Primeira metade de temporada da F1 em 2015 vê Mercedes ainda forte, Ferrari ameaçadora e fiasco da McLaren

A F1 2015 começou como terminou a última temporada. Ou seja, com a Mercedes no topo do pódio. E ainda mais forte do que no ano passado. Desta vez, os problemas confiabilidade desapareceram, e a equipe pode mostrar toda a sua superioridade. Porém, a Ferrari também apareceu mais competitiva e se deu bem nos poucos erros da equipe alemã

A metade da temporada 2015 da F1 viveu seu encerramento com o GP da Hungria, o décimo do calendário e que foi disputado no último fim de semana julho. E com vitória da ameaçadora Ferrari, pelas mãos de Sebastian Vettel. O triunfo comprovou a força ferrarista neste ano, mas isso não quer dizer que a supremacia da Mercedes tenha sido finalmente abalada.

Apesar do ressurgimento da equipe italiana, a esquadra prateada ainda dá as cartas no Mundial e até com facilidade — são dez pole-positions e oito vitórias. Se no último campeonato a grande falha dos alemães estava na confiabilidade, agora o calcanhar de Aquiles parece ser as decisões estratégicas. E, assim, a concorrência agradece e muito, especialmente o time de Maranello, que, além da competitiva SF15-T que construiu, também conseguiu tirar proveito das táticas atrapalhadas dos rivais.

Dessa forma, é a equipe liderada por Maurizio Arrivabene que aparece como segunda força do campeonato. É bem verdade que ainda está longe da Mercedes — são 147 pontos a favor da escuderia de Stuttgart —, mas já deixou claro que está atenta a qualquer pequeno vacilo, como o que aconteceu, especialmente, em Hungaroring. No Mundial de Pilotos, Vettel é o terceiro, 42 pontos atrás do líder Lewis Hamilton, dono de cinco vitórias em 2015. 
A F1 começou na Austrália (Foto: Getty Images)
A terceira força do Mundial no momento é a Williams. Depois de ter dado impressão, principalmente na segunda parte da temporada 2014, de que viria mais forte neste ano e talvez mais perto da Mercedes, a realidade se mostrou bem diferente. A esquadra inglesa se assustou com o melhor desempenho da Ferrari e demorou a engrenar. Ainda assim, já foi ao pódio, mas esbarra em decisões erradas e um carro que ainda sofre com a falta de downforce e performance em pista molhada.
 
A Red Bull ainda se vê às voltas com o fraco motor da Renault. Depois vencer em três oportunidades em 2014, a temporada deste ano está sendo mais complicada do que a equipe imaginava. O RB10 não é tão bom quanto o antecessor, mas o que tem prejudicado a vida dos austríacos são os motores franceses. 
 
A falta de confiabilidade tirou a cúpula dos enérgicos do sério, o que provocou até uma guerra pública entre ambas as partes no início do ano. Mesmo em trégua, o cenário não mudou muito. E os melhores resultados da Red Bull vieram em circuitos em que o motor não é lá muito exigido, como Mônaco e Hungria. Em Hungaroring, inclusive, o time foi capaz de colocar seus dois pilotos no pódio. Mesmo assim, a equipe de Milton Keynes vem 55 pontos atrás da Williams, em quarto. E são impressionantes 287 de desvantagem para a líder, Mercedes.
 
Um pouco mais distante da Red Bull, a briga segue feroz entre Force India (5ª/39 pontos), Lotus (6ª/35) e Toro Rosso (7º/31). Mesmo atrasada com o seu projeto para 2015, a equipe indiana conseguiu se recuperar bem a partir, principalmente da etapa em Mônaco. Ainda assim, a versão B do VJM08 só veio à pista em Silverstone, na nona etapa. 
 
A Lotus, por sua vez, vem capengando aqui e ali. O principal responsável pelos pontos até agora é Romain Grosjean, que terminou na zona de pontuação em cinco oportunidades, enquanto Pastor Maldonado, às voltas com acidentes e punições, pontuou apenas duas vezes, no Canadá e na Áustria.
 
