Prévia: em Mônaco, Hamilton tenta evitar avanço de Rosberg e renascer em 2016

Mesmo vendo ir pelos ares a chance de vencer pela oitava vez consecutiva e a quinta só neste ano, Nico Rosberg segue como o piloto do ano na F1. E o alemão chega a Mônaco, seu feudo, disposto a repetir um feito só alcançado por Ayrton Senna. Mas Lewis Hamilton precisa muito superar o rival para enfim renascer na temporada

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O mais tradicional dos GPs do Mundial de F1 será disputado pela 63ª vez na história neste fim de semana. O GP de Mônaco, dono de uma aura singular em razão de todas as lendas que nasceram nas ruas do Principado, recebe uma etapa bastante aguardada na temporada 2016, tanto pelos pilotos, com muitos deles residindo na cidade, como também pelo público, ansioso em ver carros a mais de 300 km/h nas ruas monegascas.
 
Mônaco tem em sua história alguns fatos inacreditáveis: para ficar nos mais recentes, o acidente com Ayrton Senna, que perdeu uma vitória certa em 1988; o histórico triunfo do mesmo Senna sobre Nigel Mansell em 1992 e a vitória incrível de Olivier Panis há vinte anos. Não dá pra esquecer da trapalhada da Mercedes que, no ano passado, chamou Lewis Hamilton para os boxes para uma parada totalmente desnecessária, abrindo as portas para a terceira vitória seguida de Nico Rosberg no Principado.
 
E é Rosberg que entra no fim de semana como grande favorito à vitória em Mônaco. Não apenas por ser, dentre os pilotos do grid, quem chega com vitórias nas últimas três edições da prova. Não apenas por ser o líder do campeonato e grande nome deste ano, com 100 pontos e quatro triunfos, mas também por contar com o melhor carro do grid e estar num momento psicologicamente melhor em relação ao companheiro de equipe e rival.
Se vencer pela quarta vez seguida em Mônaco, Rosberg alcançará um feito só antes logrado por Ayrton Senna (Foto: AP)
O incidente em que Hamilton envolveu Rosberg na primeira volta do GP da Espanha indicou, embora Nico estivesse mesmo mais lento em razão do mapeamento do seu motor, que Lewis está desesperado para reagir e dar a volta por cima depois de tantos problemas na temporada. Só que desespero não combina com Mônaco, e Rosberg, com a tranquilidade de quem está 43 pontos à frente, sabe que é o adversário quem tem mais a perder em um novo embate.
 
Hamilton, por outro lado, já mostrou que não funciona da mesma forma quando está em desvantagem. E tudo isso acaba jogando em favor de Nico, que tem todas as credenciais para vencer mais uma na temporada. Se conquistar a pole, o alemão vai ficar com uma mão na taça no domingo.
 
E se vencer, Rosberg vai entrar mais uma vez para a história da F1. Depois de vencer sete corridas consecutivas e igualar lendas como Alberto Ascari e Michael Schumacher, Nico, caso suba no topo do improvisado pódio do GP de Mônaco, pode repetir o feito de Ayrton Senna, o único a vencer mais de três vezes seguidas nas ruas monegascas. Para Hamilton, considerando que a meta é evitar que Rosberg aumente sua vantagem no Mundial de Pilotos, a hora de reagir é agora.
 
Há um respeito muito grande da Mercedes em relação à Ferrari, e isso é nítido nas declarações de Rosberg, Hamilton, e da cúpula formada por Toto Wolff e Niki Lauda. Mas o time de Maranello não deve chegar nem mesmo como segunda força a Mônaco. Depois da franca evolução evidenciada pela Red Bull em Barcelona, os taurinos vão contar, ao menos em um carro, com a nova evolução do motor Renault (TAG Heuer).
As atenções também estarão voltadas para Max Verstappen, a mais nova estrela da F1 (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

Levando em conta que o chassi RB12 é o melhor e mais equilibrado de todo o grid, é plenamente possível ver a Red Bull novamente melhor que a Ferrari, como já aconteceu em Barcelona, há quase duas semanas. É uma pista que historicamente se encaixa à Red Bull, de modo que vale a pena esperar o que Daniel Ricciardo e, principalmente, Max Verstappen vão poder fazer no fim de semana.

 
Sobre Verstappen, é inegável que o jovem holandês de 18 anos chega a Monte Carlo como a grande estrela do fim de semana. O feito sem par alcançado no GP da Espanha fez com que Max alcançasse um novo patamar na F1. O momento é o oposto daquele vivido pelo piloto quando deixou Mônaco, há um ano, após ter sido considerado culpado pelo acidente com Romain Grosjean, acertando o então piloto da Lotus.
 
Naquela ocasião, Verstappen foi alvejado por críticas de todo o tipo por sua condução agressiva e por ser considerado inconsequente por muitos dos seus pares na F1. Um ano depois, Max chega a Mônaco como um jovem novo herói e campeão do mundo em potencial. Ninguém questiona o talento e a personalidade do menino Verstappen, mas agora, com esse novo patamar alcançado, Massa está certo ao dizer que ele, Max, terá agora de confirmar seu brilho e seu potencial.
 
