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A relação entre Renault e Toro Rosso caminhava para um fim amigável com a liberação de Carlos Sainz Jr. ao time francês. De partida para a Honda em 2018, a Toro Rosso nem andava fazendo muito barulho para a imprensa apesar dos seguidos problemas de confiabilidade que têm assombrado a escuderia sobretudo na segunda metade da temporada atual. Mas o andamento suave foi afetado na última sexta-feira e destruído completamente neste domingo (11). Cyril Abiteboul, diretor-esportivo da Renault, e Helmut Marko, consultor da Red Bull e Toro Rosso, trocaram dedo em riste e quase chegaram às vias de fato no paddock em Interlagos.
A situação chegou a um nível tão dramático que a Renault agora ameaça a Toro Rosso a sequer fornecer mais motor pelo resto do fim de semana do Brasil ou em Abu Dhabi.
O esfarelamento da situação começou quando Abiteboul afirmou após os treinos livres da sexta-feira que existia uma grande preocupação desde a fábrica francesa com a forma como a Toro Rosso está conduzindo seus motores. Segundo Abiteboul, é por isso que o time de Faenza tem tido mais problemas que o resto das equipes.
"Não estamos felizes com essa situação e estamos levando isso bem a sério. A Toro Rosso tem sofrido nas últimas corridas muito mais problemas que as outras equipes. Obviamente que isso está acontecendo pelos elementos utilizados, é isso que está causando problemas. Nos preocupa um pouco a forma que a Toro Rosso tem usado nossos motores. Isso pode explicar porque temos tido tantos problemas especificamente com eles. Não existem coincidências nesse esporte", disse Abiteboul ao site norte-americano 'Motorsport.com'.
"Não esperávamos ter esse tipo de problemas que estamos tendo e, em algum momento, as partes precisam se entender com o que têm e trabalhar para evoluir. Passaram apenas duas semanas da corrida no México, nós enviamos os componentes danificados para a fábrica e trabalhamos sem parar até no feriado. Com a falta de tempo, obviamente há um limite de peças novas que podemos ter, é uma bola de neve: quando começa a rolar, é muito difícil de pará-la. Estamos fazendo o possível para conter essa avalanche de problemas, mas, da nossa parte, temos um limite que nos impede de avançar tudo que gostaríamos. Mas estamos tentando entender o que está rolando", falou.
Cyril Abiteboul e Helmut Marko quase chegaram às vias de fato em Interlagos (Foto: Sky Sports)
A acusação se provou irresistível demais para que a Toro Rosso ficasse em silêncio. Na manhã do sábado de classificação, a equipe soltou um comunicado de imprensa com a popular 'chutada de porta'. De acordo com a Toro Rosso, nada drástico foi mudado na forma como a equipe opera os motores durante a temporada de forma a justificar os casos de defeitos.
"Em virtude das acusações recentes feitas à imprensa pela fornecedora de motores, a Toro Rosso vem a público esclarecer a atual situação das unidades de força. É uma grande surpresa para a equipe que Cyril Abiteboul tenha sugerido que os problemas sofridos pela Toro Rosso com as unidades de força são primariamente causados pela equipe e a forma como são operados nos chassis STR12", disse.
"Gostaríamos de esclarecer que todo o MGU-H e falhas no câmbio que a Toro Rosso sofreu recentemente não são ligadas a como o time está operando ou em como a unidade é integrada ao chassi", afirmou. "Nada mudou ou foi alterado nessa instalação durante a temporada 2017 a não ser as melhoras no esfriamento do motor. Desde o recesso de verão a Toro Rosso vem sofrendo falhas contínuas ligadas à unidade de força e que resultam em punições que custaram pontos e posições no Mundial de Construtores", seguiu.
Ainda afirmou também que as falhas são reflexo de incapacidade da Renault de enviar novas partes. E encerrou: os problemas de Red Bull e da equipe de fábrica da própria Renault evidenciam que a Toro Rosso é inocente.
Motor Renault da Toro Rosso de Hartley abriu o bico logo cedo em Interlagos (Foto: Reprodução)
"Uma das principais razões para esses problemas que estamos vendo é a falta de novas unidades de força disponíveis. No caso da Toro Rosso, a equipe está constantemente tendo que mudar partes de uma unidade para outra durante o fim de semana e, em muitas ocasiões, é forçada a utilizar uma mistura de unidades antigas", seguiu.
"No GP do México, apenas dois carros de seis [que usam motor Renault] terminaram a corrida. O que sublinha a fraca confiabilidade", encerrou.
Na sexta-feira, Pierre Gasly e Brendon Hartley voltaram a ter problemas em seus motores, deram apenas sete voltas no
primeiro treino livre em Interlagos e foram punidos com
perda de posições para o grid de largada.
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