Palco da melhor corrida de 2014, Bahrein já teve GP cancelado por protestos e poles surpreendentes

Realizado desde 2004, o GP do Bahrein teve seu ciclo interrompido em 2011, quando a corrida foi cancelada por motivos de segurança em razão de conflitos sociopolíticos no país. Em sua história, a prova em Sakhir traz à mente do apaixonado por F1 a espetacular disputa entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg na edição do ano passado

Circuito cravado no meio do deserto, Sakhir é palco do GP do Bahrein, quarta etapa da temporada 2015 do Mundial de F1. Será a 11ª vez que o sultanesco país insular receberá a categoria. Desde 2004, os fãs do automobilismo puderam acompanhar vários acontecimentos peculiares envolvendo a prova. O momento mais tenso, contudo, foi em 2011, quando o evento foi cancelado às vésperas devido à tensão sociopolítica que eclodiu em todo o Oriente Médio em razão da Primavera Árabe.

Em dez corridas realizadas até agora, nove foram disputadas no traçado usual, de 5.412 metros de extensão. Contudo, em 2010, a prova aconteceu no circuito mais longo, de 6.299 metros. Foi justamente no GP deste ano a primeira vitória de Fernando Alonso pela Ferrari, logo na sua estreia pela equipe italiana. Porém, pouco mais de cinco anos depois, o asturiano segue na fila de títulos e, a julgar pelo nível atual da McLaren Honda, tem poucas chances de chegar aos pontos no próximo domingo.

O épico duelo entre Rosberg e Hamilton marcou o GP do Bahrein em 2014 (Foto: Getty Images)

E claro, é impossível citar o GP do Bahrein sem lembrar no duelo maravilhoso entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg no ano passado. A disputa, que marcou também a primeira corrida noturna da F1 em Sakhir, representou um alento ao fã de F1, desanimado com as primeiras corridas da nova era turbo.

Relembre, no GRANDE PRÊMIO, alguns acontecimentos que fizeram a história do GP do Bahrein de F1:

1) POLÍTICA X ESPORTE

Em sua história, muitas vezes a F1 realizou corridas em países governados por regimes totalitários e marcados por denúncias de violação aos direitos humanos. Para citar dois exemplos, estão a indiferença ao regime do Apartheid na África do Sul entre os anos 70 e 80, e a ditadura militar na Argentina, quando pneus e fuzis dividiam o mesmo espaço no paddock.

Depois de algumas décadas, a F1 voltou a conviver em um cenário de conflito político. Com sede de democracia, o povo barenita aproveitou o auge do movimento chamado Primavera Árabe, que havia eclodido no fim de 2010 na Tunísia e ganhou corpo em boa parte dos países do Oriente Médio. No Bahrein, a luta era para destronar do governo o rei Hamad bin Isa al-Khalifa. No país, a maioria da população é de origem xiita, enquanto a minoria sunita protagoniza a elite e o poder político.

Boa parte do povo barenita se posicionou contra a presença da F1 no país (Foto: Divulgação)

Com a Primavera Árabe, muitos protestos tiveram origem, com a maioria da população insatisfeita com os desmandos do monarca barenita. Ao todo, foram pelo menos oito mortos em manifestações, pelas estatísticas oficiais, enquanto organizações de defesa aos direitos humanos falaram em números muito maiores. O governo do Reino Unido, por exemplo, desaconselhou seus cidadãos a viajarem ao Bahrein para a corrida que seria disputada em 13 de março. Diante de tantos protestos, ameaças e caos político, restou a Bernie Ecclestone, ainda que muito a contragosto, cancelar, em 22 de fevereiro, a prova que marcaria o início da temporada 2011.

A situação social do Bahrein não melhorou muito em 2012. Os protestos continuaram, embora em menor intensidade, e o clamor popular não arrefeceu. A tensão era muito grande, e muito se falou em um possível boicote. Diferente do ano anterior, mesmo com um cenário difícil, a corrida foi em frente. Naquela ocasião, com medo de um eventual ataque, a Force India deixou o circuito mais cedo e em comboio as dependências de Sakhir e não andou no segundo treino livre de sexta-feira. A ‘punição’ imposta pela F1 foi não mostrar a equipe da transmissão do terceiro treino e da classificação no sábado. Nos últimos dois anos, o GP do Bahrein foi realizado sem maiores sobressaltos.

