Piastri passeia no deserto e vence tático GP do Bahrein de F1. Norris bate Leclerc e é 3º
Oscar Piastri confirmou a soberania da McLaren de cara para o vento e controlou o GP do Bahrein, realizado neste domingo (13). Lando Norris chegou a ser punido, mas terminou no pódio
Oscar Piastri não decepcionou a McLaren e venceu o GP do Bahrein, realizado neste domingo (13), em Sakhir. Largando na pole-position, fez valer toda a vantagem do MCL39 de cara para o vento e passou ileso ao jogo tático entre as demais adversárias, perdendo a liderança só quando parou para trocar pneus. George Russell e Lando Norris completaram o pódio.
A corrida se desenhou com táticas interessantes, já que, na tentativa de conter a McLaren de alguma forma, Ferrari, Mercedes e Red Bull escolheram jogadas distintas nos momentos das paradas para troca de pneus. Os italianos começaram de pneus médios, ao contrário da maioria do grid, com os macios, e calçaram o segundo jogo novo guardado especialmente para a corrida na tentativa de esticar ao máximo e colocar os pneus de faixa vermelha no final.
A tática vinha funcionando muito bem, com Lewis Hamilton galgando posições e Charles Leclerc em excelente condição para brigar pelo pódio, até que o safety-car na volta 32 arruinou o trabalho que eles vinham fazendo. Como todo mundo correu para trocar pneus, eles tiveram de fazer o mesmo, só que os macios dificilmente aguentariam por tanto tempo. Restaram, portanto, os duros contra médios da McLaren.
De certa forma, aliás, o safety-car também complicou a vida de George Russell, que notou a “ousadia” ao voltar para a pista de macios para mais 29 voltas. Para Andrea Kimi Antonelli, a bandeira amarela veio a calhar, já que o jogo de macios para o stint intermediário estavam muito degastados. Ele, porém, voltou com o mesmo tipo de pneu para a parte final e brigou por pontos depois de largar em quinto.

Desastre também para a Red Bull, que teve problemas nos dois pit-stops de Max Verstappen e ainda escolheu estratégia complicada ao colocá-lo de pneus duros depois da primeira parada, momento em que o rendimento do RB21 despencou. No fim, terminou em sétimo.
Quanto a Norris, o erro na largada que rendeu 5s só não comprometeu a corrida num todo porque o carro da McLaren é muito superior em performance. Mesmo assim, apanhou para passar Leclerc, de duros, no fim na briga pelo terceiro posto. Russell, no entanto, resistiu bravamente e terminou em segundo com os macios.
O top-10, portanto, ficou assim: Piastri, Russell, Norris, Leclerc, Hamilton, Verstappen, Pierre Gasly, Esteban Ocon, Yuki Tsunoda e Oliver Bearman. Gabriel Bortoleto completou em 19º.
ATUALIZAÇÃO: Depois da corrida, os comissários julgaram Russell inocente por uso irregular do DRS, mantendo-o em segundo no GP do Bahrein. Já Nico Hülkenberg foi pego na inspeção técnica por desgaste excessivo da prancha do assoalho e foi desclassificado, perdendo o 13º lugar.
A Fórmula 1 volta de 18 a 20 de abril em Jedá, palco do GP da Arábia Saudita, quinta etapa da temporada 2025.
Norris se enrola todo na largada do GP do Bahrein (Vídeo: Reprodução/F1 TV/Fox Sports)
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Confira como foi a corrida da F1 em Sakhir:
Em um formato único, com a largada ao anoitecer, os pilotos partiram para a volta de apresentação com 27°C de temperatura ambiente, com 33°C de asfalto e umidade relativa do ar em 45%. Com exceção dos carros da Ferrari, Bortoleto, Liam Lawson e Fernando Alonso, todos os demais escolheram os compostos macios para o stint inicial — estratégia convencional sugerida pela Pirelli, ainda que o carro mais pesado no começo sempre seja um fator quanto ao desgaste.
Do lado da Ferrari, a tática parecia óbvia, ainda mais pela fala de Frédéric Vasseur depois da classificação, ao destacar os médios novos guardados para a corrida. Seria, portanto, a chance de esticar a primeira parada ao máximo para tentar se valer das boas chances de ultrapassagem do circuito barenita.