A Toro Rosso, assim como a Red Bull, também padece em função dos motores Renault. A equipe de Faenza construiu um competitivo STR10 e só não foi mais além por conta dos constantes problemas de confiabilidades. A esquadra também acertou ao apostar as fichas nos dois novatos Max Verstappen e Carlos Sainz. 
 
Já a Sauber decaiu depois de uma estreia primorosa na Austrália e agora é apenas a nona colocada no Mundial de Construtores. Limitada financeiramente, a equipe de Felipe Nasr e Marcus Ericsson lutou a primeira parte do ano com um carro errádico e com problemas seguidos de freios. Sem grandes atualizações, o time de Hinwil vai deixar as principais novidades, assim como uma nova versão do motor Ferrari, para a segunda fase do ano.
 
O fim da tabela do campeonato tem McLaren e Manor Marussia. A primeira sofre em uma temporada de reedição da parceria com a Honda. Os problemas têm sido bem maiores que o imaginado. A extrema falta de confiabilidade dos motores nipônicos tem provocado uma enorme dor de cabeça. E o time inglês só conseguiu mesmo pontuar em três oportunidades: Mônaco, Inglaterra e Hungria. Sendo nesta última, a melhor apresentação, com Fernando Alonso e Jenson Button na zona de pontos.
Fernando Alonso foi a grande ausência do GP da Austrália (Foto: AP)
Já a pequena Manor quase ficou fora do Mundial. E foi salva por um investidor de última hora, que apenas tinha um sonho de fazer parte da F1. A equipe precisou pular o GP em Melbourne e vem usando as provas para desenvolver o carro — o modelo ainda é o de 2014, mas com mudanças para atender ao regulamento 2015. A condição geral do time ainda é preocupante. A ideia de colocar na pista um carro atual já não está mais nos planos. O objetivo é apenas completar a temporada.
Dito isso, o GRANDE PRÊMIO relembra o que de mais importante aconteceu nas dez primeiras provas da temporada 2015 da F1.

Como de costume, as ações começaram em Melbourne, na Austrália, no dia 15 de março. Mas o GP no Albert Park foi bem mais agitado fora das pistas, na semana que antecedeu à corrida. Isso porque Giedo van der Garde, que havia assinado contrato com a Sauber para correr nesta temporada, foi descartado pela equipe suíça, que resolveu apostas fichas em Felipe Nasr e Marcus Ericsson.

 
O holandês não se deu por vencido e recorreu à Justiça australiana pelo direito de correr. E quase conseguiu. Chegou a até andar pelo paddock com o macacão da equipe. Mas foi só. Entre audiências e investigações, um gordo acordo financeiro acabou por colocar fim ao imbróglio e confirmar a dupla da Sauber na primeira prova do ano.
 
Além de todo drama vivido nos tribunais, a F1 também começou com menos gente no grid. Fernando Alonso teve uma concussão após o acidente em Barcelona no dia 22 de fevereiro, durante os testes de pré-temporada. Inicialmente, a McLaren tratou o assunto como normal e disse que não havia nenhuma lesão. Como se sabe, no entanto, o time recuou no posicionamento e viu seu recém-contratado bicampeão ficar fora da etapa australiana. A equipe inglesa colocou o reserva Kevin Magnussen, que havia ido ao pódio no ano passado, no lugar do espanhol. 
 
O outro desfalque em Melbourne foi Valtteri Bottas. O finlandês, na verdade, sofreu uma lesão durante a classificação no Albert Park. O piloto de 25 anos foi levado ao hospital logo depois do treino classificatório de sábado. Lá, ficou diagnosticada uma lesão leve no tecido da parte inferior de suas costas. O finlandês ainda tentou voltar à pista no domingo, mas, depois de avaliação, sua participação na corrida foi vetada.
 
