Red Bull despenca na F1 e sofre contraste entre motor competitivo e chassi mal nascido

A Red Bull esperava sofrer com a falta de desempenho da nova unidade de potência nesse início de temporada 2026 da Fórmula 1, mas ao contrário do que se imaginava, é o chassi que tem dado as maiores dores de cabeça ao time de Max Verstappen e Isack Hadjar

Irreconhecível em comparação ao time que ocupou as primeiras colocações da Fórmula 1 nos últimos anos, a Red Bull se encontra em um nível bem diferente em 2026. Incapaz de competir com as principais forças do grid, o time taurino vive o terrível contraste de ter acertado no refinamento da unidade de potência Red Bull-Ford e errado no desenvolvimento de um chassi que não oferece equilíbrio, previsibilidade ou sequer o mínimo de velocidade aos pilotos. A luz no fim do túnel é que, definitivamente, é mais simples atualizar um conceito que ainda vê seus primeiros dias do que um motor cercado de interrogações sob o novo regulamento.

Com 16 pontos em três rodadas, incluindo uma corrida sprint, a Red Bull é a sexta colocada do Mundial de Construtores e tem exatos 2 tentos a mais que sua equipe B, a Racing Bulls. Para se ter uma ideia da queda, a líder Mercedes soma 135, contra 90 da Ferrari e 46 da McLaren — que não largou na China e viu Oscar Piastri bater e abandonar na volta de apresentação da Austrália.

E o desmoronamento da equipe austríaca reserva também um paradoxo. Afinal de contas, antes do início da temporada, muito se falava sobre a competitividade da unidade de potência Red Bull-Ford no primeiro ano do novo regulamento. Dúvidas que sempre se sustentaram, dada a longevidade de Ferrari e Mercedes na produção de motores e a histórica dificuldade de começar do zero na Fórmula 1. Após três etapas, muitas reclamações e poucos pontos, contudo, o recado é claro: o principal culpado é o chassi.

“Temos uma boa unidade de potência, o motor é bom. Mas o lado do chassi é terrível, muito lento nas curvas. O único ponto positivo é que consigo ser rápido ao pilotar o carro, mas não temos ideia de como evoluir agora”, analisou Isack Hadjar.

Hadjar foi o mais vocal dos pilotos sobre os principais problemas do carro, que estão concentradas no desenvolvimento do monoposto em si, mas o incômodo de Max Verstappen com a falta de equilíbrio e a inconsistência do RB22 também é claro. Não que o motor Red Bull-Ford tenha a mesma eficiência da Mercedes ou o poder de largada da Ferrari, mas sofre menos que a Audi no início das corridas e nem se compara às dificuldades da Honda. E isso representa, ao mesmo tempo, boas e más notícias para Milton Keynes.

Max Verstappen e Isack Hadjar estão sofrendo com a falta de ritmo da Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Pelo lado positivo, está o fato de que a equipe acertou no desenvolvimento do novo motor e precisa aproveitar as alterações que devem ser geradas pelas Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, sigla do inglês) para se aproximar das ponteiras em termos de nível da unidade de potência. A grande questão aqui é que um defeito profundo na fabricação do motor seria consideravelmente mais difícil e lento de ser ajustado que um problema no chassi.

Ou seja, caso o departamento técnico liderado por Pierre Waché repita o que conseguiu na segunda metade da temporada passada, com atualizações que gradualmente aproximem a Red Bull dos principais carros do pelotão, deixar a ‘F1 B’ será questão de tempo. Por outro lado, a incapacidade de evoluir o conceito (evidenciada pela queda abrupta de rendimento de um ano para o outro) pode resultar em mudanças drásticas na estrutura taurina.

A verdade é que Hadjar vive uma situação à la George Russell na Mercedes. Após anos roendo o osso na Williams, o britânico foi alçado ao cargo de titular das Flechas de Prata em 2022, apenas para encontrar um time muito menos competitivo do que nos anos anteriores e completamente fora da disputa por títulos. Para servir de consolo a Isack, quatro anos depois, o britânico tem o melhor carro do grid e é um dos favoritos claros à taça.

Enquanto isso, Verstappen indica que seguirá descontente com o novo regulamento e dá a entender que pensa mesmo em deixar a F1. Para Hadjar, que acabou de chegar na categoria e deixa claro o comprometimento a longo prazo, o entendimento é de que sofrer com problemas no desenvolvimento do chassi é menos grave do que algum defeito crônico de motor — que levaria bem mais tempo para ser resolvido.

O chassi tem sido o grande problema da Red Bull neste início da F1 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Daqui em diante, o grande assunto na Red Bull vai girar em torno — além do futuro de Verstappen, claro — da capacidade de recuperação do departamento técnico. Em um time que tem convivido com chegadas e saídas constantes de nomes da estrutura, os métodos de Waché não encontraram apoio unânime — e só o retorno da competitividade pode salvar o emprego do engenheiro.

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