Por “mercado crescente”, F1 considera transferir GP da China para fim do ano

A não realização do GP da China em 19 de abril, como ainda está previsto no calendário, parece meramente questão de tempo para ser oficializada. Mas a F1 luta para garantir uma data para a corrida no fim da temporada, embora dezembro seja uma possibilidade pouco plausível. Ross Brawn disse que a ideia é encontrar uma janela para tentar fazer o evento ir adiante

A epidemia do novo coronavírus já cancelou vários eventos esportivos na China, e a F1 tende a seguir o mesmo caminho. Na última quarta-feira, a Federação Esportiva de Xangai suspendeu todas as atividades esportivas enquanto durar a epidemia, e isso inclui também o GP da China, marcado originalmente para os dias 17 a 19 de abril. Entretanto, o Liberty Media entende que o país é um mercado importante demais para tirar a prova do calendário e considera adiar a etapa para o fim do ano.
 
Em entrevista a veículos como o site norte-americano ‘Motorsport.com’, Ross Brawn, diretor-esportivo da F1 nomeado pelo Liberty Media, deixou claro que a empresa vai tentar de tudo para alocar o GP da China no calendário desta temporada.
 
“Acho que, se houver uma possibilidade de que [o GP da China] não aconteça em abril, vai ser adiado. Vamos deixar em aberto a oportunidade de ver se a corrida pode acontecer no fim do ano. A China é um mercado entusiasmado e crescente. Por isso, gostaríamos de ter uma corrida na China”, salientou.
O Liberty Media tenta encontrar uma data no fim do ano para o GP da China (Foto: McLaren)
Ao ser questionado sobre uma eventual troca de datas com outra corrida, Brawn rechaçou a ideia. “Provavelmente não faremos isso. Vamos simplesmente tentar encontrar uma janela para ver se a corrida pode acontecer no fim do ano”, disse o britânico. 
 
Recentemente, a revista alemã ‘Speed Week’ reportou que os promotores do GP da China levantaram a possibilidade de inverter datas com o GP da Rússia, prova marcada para 27 de setembro. Mas Sóchi recusou.
 
Em teoria, uma alternativa é aproveitar a janela entre os GPs da Rússia e do Japão, com a prova em Suzuka agendada para 11 de outubro, para marcar o GP da China no dia 4 do mesmo mês. Entretanto, o calendário teria assim três provas consecutivas. Outra opção seria agendar a prova em Xangai para dezembro. Entretanto, o ‘Motorsport.com’ reporta que tal ideia não é do agrado das equipes.
De acordo com a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, a F1 sugeriu alocar o GP da China uma semana depois do GP da Hungria, realizando a prova em Xangai em 9 de agosto, somente sete dias depois e Budapeste. Só que, neste caso, as férias de verão seriam encurtadas em uma semana, portanto tal proposta foi rejeitada pelas equipes. Além do mais, a publicação levanta a questão de que não dá para afirmar se a epidemia do novo coronavírus vai estar contida até agosto, por exemplo.
 
Outra sugestão foi incluir Xangai como a penúltima corrida do calendário, entre os GPs do Brasil e de Abu Dhabi. Só que a proposta também foi rejeitada pelas equipes por conta do amplo desafio logístico. Afinal, três corridas em finais de semana seguidos em lugares tão distantes uns dos outros é algo completamente inviável na visão dos times do grid da F1.
 
Ciente do cenário complicado que tem com a indefinição da etapa chinesa, Brawn entende que é questão de pouco tempo para uma decisão ser tomada a respeito. “Parece muito difícil. Estamos aguardando o promotor e as autoridades chinesas tomarem a decisão final, o que acho que eles o farão. Eles cancelaram todos os eventos públicos em março. Portanto, não há eventos ou atividades esportivas públicas”.
 
O dirigente lamentou pelo momento vivido pelo país. “É uma situação trágica e muito difícil. Acho que vai ficar claro na próxima semana ou nas próximas duas o que vai acontecer”.
 
Brawn explicou o motivo de precisar de uma decisão rápida por parte dos promotores do GP da China e também da FIA. “Existem dois prazos logísticos. Um é quando todo o frete marítimo sai nesta semana ou na próxima. Coisas como combustível e assim por diante vão em um navio. Mas isso não é desastroso se mudar e precisar ser enviado de volta. Então, entramos no caso das pessoas que estão fisicamente por lá. Esse é um grande desafio para as pessoas que se preparam para a corrida. Essa é uma fase crítica. E isso vai acontecer em duas ou três semanas. Acho que esse é o ponto em que você realmente precisa dizer qual é a situação”, concluiu.

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