Por fim, a corrida ainda teve início com apenas 17 carros. Isso porque a Manor Marussia, apesar de ter levado seus equipamentos para a Austrália, não andou em nenhum treino e também não alinhou no domingo. 
 
Na primeira aparição oficial, os carros já exibiram alguns elementos do novo regulamento, com os bicos menos agressivos. A FIA novas dimensões do bico dos carros para melhorar a segurança e o aspecto estético das peças, acabando com aquele aspecto fálico. Outra mudança foi no assoalho, que agora produz as faísca, quando um parafuso de titânio toca no chão. Tudo para melhorar o espetáculo. Só esqueceram de avisar a Mercedes.
 
A equipe alemã dominou o GP da Austrália de ponta a ponta. Foi a mais rápida em todos os treinos livres e ainda viu Lewis Hamilton cravar a pole e vencer tranquilamente. Nico Rosberg completou a dobradinha em uma prova em que não teve qualquer chance de enfrentar o colega de equipe. O pódio ainda teve a presença de Sebastian Vettel, que acabava de dar sinais do renascimento da Ferrari.
 
Vettel, mesmo largando em quarto atrás de Felipe Massa, conseguiu nos boxes a ultrapassagem sob o piloto da Williams e por lá ficou até o fim. Massa ainda terminou em quarto, à frente de Felipe Nasr, que conduziu a Sauber até o quinto posto, se tornando o melhor brasileiro a estrear na F1. Nasr ainda teve de segurar o ímpeto de Daniel Ricciardo nas voltas finais. 
 
Nico Hülkenberg, Marcus Ericsson, Carlos Sainz e Sergio Pérez completaram o primeiro top-10 do ano. Jenson Button ainda levou a McLaren até o 11º, em meio a uma prova cheia de abandonos.
Eis aí o pódio em Melbourne: Nico Rosberg, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel (Foto: Getty Images)
A Malásia foi a segunda parada da F1 em 2015. A prova em Sepang marcou a volta de Fernando Alonso e Valtteri Bottas à McLaren e à Williams, respectivamente. E também foi a primeira que a Manor Marussia participou. Mas o destaque da corrida malaia foi mesmo a Ferrari, que assustou a Mercedes.
 
No calor e na umidade de Sepang, a equipe italiana mostrou que construiu um carro bem acertado para esse tipo de condição, além do extremo cuidado com os pneus. Ficou claro também a melhor significativa do motor, agora mais potente.
 
Os treinos e a classificação, porém, testemunharam um domínio da Mercedes. E Hamilton novamente largou na pole, mas Vettel se colocou em segundo no grid. Rosberg foi o terceiro. Enquanto os brasileiros não foram tão bem. Massa saiu de sétimo, enquanto Nasr foi apenas o 16º, fazendo companhia a Alonso e Button, que sequer passaram ao Q2 com a McLaren.
 
Na quente corrida, a Ferrari se sobressaiu perante a Mercedes. E a decisão da equipe italiana em manter Vettel na pista no início da corrida, quando o safety-car entrou por conta de um incidente com Marcus Ericsson, foi acertada. A partir daí, o alemão imprimiu um ritmo forte, tirando proveito da parada antecipada dos rivais e levou a escuderia vermelha à vitória. Foi o primeiro triunfo do tetracampeão com o carro de Maranello e o primeiro desde 2013. 
 
Pega de surpresa, a dupla da Mercedes teve, então, a amarga tarefa de completar o pódio. O inglês cruzou a linha de chegada na segunda colocação, enquanto o alemão garantiu ainda um terceiro lugar.
Eis aí a festa do pódio em Sepang (Foto: Getty Images)
Depois da quente Malásia, foi a vez da poluída Xangai receber a terceira prova do ano. E, na China, a hierarquia da F1 voltou ao normal. Ou seja, a Mercedes dominou o fim de semana. Lewis Hamilton liderou todos os treinos livres e ainda saiu na pole. Vale o destaque: a única vez em que o nome do inglês não apareceu na ponta da tabela foi na primeira fase do Q1 da classificação, que acabou sendo liderado pela Ferrari de Vettel. De resto, o atual campeão comandou tudo, inclusive, a corrida. Rosberg completou a dobradinha, sendo seguido por Vettel. 
 
