teve de tirar o pé para não ser punido. Pole do #6.

Por precaução – e sabendo de precedentes –, os comissários decidiram investigar o lance. Olharam a telemetria, assistiram ao vídeo, ouviram o piloto e optaram em manter o resultado de pista. Se eles ficaram convencidos, Hamilton não ficou. Ao menos até quando foi embora do paddock do circuito de Monte Carlo na tarde de domingo. Também não demonstrou ter a intenção de sentar com Rosberg para conversar.

Num primeiro momento, o caso não pareceu ter abalado o desempenho do #44. Ele acompanhou Rosberg de perto durante três quartos da prova, até que um cisco entrou em seu olho e o fez perder terreno para o companheiro para terminar o GP sendo atacado por Daniel Ricciardo. Trocou voltas mais rápidas com o líder, botou pressão em alguns instantes – ainda que não tenha lançado um ataque mais intenso – e levantou o pé para poupar o carro em outros. Em suma, fez uma boa corrida.

A questão é: vai continuar assim? Que rumo as conversas dentro da Mercedes vão tomar nos próximos dias e como elas vão afetar o psicológico do líder e do vice-líder do campeonato?

Por outro lado, quem vê de fora – e especialmente quem necessitava ver um aumento nas audiências das corridas – se diverte. Por mais que Hamilton e Rosberg venham tendo disputas equilibradas e bem intensas, como foi no Bahrein, na Espanha e em Mônaco, o interesse no campeonato de 2014 não é tão grande como foi em outros inícios de ano. Após o domínio imposto por Sebastian Vettel no fim da campanha que o levou ao tetracampeonato, não foi bom para a F1 começar o ano seguinte com a Mercedes tendo quilômetros de vantagem para as rivais e com Hamilton vencendo quatro vezes seguidas no campeonato.

A próxima etapa acontece em duas semanas em Montreal, no Canadá – território de Hamilton. Ainda que a dupla da Mercedes apareça de mãos dadas no Circuito Gilles Villeneuve, os acontecimentos de Mônaco continuarão sendo um elemento a mais na disputa pelo título, aumentando a tensão da batalha. Para qualquer pé que um colocar fora da linha, haverá um precedente perigoso.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.


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