Há uma grande expectativa também sobre o que a McLaren poderá fazer em Mônaco no fim de semana. Existe um sentimento muito grande de confiança sobre o potencial do chassi, já que o motor nem conta muito num circuito como Mônaco. A evolução da equipe de Woking é nítida, com Fernando Alonso avançando pela primeira vez ao Q3 com a McLaren-Honda em Barcelona. O desempenho do MP4-31 em trechos mais lentos, como o último setor do circuito catalão, acionou o ‘modo Empolgou’ em todos no time. 

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Olho na McLaren, que pode fazer bom papel no fim de semana em Mônaco (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

Não seria exagero ver a McLaren andando até à frente da Williams em Mônaco. A equipe de Felipe Massa e Valtteri Bottas é outra incógnita. Pat Symonds e o próprio Felipe Massa acreditam numa jornada difícil, porém não esperam por tantas dificuldades como nos dois últimos anos, quando a Williams se arrastou no Principado. Tanto que um dos focos do time de Grove, quando projetou o FW38, esteve na melhora do chassi em trechos mais lentos, como é o circuito de Mônaco.
 
A corrida é a mais curta do calendário, com apenas 260 km de prova. O desgaste dos pneus é mínimo, de modo que boa parte das equipes deve optar por apenas uma parada. Fica a curiosidade para ver como vai ser o desempenho dos novos pneus ultramacios, que vão à pista pela primeira vez em um fim de semana de corrida justamente em Mônaco. Mas o leque de estratégias pode ser aberto caso haja muitas entradas do safety-car. Com tantos carros passando perto do guard-rail, o risco é iminente e muita coisa pode acontecer em 78 voltas.
 
O clima, sempre ele, também pode desempenhar um papel importante no fim de semana, sobretudo no domingo. Lembrando sempre que em Mônaco os primeiros treinos livres começam na quinta-feira (e não na sexta, como é usual), a previsão do tempo para o primeiro dia de atividades de pista no Principado indica céu parcialmente nublado, mas sem possibilidade de chuva. No sábado, a meteorologia aponta céu azul, novamente sem chance de chuva. 
 
Mas segundo o ‘Weather Channel’, há uma possibilidade de 50% de que ao menos parte do GP de Mônaco aconteça com pista molhada. Portanto, é mais um ingrediente que pode acrescentar emoção e imprevisibilidade no fim de semana do mais tradicional dos GPs do calendário da F1.
 
Prognóstico do GRANDE PRÊMIO:
1 6 NICO ROSBERG ALE MERCEDES
2 44 LEWIS HAMILTON ING MERCEDES
3 3 DANIEL RICCIARDO AUS RED BULL TAG HEUER
4 33 MAX VERSTAPPEN HOL RED BULL TAG HEUER
5 14 FERNANDO ALONSO ESP McLAREN HONDA

RAPIDINHAS…

 1) Esta vai ser a 63ª edição do GP de Mônaco. Apenas dois GPs foram realizados mais vezes: o da Itália e o da Inglaterra, 66 vezes ao todo. 

2) O GP de Mônaco é a única corrida do calendário que tem menos de 300 km de extensão. As 78 voltas no circuito do Principado totalizam 260 km. É que, com a baixa média de velocidade, a prova ultrapassaria o limite de tempo de duas horas.

3) Dos pilotos em atividade, já venceram em Mônaco: Nico Rosberg (2013, 2014 e 2015), Sebastian Vettel (2011), Jenson Button (2009), Lewis Hamilton (2008), Fernando Alonso (2006 e 2007) e Kimi Räikkönen (2005).

4) E já marcaram a pole: Lewis Hamilton (2015), Nico Rosberg (2013 e 2014), Sebastian Vettel (2011), Jenson Button (2009), Felipe Massa (2008), Fernando Alonso (2006 e 2007) e Kimi Räikkönen (2005).

5) A equipe com mais vitórias em Mônaco é a McLaren, com 15 triunfos, sete a mais que a Ferrari, segunda maior vencedora. E há alguns jejuns interessantes: a Ferrari não ganha desde 2001, com Michael Schumacher; a Williams, desde 2003, com Juan Pablo Montoya; e a própria McLaren, desde 2008, com Hamilton. 

6) A classificação é tão importante que, só em seis de 61 oportunidades, o vencedor não largou nas duas primeiras filas. O pole-position ganhou 28 vezes, e a pior posição de largada de um ganhador foi o 14º lugar de Olivier Panis, que venceu de forma épica em 2016.

7) Falando em Panis, ele é apenas um dos casos de pilotos que só venceu na F1 correndo em Mônaco. Os outros são: Maurice Trintignant (1955 e 1958), Jean-Pierre Beltoise (1972) e Jarno Trulli (2004).

 
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