Mas o GP chinês não passou sem polêmicas. Aliás, foi lá a primeira envolvendo os pilotos da Mercedes. Rosberg acusou Hamilton de reduzir propositalmente o ritmo em determinado momento da prova. A atitude, sendo o alemão, o fez desgastar mais os pneus mais rapidamente, devido a aproximação da Ferrari de Vettel. Lewis não concordou. 
 
Como destaque negativo da prova, pode-se colocar aí a Renault. A quatro voltas do fim, o motor do carro de Verstappen explodiu lindamente na reta de chegada, provocando a entrada do safety-car. E, assim, a prova terminou, com a intervenção do carro de segurança. 
 
Comprovando a posição de terceira força do Mundial, a Williams se colocou em quinto e sexto, com Felipe Massa à frente de Valtteri Bottas. Felipe Nasr ainda foi o oitavo.
Lewis Hamilton e Nico Rosberg no pódio em Xangai em nova dobradinha da Mercedes (Foto: AP)
Uma semana depois, a F1 voltou a reunir no Bahrein, para a quarta etapa do Mundial. Ainda que expectativa fosse por uma batalha mais apertada entre os dois pilotos da Mercedes, em uma possível reedição do acontecera em 2014, a prova em Sakhir foi interessante, sim, e cheia de alternativas. E de disputas bonitas. 
 
Hamilton, pela terceira vez no ano, conquistou a vitória, não sem antes viver um drama com o problema no sistema de freios do Mercedes W06. Rosberg, por sua vez, teve de lutar para ir ao pódio. E ainda protagonizou um emocionante duelo contra Vettel em diferentes partes da corrida, vencendo o compatriota em todas as oportunidades. Ainda assim, ficou longe de fazer dobradinha com Hamilton. 
 
Isso porque a Ferrari conseguiu colocar Kimi Räikkönen entre os prateados. Fazendo valer uma estratégia diferente na comparação com os rivais, o finlandês se encontrou com chances de superar Rosberg na parte final da corrida e não desperdiçou, com uma ultrapassagem na última volta da corrida. Ainda na parte final, Bottas e Vettel também travaram uma bela disputa pelo quarto posto, mas aí o piloto da Williams levou a melhor.
 
Outra disputa de tirar o fôlego, ainda que valesse pelo pelotão intermediário, foi entre os dois brasileiros do grid. Felipe Massa — o piloto da Williams precisou enfrentar uma prova de recuperação depois de sair do pit-lane devido a um problema no grid — e Felipe Nasr andaram próximos durante boa parte da corrida e chegaram a lutar por posições em algumas oportunidades. No fim, Massa foi o décimo, enquanto Nasr foi o 12º. Ambos separados por Alonso.
 
A nota negativa ficou, mais uma vez, para a McLaren. Apesar do 11º do espanhol, Jenson Button sequer largou. Sua McLaren Honda MP4-30 #22 apresentou problemas nos dois treinos livres, na classificação e, embora os mecânicos e engenheiros da equipe inglesa tenham se empenhado durante toda a tarde, não teve jeito: Button não conseguiu alinhar no grid. Mas não perdeu o bom humor e comentou a corrida via Twitter.
 
Além da McLaren, quem também saiu do Bahrein cabisbaixa foi a Red Bull e a Renault. Numa corrida sem sal, Daniel Ricciardo andou quase que toda a corrida em sexto lugar, posição em que cruzou a linha de chegada. Foi aí que seu RB11 foi focalizado com destaque. Nos últimos metros, o motor Renault de sua Red Bull quebrou novamente, agora explodindo diante das câmeras.
Lewis Hamilton e Nico Rosberg celebram pódio no Bahrein (Foto: AP)
E assim que a F1 voltou para a Europa: com três vitórias em quatro provas, Hamilton seguia líder, com 93 pontos, 27 a mais que Rosberg, que já havia superado Vettel, por um ponto. Räikkönen era o quarto, com Massa à frente de Bottas, em quinto. Nasr vinha em oitavo. E a McLaren e a Manor Marussia eram as únicas foram da tabela de pontuação.
 
