F1

Prefeito e governador garantem GP do Brasil de 2020 em Interlagos e dizem que “não abrem mão da F1 em SP”

Reunidos no Palácio dos Bandeirantes, Bruno Covas e João Doria asseguram que o contrato atual com a Fórmula 1 vai ser honrado normalmente e que haverá uma reunião com Chase Carey, do Liberty Media, para renovação do acordo

Grande Prêmio / GABRIEL PEDRESCHI, de São Paulo / VICTOR MARTINS, de São Paulo
"O GP do Brasil está em São Paulo e continuará em São Paulo". Esta foi uma das frases utilizadas pelo governador de São Paulo, João Doria, para abrir a coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (10) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O encontro foi estabelecido para marcar a posição da cidade e do estado frente ao termo de compromisso assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que, segundo ele, levaria a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro a partir do ano que vem.

Antes de passar a palavra a Bruno Covas, prefeito de São Paulo, Doria disse que "até 2020, temos um contrato que estabelece cláusulas rigorosíssimas de ambas as partes, com multas pesadíssimas, em caso de rompimento" e que "não há nenhuma razão para pensar que a continuidade deste evento siga na capital paulista".

"Não houve nenhum fato que possa ter determinado algum nível de compliance ou ruído que motivasse qualquer decisão dos novos promotores a não continuar realizando aqui em São Paulo o GP do Brasil. Nada temos contra a cidade do Rio de Janeiro, mas tem um contrato a ser cumprido e tem um prefeito e um governador que vão lutar pela manutenção do GP em São Paulo", falou Doria. "Não abriremos mão da Fórmula 1 em São Paulo. É um dos melhores circuitos, avaliado pelos pilotos, que atestam que está entre os cinco melhores do mundo", disse.
João Doria (Foto: Reprodução)
Outro fator, segundo Doria, é a "capacidade econômica" do GP, que sustenta parte do investimento da F1 e proporciona retorno para os detentores da F1, bem como as marcas envolvidas. "A presença de público também é determinante, já que sempre tem um grande público.

O governador ainda aproveitou para falar do fato da F1 no Rio de Janeiro. "Eu já sobrevoei a região de Deodoro de helicóptero. Não existe nada. Não dá pra imaginar que possa ter um autódromo internacional, qualificado pela federação e promotores para realizar a corrida em 2020. Algo não orna neste processo", disse.

Covas confirmou as tratativas para renovar o acordo com a F1. "A corrida do ano passado não teve nenhum sinistro, nenhum problema e foi um sucesso", garantiu. "Não houve nenhuma resistencia do Liberty (Media) para discutir os termos da renovação e já tem uma reunião marcada para junho para dar continuidade, com a presença do Chase Carey", afirmou o prefeito, que salientou que "a prefeitura não paga nenhum valor à F1 e que "a gente desconhece qualquer dívida".

O prefeito admitiu que "a gente ficaria surpreso com uma não renovação" de acordo. "Se houvesse qualquer problema, a gente teria desmarcado a próxima reunião e ele (Carey) confirmou que volta em junho para continuar as tratativas", acrescentou.

Também estiveram na coletiva o vice-governador, Rodrigo Garcia; o Secretário da Fazenda, Henrique Meirelles; e o Secretário de Turismo, Vinicius Lummertz. Não houve representantes da Interpub, empresa que organiza o GP do Brasil. 
Bruno Covas (Foto: Reprodução)
Covas liberou R$ 2.122.941,44 para reforma no autódromo em fevereiro deste ano, sinalizando o compromisso da cidade em manter a parceria com a Fórmula 1. Os boxes foram demolidos e passam por uma ampliação e modernização.

Na última terça-feira, o prefeito paulistano pediu à Câmara Municipal que retirasse e, consequentemente, arquivasse o projeto de lei 705/17 que permitia a privatização de Interlagos

Um dia depois, o presidente Jair Bolsonaro assinou, junto com o governador Wilson Witzel e o prefeito Marcelo Crivella, um termo de compromisso para realizar o GP do Brasil no autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro, a partir da próxima temporada. "Em São Paulo, como tinha participação pública, uma dívida enorme, tornou-se inviável a permanência da F1 lá. O autódromo será construído em seis, sete meses após o início das obras. De modo que, por ocasião da F1 do ano que vem, ela será no Rio", falou o presidente.
GP do Brasil de F1 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Mas São Paulo ainda tem contrato em vigor para receber a corrida de 2020, bem como a citada pista sequer existir. Além disso, nenhum autódromo consegue ser construído no período proposto — nem em um ano. 

Ao GP, o Diretor de Operações da F1, Sean Bratches, indicou que não sabia que haveria um evento em que seria revelada a assinatura do compromisso do Rio com a categoria.

O Diário Motorsport, parceiro do GRANDE PRÊMIO, revelou nesta quinta que, desde novembro do ano passado, a prefeitura já opera a prorrogação do atual contrato para seguir como sede do GP do Brasil no Autódromo Municipal José Carlos Pace. Assinado em 2014 pelo então prefeito Fernando Haddad e o promotor Tamas Rohonyi, o compromisso atual tem como evento de conclusão a corrida de 2020. Entretanto, uma cláusula de prorrogação cria condições para ampliar por mais cinco anos.