Perto do adeus, Vettel faz reflexão honesta de tempo na Ferrari: “Falhamos”

O tetracampeão não buscou meias palavras e reconheceu que não conseguiu atingir as metas estabelecidas quando se juntou à Ferrari em 2015. O alemão de 33 anos citou motivos, mas evitou apontar desculpas

Sebastian Vettel vai se despedir da Ferrari no GP de Abu Dhabi deste fim de semana com sensação de derrota. Titular da equipe de Maranello desde a temporada 2015, o alemão reconheceu que falhou na missão de ser campeão pela escuderia italiana.

Tetracampeão pela Red Bull, Vettel passou seis temporadas com a Ferrari, somando 14 vitórias, 55 pódios e 12 poles. O melhor resultado veio em 2017 e 2018, quando assegurou o vice-campeonato.

Em uma era de domínio da Mercedes, porém, Vettel ficou longe de alcançar o sonho do título com a lendária escuderia vermelha. E nem mesmo os bons resultados servem para aplacar o julgamento do piloto que utiliza o #5.

Sebastian Vettel conseguiu um único pódio neste ano (Foto: Ferrari)

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“Ainda não muda nada”, disse Vettel. “Ainda falhamos. Tínhamos a ambição e a meta de vencer o campeonato. E não vencemos, então é só uma reflexão honesta. Não acho que dizer isso em voz alta mude muita coisa”, seguiu.

Sebastian reconheceu que a Fórmula 1 vive um momento atípico com o encaixe perfeito entre Lewis Hamilton e Mercedes, mas, mesmo assim, reiterou que vê o resultado final da passagem pela Ferrari como uma derrota.

“Provavelmente, estávamos enfrentando uma combinação piloto/equipe muito forte, uma das mais fortes que vimos até aqui. Mas nossa meta era sermos mais fortes do que isso. E, nesse sentido, falhamos. Como eu disse, existem razões para isso”, comentou. “Tivemos boas corridas, corridas ruins, chegamos perto, às vezes ficamos longe. Existem muitos motivos, mas, no panorama geral, acho que não é injusto, é só a verdade. Não há nada de errado em dizer isso em voz alta”, sublinhou.

Vettel, porém, não apontou para a pressão de vestir o vermelho Ferrari como uma das causas para encerrar a parceria aquém da expectativa.

“Não sei se acredito nessa coisa de pressão, acho que pressão você coloca em si mesmo”, opinou. “Como eu disse, eu tinha uma missão clara e a meta de vencer”, insistiu.

“Acho que, obviamente, tinha um apego emocional ao time, já que cresci vendo Michael [Schumacher] vencer e etc. Então foi muito especial me juntar à equipe”, comentou. “Mas essa coisa de pressão, acho que também o fato da pressão na Itália, os fãs e tudo mais, sim, isso existe. Mas, no fim, eu sempre tive as mais altas expectativas em mim mesmo e acho que fui o primeiro e o maior juiz se não as alcancei”, ponderou.

O piloto de 33 anos também recordou a atuação no GP da Alemanha de 2018. Na ocasião em Hockenheim, o tetracampeão da F1 era líder do Mundial, mas, nas voltas finais da corrida, errou sozinho na entrada do estádio por conta da pista úmida, bateu na barreira de proteção e abandonou. Hamilton venceu, mudou os rumos da disputa e acabou campeão naquele ano.

“Pode ter certeza de que, quando enfiei o carro na brita na Alemanha, fiquei bravo antes dos tifosi ficarem bravos”, garantiu. “Soa bem e acho que coloca um pouco de drama em tudo, mas, certamente, não estou usando isso como desculpa por falhar aqui e ali. Se a ambição é vencer, se a meta é vencer e ser bem sucedido, então você é o primeiro a perceber. E isso não depende de pressão exterior”, alegou.

“Dito isto, tudo mundo é diferente. Mas, para mim, não foi uma coisa que me segurou ou nos segurou”, observou.

O alemão assegurou, contudo, que o acidente de Hockenheim não foi um ponto decisivo na relação com a escuderia de Maranello.

“Não. Foi uma montanha russa ao longo dos anos, com muitas coisas acontecendo. Em termos de momento naquele ano, não ajudou. Foi um erro pequeno, mas com uma consequência enorme e uma punição imensa. Mas, com certeza, tinham mais coisas acontecendo na temporada 2018. Teve a morte do Sr. [Sergio] Marchionne, a mudança de liderança de Maurizio [Arrivabene] para Mattia [Binotto], então talvez 2018 tenha sido um ano decisivo por muitas razões”, indicou.

“Mas não sei mesmo se dá para reduzir para uma única coisa. Obviamente, em 2016, nos separamos de James [Allison], por causa de conflitos pessoais na época. E acho que, olhando para trás, tinham muitas coisas que deveríamos e podíamos ter feito melhor”, admitiu. “Mas tudo que aconteceu, aconteceu por uma razão. O principal, do meu lado, é garantir que aprendi com isso e acho que cresci com isso, como momentos na pista, como mencionei com a Alemanha ou Hockenheim. Outros momentos foram fora da pista”, expressou.

“Então, no geral, acho que me sinto muito mais confortável ou em um lugar melhor do que naqueles anos, mas, com certeza, na época não foi fácil”, encerrou.

Na temporada 2021, Vettel vai defender as cores da Aston Martin ao lado de Lance Stroll.

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