Tradicionalmente, a Espanha é o ponto de partida para a fase europeia da F1. E foi lá em Barcelona, três semanas depois da etapa barenita, que Rosberg teve a primeira chance real de vencer Hamilton e não a desperdiçou. O alemão chegou ainda possuído pelo espírito guerreiro da prova do Bahrein e arriscou tudo para vencer o GP espanhol.
 
Nos treinos, Rosberg revezou a liderança com Hamilton, mas na classificação, acabou quebrando a sequência do rival e se colocou na pole, com um tempo quase 0s3 mais rápido. Na largada, fez valer a posição de honra, saltou à frente e só foi ver Hamilton no Parque Fechado depois da bandeirada. Foi um triunfo importante e que o fez reduzir a diferença para 20 pontos. A terceira posição ficou de novo com Vettel.  Valtteri Bottas colocou a Williams em quarto, à frente Räikkönen e Massa. O top-10 ainda teve Ricciardo, Grosjean, Sainz e Kvyat.
 
O GP da Espanha ainda viu a McLaren tropeçando, mas agora com cores novas: o prateado deu lugar a um tom bem mais escuro de cinza, com detalhes em vermelho e preto. Ainda assim, o desempenho continuou errático. Alonso ficou sem freios e abandonou, enquanto Button terminou apenas em 16º.
O pódio em Barcelona teve: Nico Rosberg, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel (Foto: Beto Issa)
O bom momento de Rosberg teve continuidade em Mônaco — ainda que às avessas: graças a um erro da Mercedes. O fim de semana no Principado deveria acabar bem favorável a Hamilton, mas uma chamada equivocada da equipe alemã mudou o cenário e esquentou o campeonato.
 
Hamilton fez a pole no Principado, a primeira de sua carreira no circuito, e foi tentar a segunda vitória por lá. Fez tudo certo: nas apertadas ruas, não cometeu erros e foi mantendo uma vantagem muito bem controlada para Rosberg. Até que, com o safety-car provocado pelo acidente de Max Verstappen com Romain Grosjean, uma enorme confusão provocou uma reviravolta.
 
O líder da prova ficou preocupado com a situação dos pneus e, acreditando que Rosberg e Vettel — o terceiro —, haviam parado nos boxes, bradou no rádio pedindo para fazer um pit-stop também. A equipe não entendeu desta forma, mas, para piorar a situação, cometeu um erro de cálculo.
 
Lewis foi chamado com os engenheiros imaginando que seria possível continuar em primeiro apesar do pit extra. Não era, e ele se viu em terceiro após a parada. Claro que ficou furioso, e o terreno ficou preparado para uma nova guerra interna na Mercedes. Uma guerra que não eclodiu: Toto Wolff, Niki Lauda e Paddy Lowe conseguiram gerir bem o episódio, Lewis aceitou o pedido de desculpas e a vida seguiu rumo ao GP do Canadá.
Vencedor em Mônaco, Rosberg era só sorrisos no pódio. Já Hamilton… (Foto: AP)
Em Montreal, não teve para ninguém. Em um traçado que domina, Hamilton fez mais uma pole e dominou Rosberg em uma prova que a Mercedes usou para ‘espantar seus fantasmas’. Durante o GP, foi preciso administrar bem os freios, principalmente, e o consumo de combustível. A falha dupla de 2014 ainda assustava. Desta vez, não houve sustos, e a dobradinha foi até que tranquila.
 
