Pirelli defende pneus “super intermediários” para resgatar rendimento de F1 na chuva

Mario Isola, diretor da Pirelli, está atento às avaliações negativas dos pilotos sobre os compostos de faixa azul e, por isso, pensa em uma nova saída para reduzir o spray e melhorar a visibilidade na chuva

A Pirelli está de olho nas críticas sobre os seus pneus de chuva extrema e, por isso, pensa em introduzir um terceiro tipo de composto para essas condições, chamado de “super intermediário”. A fornecedora oficial da Fórmula 1 sofre com as avaliações negativas dos pilotos, o que voltou a acontecer de forma veemente durante a corrida sprint na Bélgica.

George Russell, da Mercedes, afirmou que os pneus de faixa azul são inúteis e vários pilotos apontam que só fazem uso deles quando andam atrás do safety-car, já que a regra determina seu uso. Embora os compostos de chuva reduzam o risco dos carros aquaplanarem, as voltas em pista são bastante lentos e, assim, na primeira chance, o grid faz a troca para os intermediários, menos resistentes aos grandes volumes de água no circuito.

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A falta de visibilidade nas corridas com chuva ficou mais evidente após a morte do holandês Dilano van’t Hoff, da FRECA, em julho. O diretor da Pirelli, Mario Isola, afirmou que essas conversas são fundamentais para decidir como a categoria vai encarar provas nessas condições e como deseja que seus pneus se comportem.

Mario Isola, Pirelli, Fórmula 1
Mario Isola defende a criação de um pneu entre as faixas verde e azul (Foto: Pirelli)

“Em Spa, tivemos um feedback claro sobre a situação dos compostos intermediários e de chuva. Precisamos sentar junto com a FIA, equipes, e a F1, é claro. Ficaria feliz se alguns dos pilotos estivessem dispostos a participar da reunião e precisamos decidir o que queremos”, falou ao RaceFans.

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Isola defendeu a melhora dos pneus da Pirelli na chuva, lançados nesta temporada, porém, reconheceu a diferença abissal de desempenho entre os de faixa azul e faixa verde em circuitos como o de Spa-Francorchamps.

“Ao testarmos os compostos sem cobertores, descobrimos que o desempenho em Fiorano e Paul Ricard foi cinco ou seis segundos mais rápido que o antigo pneu de chuva, e o aquecimento não foi um problema, por isso, enviei o pedido e todas as equipes tiveram acesso ao relatório do nosso teste e votaram para introduzir o novo pneu em 2023″.

George Russell afirmou que os pneus de chuva da Pirelli são inúteis (Foto: AFP)

Mario concorda que a questão de performance não é o suficiente para estes compostos e se justificou dizendo que os testes foram feitos em circuitos menores em relação a Spa e Silverstone, por exemplo. “De acordo com os dados que tivemos, o molhado tem um cruzamento em torno de 115, 116% de um tempo de volta seco, que é o número certo considerando o crossover entre eles”.

A prioridade de desenvolvimento da F1 para os pneus de chuva da Pirelli visa permitir que as equipes os usem sem pré-aquecimento. Isso foi concluído e os pneus atuais não precisam mais ser aquecidos em cobertores antes do uso. Isola, no entanto, garante que o futuro do desenvolvimento dos compostos vai depender de como a F1 pretende lidar com a questão de visibilidade.

Em julho, a FIA iniciou o período de testes de um novo conceito de carroceria, o spray-guard, que ainda não está pronto. Caso esse dispositivo não funcione, o diretor da Pirelli vê que um novo jogo de pneus entre os intermediários e os de chuva seja a solução.

Dilano van ‘t Hoff morreu aos 18 anos durante etapa de Spa da FRECA (Foto: Reprodução)

“Se a ideia é criar um dispositivo capaz de reduzir a pulverização e, portanto, dar-lhes a possibilidade de correr em condições de chuva total, temos de manter os dois produtos ficar com o intermediário que temos agora e o novo intermediário que está rodando sem cobertores e melhorar o pneu de chuva. Temos que decidir qual é a direção que queremos seguir para o futuro da F1″, declarou.

Isola reafirma que a Pirelli tem capacidade de desenvolver um pneu com desempenho melhor em condições mais úmidas e ressaltou que depende das prioridades da categoria. “A ideia deste super-intermediário é algo que estávamos discutindo depois da corrida sprint. Mas não quero antecipar nenhuma conclusão porque vamos analisar os dados”.

Por fim, Mario acredita que o novo pneu de chuvas, sem mantas, funciona muito bem em circuitos de baixa gravidade, mas não em pista de alta e, assim, precisa-se encontrar o equilíbrio. “É uma direção possível. Mas se tivermos que trabalhar em outra ponta, teremos de adiar o desenvolvimento de um novo padrão. Não apenas uma decisão da Pirelli”, completou.

A McLaren foi uma das equipes que testaram pneus de chuva após o GP da Bélgica (Foto: McLaren)

Após o GP da Bélgica, a Pirelli permaneceu em Spa e passou dois dias testando pneus de chuva e intermediários com a McLaren e a Aston Martin. A F1 enfrenta preocupações com a má visibilidade em condições de chuva, que aumentaram nas últimas temporadas pela introdução de carros e pneus mais largos em 2017. Os novos regulamentos técnicos, introduzidos no ano passado, permitiram às equipes gerar mais downforce, o que leva a grandes volumes de spray quando a pista é molhado.

Fórmula 1 entrou de férias e retorna somente no fim de agosto, entre os dias 25 e 27, com o GP da Holanda, em Zandvoort, 12ª etapa da temporada 2023. E o GRANDE PRÊMIO acompanha tudo.

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