Gasly carrega AlphaTauri sozinho. E isso é motivo para pensar em nova equipe para 2022

Pierre Gasly já parece ser grande demais para a AlphaTauri, sendo responsável por quase todos os pontos em 2021. Isso é ótimo para a escuderia, mas preocupante para o francês

MotoGP preparou vídeo com imagens da carreira em tributo a Jason Dupasquier (Vídeo: MotoGP)

Não faz muito tempo que o GRANDE PRÊMIO levou ao ar uma análise sobre os extremos da AlphaTauri. Não havia uma visão muito otimista: a equipe já deixava claro que as previsões otimistas pós-testes eram exageradas e que, no fim das contas, o jeito era apostar as fichas no talento de Pierre Gasly. Só que até isso tem limite: será que o francês tem mesmo essa paciência toda para seguir carregando sozinho a escuderia italiana nas costas?

A resposta para essa pergunta depende muito do que Gasly quer para seu futuro. Se o francês quer apenas ser o primeiro piloto em uma equipe qualquer, com todo mundo trabalhando ao seu redor, a AlphaTauri não é de todo ruim. Já está claro que Yuki Tsunoda vai precisar de tempo até levantar voo e há uma relação muito amistosa em Faenza. O problema vai ser se Pierre tiver a ambição de voltar às primeiras posições do grid, que é certamente o mais provável. Aí uma situação começa a se desenhar: o ainda jovem piloto deseja algo que será muito difícil de conseguir sem uma mudança de horizontes.

Pierre Gasly é responsável pelos melhores resultados da AlphaTauri no ano (Foto: Red Bull Pool Content/Getty Images)

Basta olhar para esse começo de campeonato. O começo de campeonato de Gasly tem resultados verdadeiramente bons apenas em situações excepcionais: em Ímola, na chuva, e em Mônaco, diferente por natureza. Fora isso, foi necessário fazer chover para descolar décimos lugares em Portimão e Barcelona. Novas provas de talento, claro, mas que não mudam impressões positivas já deixadas em 2020, quando Pierre já mostrou ao mundo que não é apenas um piloto que fracassou na Red Bull em 2019.

A questão é o que fazer daqui pra frente. Se houver crença em uma evolução nítida da AlphaTauri, até faz sentido renovar o contrato por mais algum tempo. A aliança técnica com a Red Bull significa que esse salto é possível, apesar de ainda não ter acontecido de verdade. 2022 talvez seja o ano de mudanças embaladas pelo regulamento técnico, vai saber. Se Pierre não acreditar nisso, a permanência em Faenza é uma forma de comodidade: o francês vira rei e empilha resultados positivos contra o companheiro de equipe, mas que pouco significam quando analisamos um panorama maior. Não há troféu para o sexto lugar, assim como não há título para quem leva a melhor na disputa interna de uma equipe.

Se Gasly quiser ter a chance real de conseguir troféus com alguma regularidade, indo além das corridas loucas do Brasil em 2019 e da Itália em 2020, será necessária uma mudança de ares. Se possível, já em 2022 – apesar de tal opção ser deveras improvável. Olhando apenas para equipes claramente acima da AlphaTauri: Ferrari e McLaren estão com duplas já garantidas, Mercedes tem olhos apenas para seus pupilos e Red Bull… até é possível, mas dependeria de uma boa vontade que já não foi vista no ano passado. Qualquer outro movimento seria de alto risco e sem retorno muito claro.

Pierre Gasly virou um nome valorizado após o ótimo 2020 (Foto; Red Bull Content Pool)

Se Gasly quiser uma mudança de ares em 2023, o cenário fica mais favorável. Poucos pilotos têm contratos de longo prazo e dá para acreditar em reviravoltas no mercado de pilotos. Isso vai passar pela decisão difícil de desistir do sonho de uma nova chance na Red Bull, mas talvez seja uma ruptura necessária para abrir novas portas.

Tudo isso soa incerto, porque de fato é. Importante mesmo é saber que Gasly já deu um grande passo adiante nos últimos anos, virando um piloto que já parece ser grande demais para a AlphaTauri. Que bom que os italianos podem contar com Pierre, fundamental para qualquer que seja o resultado final no Mundial de Construtores. Só que já está claro: ou a turma de Faenza finalmente começa a cumprir expectativas, ou o francês tem todo o direito de sair distribuindo o currículo pelo paddock.

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