Valtteri Bottas completou o pódio em um momento crucial para a Williams. O time de Grove saiu de Mônaco frustrado por ficar fora dos pontos, no que definiu como um “fim de semana de folga” que não podia se dar ao luxo de ter — acabou tendo outro em Hungaroring. Mas, na América do Norte, pôs no carro a primeira de uma leva de atualizações e se cobrou: é a hora de marcar mais pontos que a Ferrari. Conseguiu, três vezes: no Canadá, na Áustria e na Inglaterra.
 
Tudo bem que o pódio de Bottas só veio por causa de um erro de Kimi Räikkönen, mas isso não tira o valor do resultado. É um pódio que a Williams de 2014 teria perdido.
Bottas tirou a Ferrari do pódio pela primeira vez no ano (Foto: AP)
Na Áustria, Hamilton uma vez mais saiu na pole, mas deu início ali a uma sequência de três largadas ruins. Na primeira curva, já estava atrás de Rosberg, lance que definiu a corrida. Mais tarde, ainda foi punido por passar sobre a linha branca na saída dos boxes. Completando o pódio, Massa foi terceiro, novamente aproveitando um deslize ferrarista — erro no pit-stop de Vettel.
 
Na Inglaterra, a Williams pela primeira vez superou as duas Ferrari na classificação e, largando da segunda fila, tomou a frente das Mercedes. A chance de derrotar os prateados em condições normais surgiu e durou por 20 das 52 voltas, com Massa em primeiro seguido por Bottas, com direito a polêmica: uma ordem para que o finlandês não ultrapassasse, com a liberação sendo concedida tarde demais para que Valtteri tentasse algo. No pit-stop que deveria ter sido o único, Hamilton tomou a ponta e não perdeu mais. Foi sua terceira vitória em casa. A Williams ainda teria a chance de colocar dois representantes no pódio, não fosse a chuva que caiu nas voltas finais e que recuperou uma Ferrari até então perdida, dando o pódio a Vettel. A ‘síndrome do Cascão’.
A Williams liderou, mas perdeu (Foto: AP)
Esta também foi a prova que encerrou a seca de Fernando Alonso, que pontuou pela primeira vez na temporada ao chegar em décimo. O espanhol repetiria os pontos na Hungria, duas semanas depois, ao terminar em quinto – e com Jenson Button em nono! O inglês só havia terminado entre os dez melhores em Mônaco, quando foi oitavo.
 
Mas o que a Hungria viu de mais destaque, pelo segundo ano seguido, foi uma derrota da Mercedes. Com a F1 de luto pela perda de Jules Bianchi, o paddock começou a virar a página minutos depois de uma bela homenagem no grid ao piloto francês. No apagar das luzes, Vettel tratou de trabalhar em outra forma de prestar tributo ao colega, assumindo a ponta com a Ferrari e partindo para a 41ª vitória da carreira, igualando Ayrton Senna. “Sabemos que cedo ou tarde seria parte deste time”, falou, pelo rádio, após cruzar a linha de chegada.
 
Pela primeira vez desde 2013, os carros da Mercedes ficaram fora do pódio. Daniil Kvyat foi segundo e ganhou seu primeiro troféu na F1, e Daniel Ricciardo foi terceiro com a outra Red Bull. Para a Red Bull, especialmente Kvyat, foi uma redenção. O melhor resultado do time e do russo havia sido o quarto lugar em Mônaco. O jovem de 20 anos estava inclusive sendo pressionado internamente, e enfim conseguiu aproveitar a chance que teve.
 
Hamilton teve tudo para se dar mal, mas ainda acabou se dando bem. Após perder várias posições na primeira volta, recuperar-se e perder várias posições novamente após a relargada, teve a sorte de ver o pneu de Rosberg furar no duelo com Ricciardo. Assim, fez a vantagem crescer: na disputa pelo título, são 21 pontos para Nico nas férias de verão, com Vettel outros 21 pontos atrás — surpreendentemente perto para o que se esperava no início do ano.
Sebastian Vettel balança as bandeiras da Itália e Ferrari (Foto: AP)

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