Luzes apagadas, Piastri, em primeiro, segurou bem a posição, porém teve de conter o ataque de um ousado Russell, que espremeu Leclerc e precisou fritar pneus para não bater no #81 da McLaren. Mesmo assim, valeu o ímpeto, já que conseguiu pegar o segundo lugar de volta depois da punição.
Excelente largada também para Norris, que pulou de sexto para terceiro ao mergulhar entre Gasly e Andrea Kimi Antonelli, enquanto Verstappen perdeu um posto e fechou o giro 1 em oitavo. Mas eis que a direção de prova revelou que o #4 estava sob investigação por ter ficado mal posicionado no colchete no momento da partida.

Enquanto o veredito não vinha, Piastri colocava 1s5 sobre Russell, que levava 2s2 para Norris. Leclerc, que acabou pagando o preço pelos pneus médios, caindo de segundo para quarto. Carlos Sainz, por sua vez, ganhou dois lugares, enquanto Hamilton e Tsunoda permaneceram em nono e décimo.
Mesmo sob investigação, Norris começou a pressionar Russell na briga pelo segundo lugar, mas não demorou para a FIA confirmar os 5s que teriam de ser pagos na primeira parada. Enquanto isso, alguns pilotos que haviam escolhido os macios — Nico Hülkenberg, Ocon e Isack Hadjar — já se dirigiam aos boxes para calçar os médios.
Na volta 10, foi a vez de Piastri avisar pelo rádio que já começava a sofrer com o alto desgaste dos macios. Nesse momento, aliás, a transmissão focou no belo pega entre Sainz, Hamilton e Tsunoda, com o heptacampeão prevalecendo depois de chegar a perder o oitavo posto para o espanhol da Williams. Verstappen, por sua vez, passou a pressionar bastante Gasly.
Volta 11, e Norris foi aos boxes pagar a sanção de 5s e trocar pneus. Na prática, o trabalho da McLaren foi em 2s7, enquanto a parada de Verstappen foi muito mais desastrosa, em 4s7. Depois, o replay mostrou instante em que o próprio neerlandês deu uma engasgada na saída por conta das luzes ainda vermelhas. Foi, portanto, impossível evitar o palavrão.
Verstappen retornou de duros em 14º, atrás de Ocon, que havia parado várias voltas antes. Enquanto isso, na volta 14, a Mercedes chamou Russell para a troca obrigatória, devolvendo-o ainda à frente de Norris. Piastri seguia em bom ritmo na liderança, com Leclerc e Hamilton, mas a McLaren chamou o #81 no giro seguinte.
Isso colocou os carros da Ferrari em primeiro e segundo com Leclerc e Hamilton, respectivamente, enquanto Piastri voltou em terceiro, 5s atrás. Foi quando veio a mensagem do engenheiro de Charles pelo rádio avisando que, naquele momento, era “o plano B de Bravo”. Ele, então, retrucou: “Achei que era Delta”.
O pit-stop todo atrapalhado da Red Bull (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Se um ou outro significava parada única, possivelmente jamais saberemos, fato é que um dos planos entrou em ação quando, na volta 18, a Ferrari parou os dois carros na mesma volta e sem erros. Posições restabelecidas, Piastri, Russell, Norris, Leclerc, Gasly, Ocon, Verstappen, Antonelli, Doohan e Hamilton fechavam o top-10.
Nesse momento, a estratégia da Ferrari ganhava corpo, pois restaria esticar ao máximo o segundo stint também de pneus médios novos para colocar macios, ainda que usados, no fim. Se funcionasse, daria a Hamilton e Leclerc ótima vantagem.
Um dos poucos de pneus duros, Verstappen reclamava muito pelo rádio pela falta de aderência. Na volta 20, foi ultrapassado por Antonelli em bela manobra na curva 4. Depois foi a vez de Hamilton deixá-lo para trás e ir à caça de Antonelli, sétimo colocado.
Na frente, na volta 24, Leclerc passava Norris na curva 1, mas a espalhada permitiu ao britânico dar o xis. Mesmo assim, a distância entre eles era de penas 0s5 e com três zonas de DRS ao longo do traçado barenita.
