Do quase ‘deu ruim’ à ficha que cai com Hamilton: 1ª vez na F1 não é para esquecer

No capítulo inicial do 'diário de bordo' da cobertura do GP da Emília-Romanha, Bernardo Castro conta perrengues e a maneira como viu cair a ficha de que estava em Ímola

O primeiro dia de cobertura do GP da Emília-Romanha teve alguns altos e baixos — principalmente na parte organizacional —, mas isso não tirou a satisfação de estar no paddock da Fórmula 1 pela primeira vez

Poderia começar o diário de bordo com o famoso clichê de “a primeira vez a gente nunca esquece”, mas a Fórmula 1 merece algo um pouco mais interessante. De fato, a primeira experiência de uma cobertura in loco num evento desta magnitude é para se guardar com carinho. Não pelo fato de ser inédito, mas porque, além de ser a realização de um sonho, o primeiro dia da cobertura do GP da Emília-Romanha também teve pequenos percalços. Nada muito grave, para falar a verdade, mas que já ajudam a criar casca e mostram o outro lado do trabalho que é impossível notar à distância.

As emoções começaram cedo e com certa correria. Embora tenha deixado a gravação do TTGP um pouco mais cedo do que o habitual na última quarta-feira (14), não consegui chegar a tempo no local do credenciamento e tive de fazer isso hoje (15). Então, tratei de acordar às 5h para sair do hotel o mais cedo possível, evitar filas e chegar o quanto antes no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, já que tínhamos algumas entrevistas agendadas para o turno da manhã.

O primeiro percalço, e que mais me preocupou, aconteceu logo depois do primeiro brioche. Às 8h, assim que se iniciaram os trabalhos no credenciamento, fui o primeiro a ser atendido e, para minha surpresa, não tinha credencial. Os responsáveis pela entrega falaram sobre uma instabilidade nos servidores da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e disseram que o meu nome e o do GRANDE PRÊMIO sequer estavam nos registros — ainda que tivéssemos recebido todos os emails de confirmação por parte da entidade que regula o esporte.

Alexander Albon chegou de bicicleta para a F1 em Ímola (Foto: Williams)

Os atendentes me pediram para esperar em um canto enquanto resolviam a situação. Ainda assim, a única coisa que me vinha à mente era ‘deu ruim’. À medida que o tempo foi passando, inúmeros outros jornalistas, tanto italianos quanto internacionais, passaram pela mesma desconfortável experiência. Em dado momento, a pequena sala tinha cerca de 15 pessoas. Todas aguardando uma solução. A mesma solução. Vamos lá, time!

Em meio à espera, fiz uma breve amizade com simpática jornalista neerlandesa que também cobre algumas corridas ao redor do mundo. Infelizmente, não consigo lembrar o nome, sou péssimo nisso. Perdão, primeira amiga das coberturas internacionais. Disse que teve o mesmo problema durante o GP de Abu Dhabi do ano passado e era algo relativamente simples de resolver — embora pudesse levar algumas horas. 

Sabendo que o problema tinha solução, estava apenas aguardando uma nova remessa de credenciais chegar para me dirigir à pista. Eis que neste momento recebo a seguinte mensagem de Leonid Kliuev, correspondente do GRANDE PRÊMIO e que está me acompanhando durante esses dias: “O táxi que eu estava bateu em outro carro em Ímola”. A bruxa estava solta pelos lados do rio Santerno e o relógio marcava apenas 9h. Caramba, hoje vai até amanhã! Alguns minutos depois, a tranquilidade. “É só um arranhão”, avisou junto da segurança de que estava intrepidamente a caminho do credenciamento.

Após algumas horas de espera, Leonid e eu fomos para a pista por volta de 10h30. A carona que cheguei a descolar, às custas da nova amiga neerlandesa, não foi possível. Ela teve um pouco mais de azar e precisou esperar uma nova remessa de credenciais chegar. Apesar da gentileza, não pudemos esperar para não nos atrasarmos para as entrevistas. Espero que ela tenha pego a credencial e apareça por lá amanhã. 

Teve entrevista exclusiva com Gabriel Bortoleto (Foto: AFP)

Chegando ao Autódromo de Ímola os planos tiveram de ser alterados mais algumas vezes. Entrevistas com os meninos da base, como Victor Martins e Arvid Lindblad, tiveram de ser adiadas por diferentes motivos. O francês ficou preso no trânsito e o britânico prodígio da Red Bull não estava se sentindo bem.

Com a mudança na programação, começamos a nos preparar para as entrevistas coletivas que rolaram aos montes. O pessoal do GP já havia me alertado sobre a correria do dia a dia na Fórmula 1, e eu acreditava que enfrentaria algo similar ao que vivenciei na cobertura das 6H de São Paulo do WEC no ano passado. Ledo engano, o ritmo da F1 de fato é um pouco puxado.

A primeira coletiva, com a Sauber, começou às 12h e ao longo do dia nos deslocamos por diversas equipes: Alpine, Red Bull, McLaren, exclusiva com Gabriel Bortoleto, conversas com a Trident na Fórmula 3 para agendar um dedo de prosa com Rafael Câmara. O descanso só veio por volta das 18h, quando as atividades com os pilotos chegaram ao fim e finalmente paramos para comer alguma coisa. 

Aqui vale uma breve observação sobre meu pedido. Na inocência, pedi uma pizza de Margherita na fan zone, crente de que seria um simples pedaço. Para minha surpresa, os vendedores me apareceram com uma caixa com uma pizza completa — a foto não me deixa mentir. Apesar da fome, não deu para comer tudo e tive de vir com ela para a sala de imprensa. Não sei o que fazer com isso durante a viagem de volta a Bolonha, mas talvez vire a janta de hoje.

Lewis Hamilton também falou direto de Ímola (Foto: AFP)

Apesar de alguns percalços, a experiência do primeiro dia foi bem divertida, mas acho que a correria me impediu de atentar sobre a importância de olhar um pouco à minha volta e notar onde estou. Na verdade, a ficha começou a cair durante na penúltima coletiva do dia, com Lewis Hamilton na Ferrari — não é todo dia que se tem a oportunidade de estar de frente com o maior da história do esporte.

Mas coisa rápida, porque a realidade esperava e logo foi minha vez de perguntar. E ainda que tenha aterrissado a tempo, até me atrapalhei um pouco no início do questionamento — mas nada tenha sido muito grave. De qualquer forma, foi mais um tropeço do dia que ajudou a criar aquela “casquinha” para retomar as atividades na sexta-feira.

Vem aí um novo dia, de novas cascas. Ainda bem!

Fórmula 1 realiza o GP da Emília-Romanha de 16 a 18 de maio, em Ímola, o primeiro da temporada 2025 na Europa. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. Às 8h30 (de Brasília, GMT-3) de sexta-feira (16), os pilotos realizam o treino livre 1. Depois, ao meio-dia, retornam para o segundo treino livre. No sábado (17), o TL3 acontece às 7h30, ao passo que a classificação será às 11h. Por fim, no domingo (18), os pilotos disputam o GP da Emília-Romanha às 10h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO na Itália para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Bernardo Castro e Leonid Kliuev.

GP da Emília-Romanha de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique

 SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 108:3010:3012:3013:30
Treino livre 212:0014:0016:0017:00
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horários de Brasília

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