Renault aposta em grande salto de qualidade com uso de fichas de desenvolvimento a partir de outubro

Até lá, portanto, a Renault aposta em fatores como um novo combustível desenvolvido pela parceira Total para aumentar gradativamente a potência da sua unidade de força nas provas seguintes, sobretudo nas pistas que exigem mais do motor, como Spa-Francorchamps e Monza

A Renault aproveita o período de férias da F1 para trabalhar duro e entregar um motor mais potente às clientes Toro Rosso e Red Bull na segunda fase da temporada 2015. Sem tempo para descanso, Rémi Taffin, diretor de operações da Renault Sport, indica que a montadora francesa deverá fazer uso, de uma vez só, dos 12 tokens que lhe restam para desenvolver a unidade de força, e que isso deverá acontecer em outubro. Assim, o engenheiro planeja um grande salto de qualidade nesse tempo, porém não o bastante para alcançar ou superar a Mercedes, dona do motor mais potente e confiável da F1 atual.

Nesta temporada, a Renault tem sido alvo de constantes críticas por parte dos seus clientes. A ponto de Toro Rosso e, principalmente, a Red Bull virem a público e falarem sobre um possível fim da parceria. No caso dos taurinos, trata-se de um casamento antigo e vitorioso, com nada menos que oito títulos mundiais (quatro de Pilotos e outros quatro de Construtores) entre 2010 e 2013. Mas a cúpula do time de Milton Keynes não hesita em mostrar toda sua insatisfação com o desempenho e a falta de confiabilidade dos propulsores construídos em Viry-Châtillon.

O motor Renault deverá ganhar em performance com o uso dos 12 tokens que lhe restam (Foto: Renault)

Para assegurar que vai conseguir entregar às equipes clientes o melhor material possível, Taffin disse à publicação norte-americana ‘Motorsport.com’ que o objetivo é, ao invés de dar pequenos passos, conseguir um grande avanço na performance do seu motor.

“Vamos tentar fazer o máximo possível para dar um grande passo de uma vez só. Não será em Spa e tampouco em Monza. Talvez seja em Cingapura ou na Rússia ou na corrida seguinte [o GP do Japão]. Seja ou não na Rússia, vai ter de ser uma melhora significativa, algo que a gente possa notar claramente nos tempos de volta”, explicou o francês.

“Ou você entra na temporada e dá grandes passos ou você dá pequenos passos, e às vezes você vê que os pequenos custam mais que os grandes passos, por isso você precisa concentrar numa grande atualização, e é isso o que temos feito”, declarou.

Taffin lastimou o fato de que a Renault está atrás da Mercedes e da Ferrari em termos de desenvolvimento do motor. “Se teremos essa grande atualização em 2015 ou 2016, é porque começamos mais tarde do que gostaríamos. O fato é que nós também temos algumas peças rodando no dinamômetro, e então podemos ver que o desempenho está lá.”

Rémi Taffin trabalha duro na fábrica da Renault para entregar um motor melhor à Toro Rosso e Red Bull (Foto: Frederic Le Floch/DPPI)

Questionado se a Renault conseguirá se colocar à frente da Mercedes quanto à potência do motor depois da atualização, Taffin foi taxativo. “Definitivamente, posso dizer que não seremos tão potentes. Não acredito que vamos ter um motor melhor que o da Mercedes ao fim da temporada, mas não é esse o objetivo. Sabemos onde estamos e sabemos onde queremos estar na próxima temporada, por exemplo, e esse passo que queremos dar ao fim da jornada faz parte do plano de recuperação.”

“É preciso ser cauteloso e organizado sobre onde e quando quer reduzir a diferença. O que usaremos ao fim deste ano será algo que seguiremos utilizando para o ano que vem, poderíamos chamar de programa principal, mas seguimos tendo alguns programas paralelos, esse é o desenvolvimento que está por vir e se for algo promissor, você vai tentar integrá-lo a isso”, explicou.

Até lá, sobretudo em pistas mais velozes, o que é o grande calcanhar de Aquiles da Renault, a montadora francesa aposta em outros fatores que possam contribuir para uma maior potência da sua unidade de força. “Em cada corrida estamos tentando colocar mais performance no motor. Acredito que para Spa ou Monza estaremos ao máximo da performance do que temos, mas é preciso levar em conta que podemos usar um novo combustível e outras coisas para que não seja preciso usar os tokens. É justo dizer que na Hungria corremos com um novo combustível Total, que é parte do programa de desenvolvimento. O plano está aí.”

“Temos algumas peças em testes e vemos evolução, mas até que estejamos seguros de que o grande passo está lá, pronto, não vamos implantar no carro”, concluiu Taffin.

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