A ultrapassagem veio no giro seguinte, no mesmo instante em que Hamilton engolia Antonelli na reta principal. Até então, Leclerc e Hamilton vinham em terceiro e sétimo, respectivamente. Lewis, então, passou um impressionante Ocon e subiu mais um lugar. Gasly, a 2s de distância, passou a ser o alvo.
Volta 27, começou mais uma rodada de paradas, e, dessa vez, a roda dianteira direita do carro de Max demorou a sair. A perda foi de 6s2, jogando-o para 19º. Antonelli veio na sequência, e contrariando qualquer prognóstico, colocou os macios com mais 29 giros pela frente — quase impossível, considerando o alto desgaste.
Gasly, Doohan e Ocon, em contrapartida, colocaram duros para, teoricamente, irem até o fim. Volta 32 de 57, Piastri abria 7s4 sobre Russell, que levava 1s para Leclerc.
De repente, eis que a direção de prova colocou o safety-car na pista por conta dos detritos deixados no meio da pista depois de Tsunoda e Sainz se enroscarem na pista. O carro de segurança causou um salseiro nos boxes, pois todo mundo resolveu fazer mais uma parada, e as escolhas foram bem distintas: Russell, por exemplo, apostou nos macios, enquanto a Ferrari jogou Leclerc e Hamilton de duros para irem até o fim.
A McLaren calçou Piastri e Norris de médios novos. “24 voltas de macios é meio audacioso”, avisou Russell, já sabendo que seria muito difícil resistir ao MCL39 atrás. A Ferrari, por sua vez, ficou completamente vendida, pois teve de parar para não ser ultrapassada por todo mundo, já que o grid se uniu, mas não teve escolha ao não ser usar a borracha mais dura, acabando com a aposta dos macios no stint final.
Relargada ao final do giro 36, Norris, tentou passar Leclerc por fora, mas acabou perdendo ainda posição para Hamilton. Mesmo assim, conseguiu recuperar nas curvas seguintes, mantendo-se entre as Ferrari, em quarto. Só que por ter efetuado o movimento ao cortar a curva, teve de devolver a posição até a zona seguinte de DRS.
Com Norris enfim à frente de Hamilton, começou a perseguição a Leclerc. Com o pneu em condições muito melhores, tentou a ultrapassagem na volta 46 de 57, mas perdeu totalmente o ponto de frenagem na 1, quase saindo da pista. Paralelo a isso, Sainz abandonava.
Norris só conseguiu passar Leclerc na volta 52 de 57 e rapidamente chegou em Russell. Mas o piloto da Mercedes foi muito inteligente na defesa e resistiu até a bandeirada, arrancando um importante segundo lugar. Para Norris, valeu o lucro de ver Verstappen ser apenas sexto.
F1 2025, 4ª Etapa, GP do Bahrein, Sakhir (atualizado):
| 1 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | 57 voltas | |
| 2 | G RUSSELL | Mercedes | +15.499 | |
| 3 | L NORRIS | McLaren Mercedes | +16.273 | |
| 4 | C LECLERC | Ferrari | +19.679 | |
| 5 | L HAMILTON | Ferrari | +27.993 | |
| 6 | M VERSTAPPEN | Red Bull Honda | +34.395 | |
| 7 | P GASLY | Alpine Renault | +36.002 | |
| 8 | E OCON | Haas Ferrari | +44.244 | |
| 9 | Y TSUNODA | Red Bull Honda | +45.061 | |
| 10 | O BEARMAN | Haas Ferrari | +47.594 | |
| 11 | A.K ANTONELLI | Mercedes | +48.016 | |
| 12 | A ALBON | Williams Mercedes | +48.839 | |
| 13 | I HADJAR | Racing Bulls Honda | +56.314 | |
| 14 | J DOOHAN | Alpine Renault | +57.806 | |
| 15 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | +1:00.340 | |
| 16 | L LAWSON | Racing Bulls Honda | +1:04.435 | |
| 17 | L STROLL | Aston Martin Mercedes | +1:05.489 | |
| 18 | G BORTOLETO | Sauber Ferrari | +1:06.872 | |
| C SAINZ | Williams Mercedes | NC | ||
| N HÜLKENBERG | Sauber Ferrari | DSQ | ||
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