Retrospectiva 2023: AlphaTauri reformula e mantém esperança de dias melhores
Ano de grandes reformulações da AlphaTauri ficou marcado por grande arrancada na reta final que tirou a equipe da lanterna. Para 2024, a esperança é de dias melhores
Depois de uma curva de ascensão nos últimos anos, a AlphaTauri amargou um 2022 péssimo. Queda brusca de desempenho e mudanças fortes para 2023. Mesmo com um ano de dificuldades previsto, a encomenda acabou saindo melhor que o esperado. Com uma boa arrancada na reta final, o time de Faenxa até ameaçou a Williams pelo sétimo lugar dos Construtores, mas fechou em um justo oitavo posto, e com ousadia nos planos para 2024.
A mudança mais impactante para 2023 foi na dupla de pilotos. Após quatro temporadas, chegou a hora de Pierre Gasly alçar novos voos. A esquadra B dos taurinos não teve muita resistência quando surgiu a proposta da Alpine, deixando o maior piloto de sua história sair. A substituição foi ousada. Sem pilotos prontos convincentes na academia da Red Bull, a escolha foi pelo holandês Nyck de Vries, campeão da Fórmula E na temporada 2020-21 e que teve uma estreia arrebatadora pela Williams no GP da Itália de 2022, somando pontos com o nono lugar.
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Com a morte de Dietrich Mateschitz, fundador da Red Bull, o time também passou por uma importante mudança executiva, com Peter Bayer assumindo o posto de diretor-executivo. Por muito tempo, ele foi secretário-geral da FIA. Em abril, também foi anunciado que Franz Tost, um dos chefes de equipe mais longevos do grid atual, deixaria a esquadra após 17 anos, dando lugar a Laurent Mekies, ex-Ferrari, a partir de 2024.
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Entre os pilotos, foram anos distintos dos dois lados da garagem. Yuki Tsunoda, que sempre sofreu ao lado de Gasly, tomou bem o papel de líder da equipe. Mesmo sofrendo com um carro defasado em boa parte da temporada, o japonês teve um papel muito competente. Sempre se colocou muito perto do top-10 em diversos momentos no início da temporada, e conseguiu capitalizar pontos com o décimo posto na Austrália e no Azerbaijão.
Apesar de uma certa instabilidade no campeonato, com a performance ruim em Mônaco e as dificuldades de se colocar em uma boa posição de pontos, Tsunoda voltou ao top-10 na Bélgica, em estágio onde carregava praticamente o time inteiro nas costas, com a AlphaTauri ainda amargando a última colocação no Mundial de Construtores.
A grande atualização do AT04 na reta final do ano impulsionou mais ainda os resultados de Tsunoda. Na fase que encerrou o campeonato, o japonês cravou o oitavo lugar nos GPs dos Estados Unidos e de Abu Dhabi, além de uma grande recuperação em São Paulo, saindo de 16º para 9º. Com 17 pontos, igualou o 14º lugar no Mundial de Pilotos de 2021, ano de estreia, mas quando tinha um carro bem melhor. No meio das dificuldades, Yuki deu passos de amadurecimento.
Do outro lado da garagem, um ano bastante conturbado. Nyck de Vries não conseguiu corresponder às expectativas colocadas. O ápice foi o acidente sozinho nas voltas iniciais do GP do Azerbaijão. Completando apenas duas corridas à frente de Tsunoda, o piloto holandês acabou sacado antes mesmo das férias de verão da Fórmula 1, movimento que acabou sendo criticado até por outros nomes do grid.

Para seu lugar, foi contratado Daniel Ricciardo. O piloto australiano, dono de oito vitórias na Fórmula 1, estava de reserva da Red Bull desde a conturbada saída da McLaren. Após duas performances pouco chamativas, Daniel sofreu mais um baque. Nos treinos livres do GP da Holanda, acabou batendo e lesionando a mão direita, o que o deixou afastado de cinco corridas. Mesmo precisando de uma nova readaptação, ainda teve um momento a ser elogiado, com o sétimo lugar no GP da Cidade do México, fundamental para tirar a AlphaTauri da lanterna.
No intervalo em que Ricciardo esteve fora, um terceiro nome ganhou a chance no terceiro carro: Liam Lawson. O neozelandês impressionou com a rápida adaptação e os bons desempenhos de cara, inclusive colocando muito calor em Tsunoda. O ápice foram os dois pontos somados no GP de Singapura. Apesar da esperança em ver Liam de volta em 2024, os fãs vão se contentar com o ‘Kiwi’ apenas no posto de reserva, mas namorando com a eventual chance de titular.
No fim, a arrancada final da AlphaTauri fez o time ultrapassar Haas e Alfa Romeo para ficar com o oitavo lugar entre os Construtores. Por pouco, não veio até a oportunidade de ultrapassar a Williams, mas “faltou perna”. De qualquer forma, o grande crescimento em um momento crucial e as fortes mudanças internas passam a impressão de que os dias em Faenza podem ser melhores.
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