2) A GRANDE BATALHA DE 2014

Foi um duelo épico, como há tempos a F1 não vivia. Após anos de domínio da Red Bull, a nova era turbo da categoria elevou a Mercedes à primeira potência em 2014, praticamente monopolizando o topo com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Depois de duas corridas consideradas sonolentas (Austrália e Malásia), o GP do Bahrein levou um alento ao espectador que esperava por mais ação da F1 e reclamava de tudo: das novas regras e do ronco quase silencioso das novas unidades de força. E a prova em Sakhir do ano passado viu um duelo para a história, com Hamilton segurando Rosberg ‘na ponta dos dedos’ para subir novamente no lugar mais alto do pódio.

A corrida também teve um surpreendente Sergio Pérez no pódio após o mexicano ganhar uma grande disputa contra Nico Hülkenberg, seu companheiro de equipe na Force India. Os leitores do GRANDE PRÊMIO elegeram aquela como a melhor corrida de 2014. Em uma categoria cada vez mais marcada (e manchada) por jogos de equipe e ordens inexplicáveis via rádio, ninguém aliviou o pé, todos deram o melhor e fizeram do esporte o grande vitorioso daquele dia 6 de abril.

3) A PRIMEIRA VITÓRIA DE ALONSO PELA FERRARI

Há pouco mais de duas semanas, Sebastian Vettel sentiu o prazer de vencer pela primeira vez pela maior equipe da história da F1. Mesmo com tantos triunfos em sua carreira, o alemão se emocionou como um menino ao levar a Ferrari ao topo do pódio do GP da Malásia, em Sepang. Fernando Alonso viveu sentimento parecido há pouco mais de cinco anos.

Nos anos em que contou com o melhor carro da F1, Fernando venceu o GP do Bahrein: 2005 e 2006, pela Renault. Seu histórico em Sakhir já era muito positivo, mas o espanhol ficou longe da vitória nos anos seguintes, tanto na sua única temporada pela McLaren como em 2008 e 2009, de volta à Renault. Em 2010, contudo, o asturiano tinha uma motivação a mais para correr no meio do deserto: era sua estreia pela Ferrari, equipe que parecia estar vivendo em lua de mel com o piloto. Seu maior adversário na prova foi justamente Vettel, que liderou o maior número de voltas daquele cotejo, mas enfrentou problemas mecânicos e perdeu muitas posições. Alonso assumiu a liderança na volta 34 e não foi mais ameaçado, chegando à terceira vitória no Bahrein.

Cinco anos depois, a carreira de Alonso na Ferrari já é coisa do passado. Hoje, o piloto tem a incumbência de levar a McLaren de volta às primeiras posições. No entanto, no início deste novo casamento com a Honda, nem mesmo os pontos parecem possíveis à equipe britânica neste momento. Assim, o fim de semana do maior vencedor do GP do Bahrein pode ser amargar, novamente, as últimas posições do grid e sequer chegar à zona de pontuação.

4) SURPRESAS NA POLE

Na metade final dos anos 2000, Robert Kubica era apontado por muitos especialistas como um futuro campeão mundial de F1. Único polonês a fazer parte do grid da categoria, o talentoso e jovem piloto teve, na temporada 2008, um grande carro nas mãos. O F1.08, modelo da BMW Sauber, era empurrado pelo melhor motor da F1 naquele ano e se mostrava em condições de lutar até por vitórias contra McLaren e Ferrari, as duas protagonistas do campeonato.

Hoje no WRC, Robert Kubica brilhou em Sakhir com o carro da BMW Sauber (Foto: Getty Images)

Na terceira etapa, Kubica teve um desempenho excepcional na classificação e bateu Felipe Massa por apenas 0s027 para conquistar a primeira e única pole-position da sua carreira. Hoje, ainda se recuperando do terrível acidente que o tirou da F1, em 2011, o piloto de Cracóvia está com 30 anos e disputa o Mundial de Rali (WRC).

Em 2009, uma surpresa voltou a marcar a pole-position no Bahrein. A Brawn GP era a grande força no início daquele campeonato, com Jenson Button despontando como favorito em Sakhir. Mas Jarno Trulli conseguiu desbancar o britânico e colocou a Toyota na posição de honra do grid. Aliás, a equipe japonesa, que despejou bilhões de dólares enquanto esteve na F1, fez toda a primeira fila, com Trulli na frente e Timo Glock em segundo lugar. Foi um dos últimos brilharecos da Toyota, que, sem conquistar o objetivo de ser campeã, deixou a categoria no fim daquele campeonato.

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